terça-feira, agosto 03, 2010

O tempo do reencontro

É quase indizível a alegria que senti quando, pela primeira vez, obtive, em casa, a ligação  internet. Foi no início da década de 90. O mundo na ponta dos dedos recebia os meus sinais e enviava-me muitas mensagens para um ecrã opalescente . O som metálico da ligação, demorada, por vezes incerta, era, aos meus ouvidos, uma música das esferas. Literalmente. De certa forma, julgo ter experimentado, por então, a exaltação de um despertar iniciático. A alegria que senti tinha um sabor mágico só acessível na infância. Como quando aprendemos a nadar ou a andar de bicicleta. Uma epifania toda feita de sentidos  despertos, ventos de liberdade e a consciência visceral de fazemos parte de um todo, de que somos um fragmento infimo mas consciente, todo feito para dar e receber. A vida só se cumpre nesses dois sentidos.
Mais tarde, as conexões cibernéticas alargaram-se em multiplas direcções. Ao som juntou-se a imagem, em directo. Implicando, para o colectivo de que fazemos parte, ferramentas impensáveis há duas décadas atrás. Reconfortantes proximidades atenuaram ausências, diluindo poderosamente as grandes distâncias. Da mesma forma, aconteceram-nos a todos reencontros impossíveis a esta escala e com esta dimensão. O passado, em mim, em nós, faz-se futuro.
Sem qualquer nostalgia, abro-lhe os braços.
Gosto de me sentir fustigada pelos ventos das memórias. Ajudam a voar mais alto, porque permitem reencontrar a terra firme com os seus portos de abrigo e os obstáculos que aprendemos a vencer, ao mesmo tempo que navegamos para as fronteiras do tempo sem tempo. Antecipando o seu rosto por detrás de todos estes véus que nos enredam impedindo-nos de amar como deve ser.
Total e incondicionalmente.

Observação: a partir do reencontro com a Lídia (Sines, Santo André); com a Carmo e a Isabel (Luanda); com a Mimi (Tete); e com o grupo do Colégio Barroso (Lourenço Marques). Quase em simultaneo via Facebook.
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