quarta-feira, abril 07, 2010

Histórias esquisitas, memórias estranhas

Ele queria ouvir histórias estranhas, qualquer coisa entre X Files e Start Treck.
E pensava que Alex e Zyra podiam ter muitas para nos contar. «OK», disse Alex «queres saber coisas sobre as bases lunares secretas? Aquelas que os primeiros astronautas viram quando lá chegaram, imponentes edificios abandonados, tão antigos que nem foi possível ainda datá-los, quanto mais saber quem os fez...» - acrescentou.
«Claro! Absolutamente!»disse DK. Depois quis saber se era material classificado.
«Sim, quase todo. Até hoje, respondeu Alex .
«Quando e onde conseuiste essa informação? Na Rússia?» perguntou DK .
Alex começou a rir: «Eh pá, isto está tudo na internet. Credível ou não, cabe-te a ti decidir e procurar.»

«Então não quero saber», respondeu DK. «Só me interessam histórias passadas contigo. Coisas engraçadas, ou malucas, ou transcendentes, ou secretas.»
Alex pensou um bocado. Depois disse: «Uma vez, numa situação de perigo enorme, escapei por um buraco tão pequeno que, mais tarde, quando tentei perceber o que acontecera, nem a minha própria cabeça conseguia passar por ali. E no entanto, tinha saltado de um quarto para o campo através desse orifício. Em segundos. E não fiquei com uma única beliscadura.»
Olhamos para ele respeitosamente. Imaginámo-lo de camuflado, talvez de armas na mão, numa noite escura, perseguido sabe-se lá por quem. O que teria o quarto? Artefactos prodigiosos, armas atómicas, inimigos aprisionados?
«Oh, nada disso. Foi na quinta da minha mãe. Era Inverno, noites com temperaturas 30º abaixo de zero. Nesse quarto estava uma porca e eu fui-lhe levar os seus leitõezinhos, já de manhã, porque domiam em casa por causa do frio. Um deles guinchou, e ela achou que eu o estava a magoar, e virou-se para me agredir. Foi horrível. Era enorme, medonha, cheia de dentes e de fúria… barrou-me a saída. Só havia esse buraco na parede. Eu era adolescente, já tinha quase o tamanho que tenho hoje, e…».
DK olhou-o sem expressão. «Não me importo nada que as histórias que me contam sejam verdadeiras ou mentirosas. Gosto é que sejam boas.»
«Mas esta é uma história verdadeira! No dia seguinte toda a gente foi tentar perceber como era possível...» – Alex, olhos verdes, quase dois metros de altura, uma largura de ombros impressionante, mãos de ferro, numa gargalhada interminável.
«Uma porca? Leitoezinhos? A quinta da mãe???? Que merda de história é essa? Não podias ter transformado isso numa cena de espionagem, de guerra, de ficheiros secretos? Até podias pôr aliens, mas… leitõezinhos???»
«Tá bem, eu conto outra» – respondeu Alex engasgado de rir. Zyra e eu, nem conseguíamos falar.
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