terça-feira, dezembro 29, 2015

Obrigada! Ou cenas de uma candidatura presidencial

OBRIGADA

João Paulo Oliveira e Costa, Manuela Gonzaga, Sofia Mantero de Magalhães, Isabel Valadão

 Obrigada


Até aparecer o PAN – o único partido onde jamais me filiei; e onde, consequentemente, aceitei lugares de decisão que implicam a minha energia, o meu amor e o que definimos como «tempos livres», eu era substancialmente mais… livre.

Livre no sentido de não me sentir moralmente «obrigada» a envolver-me tanto nas causas que, depois, vim a tornar minhas. E de não me sentir «obrigada» a viver em consonância com princípios e as éticas que já defendia de forma esporádica, mas que passei depois a defender de corpo presente.

Livre de me escusar com o tempo, que afinal é sempre a desculpa ideal para a falta de vontade, sem participar realmente na mudança, na confortável ilusão de pensar que «fazia o que podia».

E era tão pouco. E é tão pouco.

De modo que, e no final desta discreta, intensa e apaixonante corrida ao mais alto magistério da Nação, que encerrou porque não conseguimos reunir e validar todas as assinaturas necessárias à sua concretização, estou grata ao PAN porque me desafiou a ir além dos meus limites, dos meus medos e inseguranças. Na verdade, ao ter-me confiado esse pequeno, mas tão grande «fardo»; e ao tornar-me portadora do conteúdo programático do nosso ideário, pude agregar muito mais gente ao nosso caminhar. Pessoas a quem me sinto agora muito ligada. Amigos de há muitos anos e desconhecidos com quem estabeleci laços de amizade fraterna, colocaram a sua sabedoria, energia, e vontade de ajudar ao serviço dos nossos ideais. Porque acreditaram na mensagem de que sou portadora, no Partido que represento, e, em última análise, em mim. Ser-lhes-ei para sempre muitíssimo grata.

Estivemos em locais tão díspares como a Cova da Moura e o Grémio Literário; nos quartéis de muitas corporações de bombeiros, Soldados da Paz, anónimos heróis cujo lema é Vida por Vida; em lares de terceira idade e centros de acolhimento de crianças com dificuldades múltiplas; em associações culturais e abrigos para animais abandonados; em casas de desconhecidos e desconhecidas que nos receberam como se fossemos amigos de sempre, partilhando connosco as suas lutas pela tão ameaçada causa ambiental. E pelas ruas e caminhos do nosso Portugal tratado como «menor»… logo menos acarinhado e tantas vezes esquecido…

Essa soma de apoios, neste território onde nos movemos, a base da pirâmide de uma sociedade formidavelmente injusta, é um tesouro com o qual todos viremos a ganhar. E assim, durante estes meses, quase tudo se relativizou. Até o medo. Até a insegurança. Até a sensação de impotência, tão dolorosa de sentir, quando, ao querer colocar a minha voz ao serviço dos que não têm VOZ, fui muitas vezes ignorada. Até ter descoberto que isso não me importava. E essa descoberta fez-me entender, até às entranhas, o que significa verdadeiramente a LIBERDADE INCONDICIONAL que me serviu de lema de campanha, e que é, desde que me recordo, o farol longínquo que guia o meu caminhar.

Assim sendo, o que terminou foi apenas o nosso projecto da Campanha Presidencial. Há muito mais para fazer e todos fazemos falta. Estou aqui. Estamos aqui. Todos juntos. Há muito trabalho a fazer. Pelo bem de tudo e de todos. 


Manuela Gonzaga

Manuela Gonzaga e João Paulo Oliveira e Costa
Lançamento de candidatura, Universidade Nova de Lisboa


Pelo distrito da Guarda visitámos detalhadamente várias corporações de Bombeiros e alguns instituições de solidariedade, como a CERCIG - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados


Visita ao parque Parque Biológico de Gaia -  uma instituição modelar, com o seu director Nuno Gomes de Oliveira, na foto, e Bebiana Cunha,  Clara Lemos, PAN Porto e eu. Porque a educação ambiental é um processo de cativação e envolvimento do cidadão na resolução dos problemas ambientais que afligem a Humanidade; e porque uma boa maneira de começar esse processo é pela demonstração das contradições da grande cidade, e do que isso significa para cada um de nós em termos de qualidade de vida
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No Cantinho da Lili, imediações da Serra da Estrela, um projecto exemplar de solidariedade animal que resgata, cuida, abriga e reintegra animais em risco de vida 
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Com  João Fróis, um reencontro com sabor moçambicano dos tempos do jornalismo e das amizades que duram para além das muitas vidas da vida.
Reunião com Senhor Padre Lino Maia, Presidente da CNIS-Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, Porto, Portugal
Com João Lázaro, presidente da direcção da APAV, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima




Pelo Porto, visitámos instituições de referência, como o Parque Biológico de Gaia, a Associação Empresarial de Portugal, Bombeiros Voluntários do Porto e de Leça da Palmeira, realizámos uma oficina de escrita, tivemos encontros com filiados e apoiantes e não páramos! Aqui num almoço delicioso organizado pelo PAN Porto.

Visitámos também, detalhadamente, a Associação Recreativa e Cultural de Músicos em Faro,  instalada na antiga fábrica da cerveja inserida Vila-Adentro junto das muralhas do Castelo de Faro.
Armindo Silva, um dos fundadores, fala com paixão sobre a Associação Recreativa e Cultural de Músicos e o seu papel na comunidade. Em como sem grandes subsídios e apesar de muitas dificuldades conseguiu manter de pé este projeto, um trabalho de vida em prol da comunidade e dos "moços" que aqui encontram uma espécie de santuário de inclusão, um ponto de encontro interactivo e multicultural de referência, em Portugal e no estrangeiro.
A Elza Maria de Sousa Cunha, o Paulo Baptista foram inexcedíveis na organização e apoio pelo Algarve; A Teresa Couto Pinto, que coordenou outra das viagens, idem. A reportagem e mais imagens na pagina do PAN FARO. Almoço na Associação Recreativa e Cultural de Músicos em Faro. (com Manuela GonzagaTeresa Couto PintoPaulo Baptista e Maria Teresa S. Aleixo).

sexta-feira, dezembro 25, 2015

«Os vendavais da bondade»


O muito meu querido irmão e poeta Jaime Rafael Munguambe Júnior, deixou ontem no meu mural de facebook este presente, tesouro de partilha e votos, associando-lhe outros dois príncipes da nossa língua mátria, que para minha alegria também me abraçaram. Há poucos meses, foram os primeiros apoios que recebi do outro lado do mar, subscrevendo, porque entendendo completamente, a minha proposta: Liberdade Incondicional.  




Jaime Rafael Munguambe Junior com Lino Mukurruza e Hirondina Joshua.
Ontem às 7:46Partilharemos os músculos para encher-te o corpo com os vendavais da bondade, iremos erguer todas as vozes para abrir-te a língua da liberdade (força amiga, estamos sempre contigo em todos momentos) eu e meus manos de Moçambique.

Acrescento, para nosso encanto, mais poemas dele:

Cobertura 
A noite sussurra
triste provérbio lunar
Os gritos tristes dos dedos
vestem devagar
a nudez da solidão
Não há sequer
um chão no pensamento humano
Só ouço o canto de um exílio
na meditação da palavra.

Cercos
Dentro da insónia
os movimentos da idade descobrem
os desenhos profundos da geometria
nas sombras dos lábios
a boca suporta o peso da voz
e as flores da música navegam sorrisos.

Confidência
Aprendi com a chuva
a ler os antónimos da água.
Só existe neste mundo
uma sombra:
A noite que esquiva
o suor da lua.
*
Jaime Rafael Munguambe Júnior 
Nasceu em Maputo, Moçambique. Estuda na Universidade Eduardo Mondlane. É membro do movimento literário Kuphaluxa e do Clube de leitores dos estudantes de Literatura e Linguística da Faculdade de Letras e Ciências Sociais. Tem colaboração dispersa em alguns espaços de publicação literária lusófona, a destacar a Revista de literatura Moçambicana e Lusófona-Literatas, a Revista Soletras, o Jornal Literário Pirâmide (Moçambique) a Revista de Artes e Letras Pi(Brasil), participou na antologia A Ponte da Palavra organizada pelo Circulo dos Escritores Moçambicanos na diáspora (Portugal). Organizou A Hermenêutica do Silêncio (2014): poesia em diálogo com a linguagem das tintas ou a inquietação do verbo e os gestos camuflados das cores.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

LIBERDADE INCONDICIONAL

Apoiada pelo PAN
Manuela Gonzaga termina pré-candidatura à Presidência da República

  • Historiadora e escritora Manuela Gonzaga, apesar do empenho e da receptividade sentida em contacto de rua e nas corporações, instituições e associações visitadas, não concretiza a validação das 7500 assinaturas necessárias para a candidatura à Presidência da República.

  • Com uma pré-campanha subordinada ao lema “Liberdade Incondicional”, para Manuela Gonzaga “este foi apenas o início de uma caminhada que tem como objectivo despertar consciências e dar voz a quem não a tem. Há muito trabalho por fazer e mantenho a entrega ao PAN e às suas causas, quer como militante, quer como membro da comissão política nacional, assim como a todos os que se juntaram a nós neste projecto”.



O manifesto da sua candidatura sob o lema, "Liberdade incondicional", continua a dar voz ao conteúdo programático do PAN, que vai muito além do projeto “candidatura às eleições presidenciais”. A escritora considera que este foi um projeto vencedor pela oportunidade que teve de dar voz e de trazer ao debate público e político, temas e perspetivas que não são habitualmente discutidos.

“No final desta intensa e apaixonante corrida ao mais alto magistério da Nação, que aqui se encerra porque não foi possível reunir e validar todas as assinaturas necessárias, sinto uma enorme gratidão. Estou muito grata a todas as pessoas que, de forma espontânea se mobilizaram e que, de rua em rua, de porta em porta, recolheram as assinaturas”, refere Manuela Gonzaga.

A escritora acrescenta: “estou muito grata a quem me apoiou por acreditar na mensagem de que sou portadora, no Partido que represento, e, em última análise, em mim. E a todos os que, presencialmente ou à distância de um telefonema, andaram comigo pelo país real. Estivemos em locais tão díspares como a Cova da Moura e o Grémio Literário; os quartéis de muitas corporações de bombeiros, Soldados da Paz, anónimos heróis cujo lema é Vida por Vida; lares de terceira idade, centros de acolhimento de crianças com dificuldades múltiplas, associações culturais e abrigos para animais abandonados; em casas de desconhecidos e desconhecidas que nos receberam como se fossemos amigos de sempre partilhando as suas lutas no terreno pela tão ameaçada causa ambiental”.


A candidatura desta mulher, natural do Porto, que viveu em Angola e Moçambique, mãe de quatro filhos, assentou na necessidade de ser “uma voz de quem não tem voz”, e vai continuar a alertar para as imprescindíveis mudanças na sociedade portuguesa. Para Manuela Gonzaga o que está em causa são “os caminhos e os descaminhos do nosso destino colectivo”, sentindo com o coração que isso continua e continuará a ser também da sua responsabilidade.

Sofia Moreira
Assessora de Imprensa

segunda-feira, dezembro 21, 2015

“Sou a candidata da base da pirâmide”

Extracto da minha última entrevista ao semanário Expresso, edição de 19/12/2015. Texto Alexandra Simões de Abreu Foto José Caria:

«Apoiada pelo PAN, Manuela Gonzaga diz que o seu maior adversário é a ignorância, que a economia não pode ser a única prioridade da política e que a língua portuguesa é o nosso último reduto. Otimista, acredita que os interesses do país vão ser mais fortes do que os interesses político-partidários e, por isso, viu com bons olhos o acordo da esquerda.

Porque se candidata?
Por uma questão de cidadania. Para mim também foi surpreendente. Sou uma intelectual, uma historiadora, uma escritora, fui jornalista toda a vida. Nunca pensei em política porque nunca me identifiquei com nenhuma proposta política, até as considerava bastante maçadoras. Até que quando o PAN surgiu senti que podia ajudar. De repente tinha um enquadramento e isso dá uma grande segurança. P

Porque é que os portugueses devem votar em si?
Porque a liberdade incondicional, o meu lema, é o maior desígnio de qualquer ser humano e é esse despertar que proponho. Estamos demasiado manipulados e adormecidos para perceber que a nossa liberdade é bastante condicionada.

Tendo em conta os candidatos que se perfilam, com qual ou quais sente maior afinidade?
Sinto-me muito em sintonia com Paulo Morais na denúncia da corrupção por uma sociedade com mais transparência e mais justa; com Marisa Matias na denúncia das injustiças sociais mais gritantes e com Marcelo pelo contacto de proximidade com os cidadãos. Na minha campanha, com meios imensamente menores, pretendo dar voz a quem não a tem, idosos, crianças, precários, desempregados, e denunciar desigualdades. Ou seja, acredito que a política deve ter novos rostos, para pensarem e fazerem diferente e que a economia não pode ser a única prioridade. Serei a provedora dos cidadãos.

Já tem as assinaturas necessárias? 
Pensamos ter o processo completo muito em breve. Temos as dificuldades de uma máquina pequena que vive de voluntariado, mas esta é uma candidatura para avançar, com uma campanha cara a cara, sem canetas ou T-shirts para oferecer.

Quem são os seus principais adversários?
A ignorância, a falta de cultura cívica, o desencanto, o medo, a condição esmagadora em que vivemos quase todos. Eu sou a candidata da base da pirâmide. Não estou suportada por grandes aparatos, o que significa que estou ligada à corrente. Ando a pé, ando de metropolitano, nunca tenho tanta pressa que não possa desviar para ou - vir alguém ou para ajudar.

[...]

Para ler mais: https://manuelagonzagapresidenciais.files.wordpress.com/2015/12/expresso-19-12-2015.pdf





terça-feira, dezembro 15, 2015

«O poder quando não é serviço é doença».

Este envolvimento nas causas que o PAN defende e que estamos a procurar implantar, implicou da minha parte muita dádiva. A candidatura presidencial foi uma delas, a mais visível. É fácil? Nunca é. Até porque o poder, ou o desejo dele, nunca, em toda a minha vida, guiou os meus passos. Para mim, e outras ou outros como eu, e citando Maria de Lurdes Pintassilgo, a primeira candidata a este magistério: «o poder quando não é serviço é doença».

Eu não estou doente. Estou ao serviço. É por isso, e apenas por isso. O resto virá por acréscimo. Seja o que for, quando for e como for.



segunda-feira, dezembro 14, 2015

Sei quem é o salvador e/ou a salvadora da pátria

As pessoas que gostam muito de mim, e outras que não conheço de parte alguma mas que se identificam com as minhas palavras e ideais, andam zangadas com a minha ausência do pequeno ecrã e pelo ostracismo a que tenho vindo a ser votada pelos media de forma geral. 

Eu não. Aprendi ao longo da vida que já vai longa, como se comportam os grupos humanos e as suas dinâmicas. Ora eu sou, sempre fui, como explicar? uma espécie de carta fora do baralho. Nem sequer jogo os mesmos jogos, não me sento à maior parte das mesas, e o poder não me diz nada, dizendo-me tudo. É uma imensa responsabilidade e um fardo que só faz sentido quando serve para nos proporcionar os meios de fazer bem feitas as coisas a que nos propomos.


Resumo a minha campanha ao slogan LIBERDADE INCONDICIONAL porque sou uma alma livre num corpo denso, e tenho desgosto por ver, sentir e lutar contra tanta armadilha e tantos véus que nos impõem para abafar o nosso naturalmente livre pensamento, amordaçando-o com medos sem razão e ambições sem sentido. 


E por falar em sentido: 'o poder quando não é serviço é doença', como disse Maria de Lurdes Pintassilgo, a primeira mulher candidata a este magistério a que me propus. Ora eu não estou doente de modo que estou ao serviço. Foi por isso e é por isso. O resto virá por acrescento. Se vier, como vier e quando vier. E por falar em media, na sequência de uma entrevista que dei ao jornal Barlavento, o excelente artigo assinado por Bruno Filipe Pires: 





«Somos responsáveis pelo nosso destino. Costumo dizer que todos sabemos quem é o salvador da pátria. É aquela pessoa que encontramos todos os dias quando olhamos para o espelho. Aquela pessoa a quem chamamos eu, que tem de estar aplicada na salvação de nós todos». 
 Para ler mais: «SOU ATIVISTA ANTES DE HAVER NOMES PARA ATIVISMOS». 




quarta-feira, dezembro 09, 2015

Os nossos dias de 'A vida é bela'

Quando se fala de refugiados, é-me impossível esquecer que também fui um deles. Era uma vez um tempo em que as pessoas de quem esperávamos todo o apoio nos fechavam o coração, e desconhecidos de quem nada esperávamos nos abriam as portas e dividiam connosco o seu pouco, que era tanto. Foi depois de passarmos pelo Porto e por Lisboa que tomei rumo ao Sul. com os meus filhos (dois e três anos), André e Marta Gonzaga.


Em Estombar, Lagoa, 1975, parabéns Marta, a minha princesa num palácio a céu aberto. Foi o tempo dos milagres

E assim, depois do naufrágio que precipitou centenas de milhares de nós em «mares de mágoas sem marés/onde não há sinal de qualquer porto», o Algarve foi a praia onde finalmente demos à costa. Corria o ano de 1975, tínhamos voltado em finais de 1974, mas só agora Abril chegava finalmente ao calendário e à nossa vida a re-começar.

Tantos anos depois, numa rua pequenina, por detrás dos Bombeiros de Faro, reencontrei-me em paz neste fragmento de estória pessoal. Aos amigos que nesses tempos me abriram as portas, e cujo nome já nem retenho, o meu obrigada que atravessa os tempos. Ao Pedrão, que incondicionalmente foi o nosso anjo da guarda, todo ele acção e nenhuma pergunta, o meu amor para sempre. Para os meus filhos todos, então nascidos e ainda por nascer, uma narrativa de encantar. Para os mais velhos, foram tempos de puro encantamento diário. Para mim, foram os tempos de lhes inventar, todos os dias e a todos os momentos, «a Vida é bela». 

Fico tão feliz por ter conseguido. 


Marta, Praia da Rocha, junto à muralha do Castelo 1975

Faro, 2016, na rua pequena por detrás dos Bombeiros, o nosso primeiro pouso 

segunda-feira, novembro 23, 2015

Activismo e... ARTIVIST porque acordar é preciso

Phill Stebbing, realizador, Artivist Lisboa 2008. Um amigo desde então.


Em 2008, ainda não havia PAN - Pessoas Animais Natureza, envolvi-me a fundo na concretização de um projecto que nos encheu de alegria: trazer para Portugal o ARTIVIST, organização sem fins lucrativos apoiada pelas Nações Unidas e pela Organização Internacional Prémio Nobel, como único festival internacional de cinema dedicado a promover a sensibilização para a interdependência entre a Humanidade os Animais e o Ambiente. Um festival que, desde 2004, projectou mais de 300 filmes internacionais e alcançou mais de 25 milhões de pessoas. 


Dead Line, do realizador Phil Stebbing, Artivis LA e Lisboa. 


Foi a minha grande amiga Mozzaic (Augusta Zé Nascimento), mentora e promotora do evento, que de Los Angeles moveu céus e terra para o fazer atravessar o oceano. Por cá, nem chegávamos a meia dúzia. Basicamente, éramos o Matel (que será dele?) um poço de energia, que fez milagres todos os dias. O André Gonzaga, idem. A Alexandra Melo, que tratou da assessoria do evento. E eu. E a Zé, em LA e em Lisboa. 

Sou, como dizer? pelas chamadas «causas perdidas» como a grande e adormecida maioria nos considera. Estas causas de vanguarda, como o foram as «utópicas» lutas pelas emancipações de grupos segregados em função do sexo ou cor de pele.

Vencemos, certo? Acreditem: venceremos sempre. Nunca sabemos é o tempo que vai demorar até lá. E até podemos nem ser nós, pessoa a pessoa, a colher os frutos da árvore que semeamos. Que importa? Não é por nós que o fazemos. A escala individual é demasiado pequena para esgotar o nosso sonho.

Posto isto: o PAN, que me apoia, é um partido pequeno? Há rios que começam por menos. Um fiozinho de água de nada. E depois, sigam-no até à foz e vejam no que se tornou.

Posto isto: ah, e não tenho experiência? Acreditem, tenho mais experiência de vida do que a maior parte das pessoas para quem o país é uma abstração espalmada em power points estatísticos. Aprendi tudo o que sou de melhor quando passei a ter o coração fora do peito: com os meus quatro filhos. O melhor de mim, é tudo o que os outros me fazem ser. Por amor.

Para além de que não foi por falta de incentivo, sobretudo a partir do momento que passei a publicar os meus livros que fiquei á margem dos chamados grandes partidos, cujas figuras cimeiras cheguei a conhecer, até enquanto jornalista. Ora, não me revendo nos projectos, declinei agradecida, os convites que me foram feitos. E tenho até um grande orgulho em não ter integrado as grandes máquinas partidárias que conduziram, nos últimos anos, o nosso Portugal ao estado em que se encontra.

Voltando ao Artivist: espreitem a nossa fantástica selecção cinematográfica (clicar na lligação). Estava tão à frente, em 2008, que os jornalistas que cobriam o certame só perceberam que o Peter Joseph (Zeitgeist Mouvement) era famoso e importante, quando ele se foi embora. Não sem antes termos andado com ele pelo Bairro a correr as capelinhas, depois dos belos jantares em nossa casa.






No cinema S. Jorge onde uma parte dos filmes foi apresentada. E em  casa, com Peter Joseh e Benedetta. Acima, e muito discreto na assitência, o nosso Matel. 


terça-feira, novembro 17, 2015

Brazilian Fukushima - é tempo de mudar as regras do jogo da Vida

É com o maior desgosto que venho manifestar toda a minha solidariedade com o Brasil. Com rompimento das barragens de dejectos de provenientes da mineração exploradas pela empresa Samarco, em Mariana, no estado de Minas Gerais, deu-se o maior desastre ecológico da história recente brasileira e do mundo.

Manifesto igualmente minha profunda solidariedade para com as populações mártires desta catástrofe ambiental, que acontece na altura em que o Governo e as multinacionais pressionam pela flexibilização das regras de licenciamento ambiental. Baixando ainda mais os índices de segurança exigidos, em detrimento de um lucro cada vez mais rápido e sem entraves. E solidarizo-me com as famílias dos mortos e desaparecidos - em número indefinido, porque os números não coincidem. E, para além das vítimas imediatas, muitas mais se seguirão por envenamento. Sem falar num rio assassinado, na rede freática contaminada, e no abastecimento de água da região, brutalmente comprometido. E nas terras, doravante mortas, logo improdutivas para a longa duração. Muitos milhões de pessoas, que vivem nas margens ribeiras do Rio Doce, estão condenadas à fome por inanição, ou à tragédia do deslocamento colectivo para longe de tudo o que representava o seu mundo e a sua forma de vida.


Profundamente consternada, registo que, na sequência desta tragédia, todo o planeta vai sofrer os seus efeitos. O envenenamento dos oceanos, causado por este rio de lama de uma toxicidade inimaginável, vai causar a subida das temperaturas do ar, e, potencialmente, precipitar as condições climáticas para um cenário apocalíptico. 
Cientistas e técnicos apontam uma solução - desviar esta maré de uma toxicidade sem precedentes, para uma cratera, de forma a impedi-la de atingir os oceanos. Mas as medidas têm sido lentas demais para perigo tamanho. 


Acima de tudo, as regras sem regra de uma economia sem consciência nem ética, têm todas de ser revistas. Acima de tudo, políticas, políticos e governos, escolhidos pelos povos, não podem continuar a ser o eixo de transmissão dos meros valores do dinheiro, colocando-se apenas ao seu serviço e traindo claramente os seus eleitores, legítimos proprietários da terra, da água, do ar, dos bens da Vida que permitem viver. 


A tragédia ambiental do que já é chamado o Brazilian Fukushima tem um preço elevadíssimo. Quem o pagará? Todos nós, porque o Planeta é só um, e porque todos estamos ligados. Quem lucra e lucrou com isto? Os mesmos. Os de sempre. Com a ajuda de ... os mesmos. Os de sempre. 

É tempo de mudar as regras do jogo da Vida.



sábado, novembro 14, 2015

Comunicado sobre os atentados em Paris

Através da secretaria de comunicação, foi enviado para a imprensa, em meu nome, o seguinte comunicado: 

Venho transmitir o meu profundo desgosto pelos atentados gravíssimos em Paris, manifestando os mais sinceros sentimentos de solidariedade para com a França, neste momento tão difícil. Um momento de dor profunda e de estupefação que nos deve, a todos, orientar no sentido de procurarmos soluções mais eficazes na prevenção do terrorismo. O mundo precisa de encontrar rumos e tempos de paz.  
Não descurando a segurança interna que qualquer estado tem o direito e o dever de gerir com rigor, recusemos o automatismo cego do terror, e escolhamos, em consciência caminhos de defesa em liberdade, de expressão e religiosa e de tolerância. Estes são os valores que devemos defender. Recordemos, todos, a reação Londrina aos bombardeamentos nazis. Muitas lojas de vidros partidos e recheio esventrado ostentavam orgulhosas o letreiro "Open for Business".
  
O desafio maior que nos é proposto – para além de encontrar os autores morais e materiais destes crimes – é o de, mesmo assim, ter a coragem de aumentar a nossa solidariedade e não o nosso medo. Possamos nós em cada momento agir para nos tornarmos o que desejamos para nós e os nossos, e não o seu oposto. 
Saibamos ser Humanos.
 
Manuela Gonzaga 
Candidata Presidencial 

Paris já está a arder? Já.

Imediatamente, ou quase, ao inferno instalado em Paris, seis ataques terroristas em simultâneo, emergiu um movimento espontâneo de apoio, ‪#‎PorteOuverte‬ (Porta Aberta). Franceses, parisienses, estão a oferecer as suas casa a quem necessitar de abrigo: «se alguém precisa», a nossa porta está aberta. Só isto. «Safe place». Só isto, «be safe». 

Enquanto isso, o mundo que sentimos como «nosso» acorda em choque para um horror ainda por determinar - em Paris, mais de cem mortos, mais de duzentos feridos na sequência de tiroteios e explosões ontem, em acções de violência concertada e inimaginável. Concretizadas em espaços de civis: restaurantes, uma sala de concertos, um estádio de futebol.

Os sinais de navegação davam conta deste icebergue? Davam. Era aguardado. Não se sabia era quando e onde, com exactidão. A surpresa não é a dimensão. É a geografia, o palco dos acontecimentos que nos petrifica de horror.

A partir de agora, vamos passar a viver numa outra Europa. A partir de agora, tudo será legitimado. Vão emergir as leis marciais que há muito aguardam nas gavetas do poder. A censura. A vigilância (ainda) maior. Vão erguer-se muros e barreiras. Pactuaremos com prisões e prisioneiros a replicar Guantanamo? É que tudo, a partir de agora, se tornou legitimável e, para quase todos, muito desejável. Porque «aquilo» que se tem passado sempre «algures» com «eles» e «entre eles»; aquelas guerras sujas em lugares feios de tão destruídos - que o mundo civilizado tem vindo a destruir há décadas e décadas - chegou ao coração do mundo bonito. 

A Cidade Luz, de onde emanaram as Luzes, no rescaldo do desmantelar de uma odiada prisão, a Bastilha, está às escuras. E nós todos também. 

Mas em boa verdade, há muito mais tempo que o Mundo tem vindo a escurecer de forma galopante, mas andamos sempre tão distraídos que só agora vamos acordar para esta escuridão. Pois não anda o mundo dito civilizado a bombardear e a matar civis há décadas e décadas nos lugares dos 'não' civilizados? Em África, no Oriente, próximo e remoto. Na América dita Latina. Colocando presidentes, entronizando reis, retirando e destronando uns e outros, invadindo em nome da paz, países que nunca mais conheceram um instante de tréguas? 

Às apalpadelas, alguns de nós persistirão em caminhar na esperança de encontrar a lógica deste caos e de ouvir a razão no meio do clamor dos gritos, para reencontrar os caminhos escondidos pelos sinais contraditórios. Os sinais que vão tentar, e, ai!, vão conseguir,que a maior parte de nós enverede por estradas cheias de sinais de trânsito e semáforos a dirigir-nos para a intolerância. Estradas onde se vai atropelar e tentar matar a Liberdade.  

Entretanto, pessoas de boa vontade já abriram o coração e estão a oferecer as suas casa. Sem condições. Be safe. Feel safe. Estrangeiro, turista, pessoa perdida: a minha casa é tua casa. 

Há, ainda há!, portas abertas. 




sábado, novembro 07, 2015

Prémio Fémina a Sónia Matias?

Retomo a «minha» Xerazade, a propósito da atribuição do Prémio Femina 2015 a Sónia Matias, toureira. O galardão foi criado em 2010 para «agraciar as Notáveis Mulheres Portuguesas», oriundas de Portugal, Países de Expressão Portuguesa, Comunidades Portuguesas e Lusófonas. No quinto aniversário da sua fundação alargou-se o âmbito das distinguidas com «mérito ao nível profissional, cultural e humanitário» no mundo, bem como pelo seu «relacionamento com outras culturas.

A premiada lidando um bezerro já bem causticado

"É a memória um jogo? 
O meu Touro abriu as asas. Céus, como ele ri! Amor, muito antes de Creta, entre mulheres e touros existe uma aliança. As mulheres não ferem o touro, brincam com ele. As mulheres não matam o touro. Amam-no. Que algumas reclamem para si a arena, a espada, a verónica, o cavalo e as bandarilhas, prova apenas o quanto nos afastámos da essência. Do fruto, sobraram as cascas. A semente perdeu-se há muito. Do gesto, secreto, resta, em mímica adulterada, a profanação de um mistério transformado espetáculo, e sem sentido algum. A não ser o mais primário de
todos os sentidos. O prazer de cheirar e ver correr sangue. Muito sangue.
 
Desde que não seja o nosso.
[...] 
 
O que sobrou do velho culto? Um arremedo. O touro, a arena e um virtuoso. O Matador que demanda assistência e bebe aplausos, na encenação de uma morte precedida por uma espécie de bailado em pontas, gestos largos, ondular de capote, e muitos ferros cravados num corpo palpitante, perante uma assistência que respira o cheiro do medo e rejubila com a agonia, e reclama a estocada final. Mas antes, é preciso provocar, magoar, perseguir sem descanso. No lugar do círculo, sob a claridade estonteante do meio-dia, o toureiro encomenda-se à Virgem, cujo filho se ofereceu em holocausto, tomai o meu corpo, tomai o meu sangue, como símbolo de Redenção e aliança. Que ironia. 
Sob a pretensa invocação de um arquétipo do herói, a larva transmuta-se em pequenos tiranos enfeitados de sangue e jóias falsas. 
Pensa: por que motivo, na arena, o macho se traveste, meneando as ancas, as pernas desenhadas nos colãs cor-de-rosa, as nádegas evidenciadas no fato brilhante, justíssimo, resplandecente de luces, citando o outro macho, em trejeitos de mulher--dama, chamando-lhe «bonito», chamando-lhe «belo»? É para juntar mais um engano ao enredo de enganos. O touro confia na mulher. A mulher ama o touro. Deixa-se levar por ele, sobre as águas." 


Em Xerazade, a Última Noite, Lisboa, 2015, Bertrand, pp, 107-108.

quinta-feira, novembro 05, 2015

«Quando nós, mulheres, precisámos de lutar para ser livres»


«Quando nós, mulheres, não tínhamos voz precisámos de lutar para ser livres.»



Começando em seio burguês, o movimento pelo direito ao voto das mulheres, entre outros, veio, inevitavelmente, a envolver-se na luta pela redução do horário de trabalho, paridade nos salários, e outras reivindicações operárias. É aqui que entronca a origem do Dia Internacional da Mulher em 1910 (consagrado em 1911). Baseado em fatos reais, As Sufragistas, da realizadora Sarah Gravon, recria a história, verídica, das mulheres envolvidas no movimento sufragista inglês. 

O filme conta com Helena Bonham Carter no papel de Edith Ellyn, uma ex-professora que ajudou a organizar e promover as campanhas da organização "Women's Social and Political Union", tendo percorrido a Inglaterra para mobilizar mulheres a lutar por seus direitos, a começar pelo basilar direito ao voto. Meryl Streep interpreta Emmeline Pankhurst, líder do movimento e fundadora da WSPU. Carey Mulligan interpreta Maud Watts, uma jovem operária que, juntamente com o marido trabalha numa lavandaria e que acaba por se juntar ao movimento sufragista.

A propósito deste filme a NOS organizou uma exibição no CCB, a 3 de Novembro, precedida por um debate moderado pela jornalista Maria Flor Pedroso. Fui uma das quatro candidatas presidenciais 2016 convidadas para a antestreia deste filme belíssimo, brutal e pungente. Obrigatórios, aliás, para nunca nos esquecermos que, quando não tínhamos voz, houve quem falasse por todas, desse a vida por todas nós e tivesse sido torturada em nome de direitos que a todos nos eram devidos. 

A essas heroínas quase esquecidas do grande público, devemos a homenagem da memória. E porque, no pequeno vasto mundo em que vivemos, grande parte das mulheres ainda precisa de levar a cabo, recordamos e acordemos esta luta que é de toda a Humanidade.