sexta-feira, maio 18, 2012

Depois da meia-noite, quando «eles» acordam

É preciso ter muito cuidado com o que se diz. E o tom em que se fala. Sobretudo, dentro de casa. E mais ainda, quando a televisão está desligada. Porquê? Oh - respondeu ele, como se estivesse a repetir uma verdade axiomática, daquelas que se aprendem nos bancos da escola - porque «eles» acordam.
«Eles?» - na sala pouco iluminada,  com a lua a entrar pela janelas, um vento frio desalinhou as vogais e consoantes do diálogo tornando-o bastante absurdo. 
«Eles. Os espectros.»
«Ah. Oh. Bom...»
«É verdade. Adoram o som da voz humana. Sobretudo alguns timbres. Não me perguntes quais nem porquê.»
Eu não perguntei nada. Eu não queria perguntar nada. Ou por outra, queria mas nem sabia bem por onde começar. Às vezes, quando estou com ele,  volto à infância das maravilhas e dos pavores. Descontando o efeito contos-de-fadas, há sempre a possibilidade de algumas destas  informações míticas, psicadélicas ou surreais, me aparecerem depois nos sonhos, a fazerem de conta que são de verdade.
E esses sonhos, ai, são pesadelos.
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