sábado, junho 20, 2015

O 11º Mandamento - «não poluirás»

A última encíclica do papa Francisco, definindo a posição da Igreja Católica face ao meio ambiente, aos direitos dos animais e das populações mais desfavorecidas, tornou-se manchete no mundo inteiro. Considerado por alguns o chefe de Estado «mais à esquerda do planeta», segundo por exemplo o Liberátion que lhe chama o «papa Verde», o papa apela à união das nações para salvarem o planeta, e afirma que as alterações climáticas provocadas pelo aquecimento global são. claramente, da responsabilidade dos homens, sendo as nações pobres as mais prejudicadas.

Francisco, o papa, vem assim acrescentar um à lista dos Mandamentos: «não poluirás». Para ler na íntegra a encíclica papal, em castelhano, clicar aqui

Civilization 


Até há uns bons trinta anos antes de agora, quando se falava de poluição, ecologia (por acaso não me lembro se a palavra fazia parte do léxico alargado), e de catástrofes ambientais, como o desmatamento da Amazónia ou dos perigos da energia nuclear, a reacção geral era de condescendência temperada de ironia.

Então não se via logo que a Amazónia teria árvores até ao fim do mundo? E que o nuclear, bênção da humanidade, constituía a energia mais fiável que poderia existir e estávamos 'condenados' a ela se quiséssemos apanhar o 'comboio do progresso'? Quanto à poluição era uma anedota. Nós, europeus, nós portugueses, tínhamos  - na cidade e no campo - água canalizada,  casas de banho, normas de higiene e por aí fora. E havia aterros para o lixo, ora bolas! Não chegava? O lixo dos outros não nos dizia respeito.Resumindo, os que invocavam problemas tão menores num mundo de coisas tão sérias, eram «uns grandes patuscos».

Consensualmente, porém, as preocupações ambientais foram entrando nas conversas, á custa do trabalho notável dos activistas, sempre a remar contra a maré. E também por causa dos resultados catastróficos que por vezes emergiam nos noticiários, fruto do «desenvolvimento» selvagem, filho dilecto do capitalismo ultra selvagem. Assim, mas sempre pela porta dos fundos, algumas agendas políticas deram-lhe um pouco de atenção, sem privilegiaram grandes medidas para a travar, verdade seja dita. O «progresso» não casa com defesa do ambiente - diz-se. 

Em todo o caso, o tema está cada vez mais na ordem do dia, e  a encíclica papal mais recente conferiu-lhe o estatuto de prioridade e seriedade absolutas. É um grandecíssimo avanço, este, que vem avalizar também o trabalho heróico, dedicado, e sem tréguas que tem vindo a ser desenvolvido no mundo inteiro pela gente da boa vontade. Esses anónimos heróis. que contra ventos e marés, lutam no terreno, para que o terreno continue... vivo. E nós com ele. E os animais também.

Mas essa é toda uma outra conversa.


Capa do jornal francês Libération, 17 de junho de 2015.


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