quinta-feira, abril 30, 2009

Maria Adelaide na Universidade Lusófona

A Primavera vai e volta, misturada com um Verão fora de horas. Viva o sol. O tempo, esse, foge-me entre os poros, e deixa um ligeirissimo travo de remorso, que sacudo. Tanta coisa para fazer, tanta coisa para escrever.
A sessão na Faculdade de Psicologia da Lusófona foi excelente. Bom ver tantos rostos jovens, atentos, curiosos, interessados. Boas perguntas, pertinentes intervenções. Se Maria Adelaide Coelho, nos tempos em que estava enclausurada no Conde de Ferreira, pudesse adivinhar o que o professor Carlos Poaires iria chamar aos cientistas que a interditaram, um clarão de puro gozo inundar-lhe-ia o rosto marcado de tanta dor: «Doidos são vocês!» Disse ela. Carlos Poiares, porém, foi muito mais longe ao analisar os actos médicos subscritos por Júlio de Matos, Egas Moniz e Sobral Cid. Sem meias palavras, nem falinhas mansas, chamou os bois pelos nomes. Que me desculpem os animais.
Monique Rutler, realizadora de cinema, contou coisas de um destes clínicos -- que soube de fonte segura na terra de onde o ilustre fora natural -- que me coibo de reproduzir. Registo, com satisfação, a oportunidade de termos voltado a ver Solo de Violino. Para os alunos da Universidade Lusófona, porém, o seu filme de 1992 foi, ali, estreia absoluta.

domingo, abril 19, 2009

A biografia de Maria Adelaide Coelho na Faculdade de Psicologia da ULHT

O livro Maria Adelaide Coelho da Cunha, «Doida não e não»! passou a integrar as biografias do Curso de Psicologia da Universidade Lusófona, nomeadamente nas cadeiras de Psicologia Forense e de Exclusão Social, e Teorias Psicológicas de Criminalidade, nesta última como bibliografia principal. A indicação foi dada pelo próprio director da Faculdade de Psicologia da mesma universidade, Professor Carlos Alberto Poiares.
Por outro lado, já no próximo dia 23 de Abril, pelas 18.15 horas, no Auditório Alexandre Pessoa Vaz da ULHT (Av. Campo Grande, 376, Lisboa), vai realizar-se no âmbito das actividades complementares de formação, da mesma faculdade, a sessão «Mulher na Psicologia Forense».O programa inclui a exibição do filme de Monique Rutler, Solo de Violino, e a apresentação do biografia de Maria Adelaide Coelho.
Seguir-se-á um debate sobre a menorização da Mulher nas primeiras décadas do século XX, na Justiça e na Psiquiatria, com a realizadora Monique Rutler e comigo, tomando como analisador o caso de Maria Adelaide Coelho da Cunha.
Esta sessão é organizada pelo 2º Ciclo em Psicologia Forense e da Exclusão Social da Faculdade de Psicologia, com a colaboração da PSIJUS – Associação para a Intervenção Juspsicológica.
A entrada é livre!Apareçam!!

sexta-feira, abril 17, 2009

quinta-feira, abril 16, 2009

Diário de escritor a vender o seu peixinho: o livro do Mário Contumélias

Lisboa, 16 de Abril de 09: Livraria Fnac, Vasco da Gama
Hoje vou vender o peixinho dos outros. Quer dizer, vou apresentar o novo romance do Mário Contumélias, A Explicação do Sol, da Fronteira do Caos, que a partir de agora já está nas livrarias. Belo texto, muito poético, de um escritor que já vai no seu 23 livro, e que tem andado por áreas tão diversas como o romance infanto/juvenil, a poesia, outros romances, um livro de entrevistas e uma brochura evocativa do 25 de Abril.
O curioso, aqui, é que eu conheço o Mário há muitos anos, desde a fundação – na mítica cave – do jornal Correio da Manhã. Ambos jornalistas, mas ele, por então, já a chefiar a redacção. Assim, dei por mim agora, ao longo do seu novo livro, a reencontrar pessoas nas páginas de A Explicação do Sol, mulheres, sobretudo, mas também um amigo comum de vida brevíssima. O Zé Luis. Em todo o caso, reencontros como o de hoje, graças ao Face Book, registe-se, são muito reconfortantes. Na vida nómada que levamos, eu pelo menos, são sinais de luzes que nao se apagaram. Imagino que mais amigos dos velhos tempos irão aparecer. E nesse sentido, estas reuniões esporádicas têm o sabor de encontros de família. Bons encontros.
Quanto ao meu próprio peixinho: a entrevista à Máxima, que vai sair na próxima edição da revista, dia 8 ou 9 de Maio, fechou um ciclo nesta biografia da Maria Adelaide. Por acaso – não, não foi nada por acaso!! – a Laura Torres é que me pôs em contacto com os actuais donos do palácio onde Maria Adelaide viveu uma parte da vida com o marido, Alfredo da Cunha, e o filho, José. Foi dali que ela fugiu em 13 de Novembro de 1918. E um belo dia, no início de 2007, a Laura convida-me para fazer uma reportagem no mesmo cenário: «é mais do que uma reportagem! Aquela história dá um livroum prazer ainda maior ter a própria directora da Máxima, a Laura, a entrevistar-me ali, onde tudo começou, numa conversa a que depois a Clara Ferraz se juntou. As fotografias foram a seguir. Vesti e despi os lindíssimos vestidos que escolhemos, para a produção, na BCBG MAXAZRIA, e divertimo-nos muito, todos, ao longo da sessão.

terça-feira, abril 14, 2009

Diário de escritor a vender o seu peixinho

Lisboa, 13 de Abril de 09: Você na TV, e Revista Máxima.
Dia cheio. De manhã TVI, «Você na TV». Chego às 10 horas como combinado. Em 15 minutos estou maquilhada e penteada, a postos para o directo com o Manuel Luís Goucha e a Cristina Ferreira. A propósito da história de Maria Adelaide Coelho, a produção encontrou três mulheres para testemunhar sobre as suas opções amorosas. Vivem com homens mais jovens, e «arriscaram tudo por amor». Senhoras na casa dos 50, 60 anos. As diferenças nem são tão grandes assim, quer nas idades, quer nos patamares sociais de onde procedem os seus companheiros. E os riscos, bem vistas as coisas, resumiram-se mais ao medo do que as «pessoas podiam pensar» ou algum desconforto por parte de familiares. Ou nem sequer isso! Mas, e isto é que importa, os seus casamentos são felizes, e resistem há décadas à usura dos anos. Uma foi madrinha de guerra de uns 17 soldados. Apaixonou-se por um deles, e vice-versa. Estava no Norte de Moçambique. Tinha menos seis anos do que ela, e finalmente face a face, era muito mais baixo do que ela o imaginara. Casaram pouco depois dele ter voltado do Ultramar, e ainda hoje os dois se adoram. Ele era de Comunicações e não conheceu os horrores da morte em directo. Mas perdeu muitos amigos, soldados como ele, e viu outros chegarem desfigurados, mutilados no corpo e na alma, alguns para sempre. Mas nunca fala da Guerra.
Antes de entrarmos, e já no estúdio, assistimos às actuações de duas crianças, um rapaz e uma rapariga, aí de uns 9, 10 anos. Eram os eliminados de um programa onde outras crianças também cantam, não sei o nome. Iam voltar para casa, e tinham dormido umas três, quatro horas. Tinham bonitas vozes mas resulta estranhíssimo ver um miúdo daquela idade a cantar:
corpo de linho/lábios de mosto/quem faz um filho/fá-lo por gosto.
E uma chavalita da mesma idade, abanando-se ao som de um êxito das Doce, trauteando em voz fresca e infantil:
Vem amor que a noite é uma criança/ e depois/quem ama por gosto não cansa/
E por aí fora.
Entretanto, chegou a nossa vez. Primeiro, os testemunhos das outras convidadas. Depois, a «minha» Adelaide. Os apresentadores tinham, naturalmente, lido o livro, e o Manuel Luís estava maravilhado com as peripécias da senhora riquíssima que «tudo deixou por amor» ao seu Manuel Claro, motorista, motivo pelo qual ambos foram presos, ela num hospital de doidos, ele numa prisão:
– Mas acabou tudo bem, não foi? – perguntou o Manuel Luís Goucha.
– Sim. Estes dois ficaram juntos.
– Mesmo depois de morrer, não foi? – insistiu ele.
– Mesmo depois da mortos – disse eu.
E pronto, estava feito, e é incrível porque muita gente viu, mandou mensagens, passeou pelo blogue à procura de «Doida não e não!» ou de «Maria Adelaide Coelho». Ou até do nome da escritora que ali esteve a vender o seu peixinho.
Mas não acabou aqui. Táxi, Lisboa, Chiado, almoço no vegetariano, e depois passagem pela Séfora, a comprar toalhetes desmaquilhantes e uma garrafinha de água hidratante. Na própria loja, sentada num banco e com um bom espelho à frente, apliquei-me a tirar os quilos de base e pó e sombras e rimel, e pus-me a caminho de São Vicente onde ia dar uma entrevista à Máxima. E onde, mais uma vez, me puseram base, e pó e sombras e batons e rímel.
Fica para outro post.

quinta-feira, abril 02, 2009

Isto Só Visto no Palácio de São Vicente

O programa Isto Só Visto cobriu o lançamento da biografia de Maria Adelaide Coelho que, quase cem anos depois, regressou assim ao seu palácio para ser figura principal de um evento lindíssimo. Ora vejam:
http://195.23.58.155:8080/streamtv/2009/03/WMS_RM_FILTER/24434163.wmv

Leituras das Marias

Pela blogosfera, esse virtual mundo virtualmente sem fim, começam a somar-se as referências à biografia de Maria Adelaide. Neste caso, e porque se trata de um blogue de culto, deixo o rasto da notícia e o link para o seu destino, que vale a pena seguir em termos regulares. Leituras das Marias é um posto de observação independente, onde se fala sobre livros. É visivel e notório que as pessoas que o fazem, estão profundamente familiarizadas com o objecto acerca do qual escrevem. O que também é digno de referência.
Um excerto do comentário crítico:
«Esta história surpreendente, que me deixou sem fôlego tal o enredo que a própria autora, Manuela Gonzaga, tão bem urdiu, surgiu através dos actuais donos do palácio de São Vicente, que em 2003 descobriram que de um fundo falso de uma pesada secretária, surgiu «um precioso acervo de minutas de cartas, bilhetes e notas enviadas a quem privou com o casal (Maria Adelaide e Alfredo da Cunha) – amigos, familiares e antigos serviçais do palácio - , a quem se pedia depoimentos sobre os tempos felizes de São Vicente».
http://leiturasdasmarias.blogspot.com/2009/03/doida-nao-e-nao-maria-adelaide-coelho.html