quarta-feira, novembro 06, 2013

Angola aqui e nós lá

Ontem, cá em casa, a noite foi profundamente africana. Angola aqui e nós lá. Que fabuloso cruzar de histórias, antigas e recentes. Navegar é preciso. Recordar, acorda porque acordados vivemos sonhos antigos e futuros. Depois rimos tanto, como se há tanto tempo tivesse sido horas antes. E ela a perguntar: porque é que não voltam?

O Guilherme e a Isabel até suspenderam a respiração.

Que sortilégio volta a ter aquela terra? Será que o Pescador da Ilha, que um dia, era madrugada, colheu o meu desgosto, embrulhou-o nas redes, lançou-o ao mar, e disse-me umas palavras que nunca mais esqueci, ainda anda por lá? Era um homem velho sem idade, tinha duas estrelas a fazer de olhos.

 
De São Paulo de Luanda me trouxeram para cá. Será que há caminhos futuros de regresso ao passado, quando não é o passado que procuramos, mas um presente sem amanhã?

O tempo, esse grande escultor. Quero descobrir o seu mecanismo secreto, o ponto de apoio da eternidade. É pedir muito? Não. É pedir tudo. Menos que tudo é pouco.


 
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