sábado, maio 31, 2014

África de amar com amor maior

Eu não quis, e mesmo que o quisesse, por absurdo!, nunca o faria: inventar um passado diferente do que ele foi. Honro profundamente as minhas e as nossas memórias comuns em toda a sua pluralidade, inconsistência e, porque não? erro. Aprendi muito desde que voltei. Acima de tudo, aprendi a amar ainda mais, porque amar de graça o que por definição já não nos pertence é amar com amor maior. Moçambique. Angola. Portanto não esperem de mim revisionismos e autoflagelações ideológicas. Things are what they are. E também o que foram e como foram.

O meu livro Moçambique para a Mãe se lembrar como foi enraíza nessa coerência. E vai mais longe, porque também relata, refere e recolhe dados que, na altura não nos eram acessíveis. É a vantagem de cruzar várias valências. A escritora e historiadora que sou com a jornalista que fui e a pessoa em que me quero tornar.

E dito isto... África 'nossa' nunca existiu? Provavelmente não. Até porque os vocábulos que implicam a noção da posse incerta aplicam-se sempre ao imponderável e ao muito efémero. Mas há uma coisa que transcende estas imponderabilidades e este fugidio conceito de ter. É que nós, que cruzámos o seu corpo matricial, nós que amamos o seu  chão de Mãe, ali ficámos, em raiz secreta. África apropriou-se de nós. Tornou-nos de Ela. E não há nada que possamos ou queiramos fazer em contrário.

 
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