segunda-feira, abril 05, 2010

O Coelho e o Bisonte


O Coelho e o Bisonte estavam à nossa espera em Paço d'Arcos. A mesa estava linda, e os manjares não paravam de chegar. O gato estava deitado no sofá tigre. Veio de Porto Santo. Está triste. Tinha o espaço todo para correr, e agora tem uma janela para espreitar pombos. O Alex pensa que ele vai ser muito feliz em casa da mãe, na Ucrânia, muito perto da floresta de onde vieram os cogumelos secos, sensacionais, que coroaram em glória os golubtsi (rolinhos de couve com recheio de carne tão típicos da cozinha ucraniana).
Estava tudo delicioso. A salada, as carnes (balek) e o peixe (kopchena-reba) fumados artesanalmente, os bombons recheados com um nome impossível de decorar (stojare), que viajaram de Kiev até aquele pequeno apartamento que o Alex transfigurou com móveis reciclados, e tintas de boa qualidade, e muito bom gosto. E amor.
Zoryana cozinhou. Deve estado um dia inteiro a produzir aquele banquete com que nos receberam na casa nova. Influências distintas de alguns anos em Portugal determinaram um almoço/jantar com entrada francesa (vieiras gratinadas), prato forte (golubtsi) e aperitivos múltiplos ucranianos, e um último prato português. Um bacalhau multicultural.
Nós levámos os vinhos de produção restricta. Mas o Bisonte (Zubrivka), que já lá estava, impôs-se mais do que devia. Veio do sul da Ucrânia, cheio de fogo.
O Coelho da Páscoa não se importou.
A viagem para casa foi estranha.
A conversa, as histórias, as gargalhadas partilhadas durante horas e horas, ficam para outro post.
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