quarta-feira, março 28, 2012

Temer a Deus sobre todas as coisas

Um pequeno extrato do meu próximo livro, a aproximar-se do fim:

Nessa altura, a rainha pediu-lhes que viessem os três à sua presença a beijar-lhe a mão, para desta forma lhes conhecer «o asseio exterior do corpo» e também «a composição interior de humores, que se manifestam pela respiração». Dos três saiu vencedor o mais intolerante e o menos ilustrado, Martin Silíceo, que ensinou o princpe a ler e a escrever, e a temer a Deus sobre todas as coisas, inculcando-lhe gota a gota o veneno da intolerância e do pavor. Com tamanha eficiência que, dois anos mais tarde, já se podia dizer que

«O temor a Deus nele é tão natural que, na sua idade, nunca vi tão grande.»


Que o rei tenha percebido as insuficiências deste professor, atribuindo-lhe apenas uma única qualidade, a de ser um «bom homem», e mesmo assim o tivesse mantido, é surpreendente. Respeito pelas decisões da rainha? Incapacidade de entender o domínio que o clérigo impunha de forma indelével no espírito da criança que tutelou sem barreiras, moldando-a ao sabor dos próprios medos e intransigências, ao mesmo tempo que na disciplina e nos estudos era de uma brandura excessiva?

Jamais o saberemos.








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