quarta-feira, janeiro 04, 2017

Literatura, activismo e passagem de ano

Não foi a passagem de ano mais glamorosa das nossa vidas, mas será inesquecível. Cenário: uma casa minúscula, num monte lindíssimo, nosso lar nos últimos meses, enquanto a 'nossa' continua em obras de fundo. Em Fevereiro devemos mudar. 

Festa de Passagem de ano? Adiada. Quase sem darmos por isso, descobrimo-nos a tutelar uma «matilha» de cães desafortunados, esfaimados, abandonados, que nos entraram pela vida dentro. Dois, há anos, o Timóteo e a Maia. Os restantes, juntaram-se à família ao longo de 2016, aqui no Alentejo. 

O último membro é a Nina. Resgatámo-la de uma Casa dos Horrores, convocámos policia GNR (três viaturas com as luzes a piscarem e um bom aparato), veterinário municipal, tudo. Para trás, três cachorros mortos, de fome. Fechados dentro de uma jaula. O próprio vet municipal disse que, em 25 anos de actividade, nunca vira nada assim... 

Trouxémos ao colo e para nossa casa, uma rafeira alentejana com cerca de três anos de idade e 20 quilos de peso. Metade do que seria adequado e normal ao seu porte, raça, idade. Mais um dia, e não teria sobrevivido. Em menos de quatro dias, porém, a Nina nem parece a mesma. Já foi à primeira consulta e tudo está a evoluir bem com ela. Precisa é de aumentar de peso para poder ser vacinada. Dentro de duas semanas, esperamos. 

Agora, já brinca com os jnuvenis da matilha, Maria Pintor, Angélica e Mascarilha, dorme na sala sempre aquecida, come várias vezes por dia, pequenas porções, abana a cauda com frequência. Estava amarrada com uma corrente com cerca de um metro, agora tem espaço no campo à vontade e anda a descobri-lo, cheiro por cheiro. Textura por textura.

Portanto, a nossa passagem de ano foi com ela e a restante matilha, e um amigo humano que, entretanto, apareceu. 

A outra «festa», na casa velha que está a ficar 'nova', fica para breve. Afinal, o ano é novo todos os dias.

E, alegria das alegrias! o meu próximo romance juvenil está em fase de paginação e a capa vem a caminho. Tenho-me dividido entre estas tarefas e a escrita. Não tem sido fácil, mas tenho conseguido dar boa conta do recado em ambos os campos de actividade.


Nina, 3 anos, 20 quilos, três dias depois do resgate da Casa dos Horrores

A 'matilha' foi crescendo - e eu a acabar o meu próximo  livro juvenil neste cenário

Em breve, e com mais espaço, saudaremos 2017 com as quotas de humanos preenchidas
O resgate do Verão

Este foi atirado pela janela de um carro em andamento, apareceu-nos no jardim e nunca mais nos largou

Vivia num castelo - mas não tinha lar. Chegou-nos á quinta com as almofadas das patinhas descoladas... como podíamos mandà-lo embora?'

uma casa mesmo muito velha, a ficar nova sem deixar de ser velha 

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