quarta-feira, setembro 05, 2012

Mãos e braços para quê

Encontro-te ao dobrar do sono, inesperadamente como um ladrão de sepulturas, vindo sabes deus de onde, porque não há um lugar nem  nome onde possa dizer - é ali que tu estás. E porém sei, sabemos todos, que estás algures porque és para sempre. Por isso, amor, não me visites tanto a desoras e de surpresa, nem te faças de deus, a brincar ao hóspede desconhecido porque ainda escavas mais o vazio medonho de não estares aqui. Dá-me um nome. Um nome apenas. Chama-lhe céu ou além ou Valhala ou Serra da Estrela ou Serra da Lua, ou Nebiru, ou Índia, ou quinta dimensão. Sem  palavras, estou perdida. A dor da saudade só é inteira e autêntica quando se confronta com o vazio do inominável.
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