domingo, maio 26, 2013

o tempo deste amor que me morreu

Quando ele se foi embora, ela pensou vou chorar até esgotar todas as lágrimas, vou chorar até apagar a luz dos meus olhos, porque o dia se fez noite e a noite ficou eterna. Oh, que insanidade tamanha, disse-lhe a mãe, que ouviu os seus pensamentos, e lhe falou com a sabedoria das mães antigas, pois não sabes que a ferida de um grande amor só se cura com a ferida de um amor maior ainda? Que lágrimas, que cegueira, que noite, que nada. Solta os teus cabelos, solta os teus cuidados, solta o teu caminhar de gazela, e abre os braço para aquele rapaz tão belo que não tira os olhos de ti.

Oh, mãe, se eu curar a ferida de um amor tamanho com a ferida de um amor maior ainda, não mereço o dom de amar ninguém nem por ninguém ser amada. Deixa-me com as lágrimas da minha cegueira, deixa-me com o meu coração trespassado, e com a noite dos meus dias, porque só assim mantenho vivo, e a sangrar, este amor que me morreu.

E a mãe, com a sabedoria das mães muito antigas, não disse nada. Mas pensou:
Minha donzela afogada. Vive o adeus, vive a morte, vive a dor. Eu cá sei do tempo e do rapaz tão bonito que não tira os olhos de ti. O tempo cura tudo. O tempo seca tudo. Até o rio da dor. O tempo.
 
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