terça-feira, outubro 11, 2011

Ao amor para sempre

Fazes-me chorar. Faço-te chorar? Sim. Se soubesses a alegria que sinto por me dizeres isso. É que também eu choro, sem lágrimas, a dor da nossa ausência sem remédio. Guarda-me contigo, meu amor, aí onde estás, como eu te conservo na memória do meu sangue, na memória do meu ar, na memória de todas as memórias de ti porque sem elas perdia-me, tão perdido fiquei em tua ausência.

A resposta dela chegou-lhe num suspiro. Quando abriu os olhos, apenas o jovem pajem se encontrava na sua companhia. Olhando-o em silêncio.Tantos anos depois, e ainda se perdia na contemplação do retrato dela, que velava na presença de estranhos. E das recordações infinitas e cheias de luz, que acompanhavam os seus últimos dias. Isso e os ofícios divinos que da cama, no seu quarto de varandim rasgado sobre a capela do mosteiro, seguia com devoção acrescida.
Ao amor para sempre, não o travam fronteiras irreais como tempos e espaços e ausências.
Era esse o seu conforto.
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