quinta-feira, setembro 13, 2012

Isabel de Portugal, amor em tempo de guerras

Esta é a história de uma das mais emblemáticas infantas portuguesas,  rainha de Castela e imperatriz do Sacro Império Romano Germânico pelo seu casamento com Carlos V, muito injustamente esquecida na memória dos povos. Do prefácio da obra, assinado por um historiador de referência que é já também um autor de culto, João Paulo Oliveira e Costa, extraio estas palavras:


«Manuela Gonzaga assumiu todos os desafios próprios desta tarefa complexa e embrenhou-se nos primeiros quarenta anos do século XVI. Tomou conta de uma menina recém-nascida, filha do rei de Portugal, e viu-a no seio da sua família, compreendeu-a no âmbito da corte lusitana e explicou a conjuntura extraordinária que o país vivia, rasgando horizontes e obtendo vitórias militares em terras distantes aonde não haviam chegado nem Alexandre nem os Césares. Um turbilhão de descobertas fazia de Portugal o centro do mundo, e o retransmissor das novidades por toda a Cristandade. E o olhar da biógrafa de Isabel, que foi infanta de Portugal, neta dos reis de Castela e Aragão, e depois a Imperatriz, esposa de Carlos V e regente de Castela por longas temporadas, cedo se estende a essa Europa pulsante da primeira metade de Quinhentos.

Para lá das narrativas que nos ilustram o mundo de Isabel, a autora cedo nos leva até ao íntimo da mulher, e por ela transporta-nos também até aos que a rodeavam: pais e irmãos, mais alguns cortesãos portugueses; e Carlos, mais os filhos; e as amigas e os amigos. E esta Isabel que nos é dada a conhecer por Manuela Gonzaga, é mulher inteira, que sofre, que sonha e que ama. Além dos afectos, vem-la como rainha embrenhada nos jogos políticos e nas relações formais com os súbditos, ministros e conselheiros.
Acima de todos emerge Carlos, o esposo, e sintomaticamente a autora optou por iniciar a sua narrativa no momento em que Isabel deixou Portugal para ir ao encontro do noivo. Este casamento era sonhado pela Casa real portuguesa desde que Isabel nascera, e sucedeu que os calculismos políticos que juntaram Carlos e Isabel pelo matrimónio promoveram afinal uma união amorosa, que não é invenção de jograis ou de romancistas, mas que nos é testemunhada unanimemente pela documentação.

A biografia de Isabel de Portugal oferece-nos pois um olhar sobre a Europa do início do século XVI com todas as suas transformações e contradições - as lutas políticas, especialmente o longuíssimo braço-de-ferro entre o Império e a França e o escandaloso saque de Roma; as questões religiosas que levaram ao Cisma protestante, especialmente na Alemanha e na Inglaterra; a rivalidade com o mundo islâmico e as guerras intermináveis no Mediterrâneo; a progressão dos Conquistadores pelas Índias de Castela e a chegada dos primeiros carregamentos de metais preciosos americanos. Ao mesmo tempo assistimos aos jogos políticos peninsulares, e principalmente aos problemas que obrigaram à intervenção de Isabel enquanto regente.

Acompanhando a imperatriz, podemos apreciar também vislumbres da vida quotidiana da corte na sua permanente itinerância, mais as festas ou o sofrimento de Isabel ao dar à luz; assistimos aos momentos jubilosos da dinastia, e particularmente da mulher, sobretudo de cada vez que celebra o regresso de Carlos à sua companhia, e também as cerimónias fúnebres, incluindo as de familiares próximos, desde a própria mãe até aos filhos pequenos que não vingaram, para terminarmos com a doença, o passamento e as exéquias da própria Isabel.» (em "Prefácio» João Paulo Oliveira e Costa).

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