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sábado, setembro 14, 2013

Querem escrever?

Escrever é difícil. Escrever dá muito trabalho. Escrever implica persistência. Insistência. Teimosia e paixão. Inconformismo. Alegrias grandes e êxtases breves. Angústia. Cansaço. Poucos proventos. Pouco reconhecimento público, e raro reconhecimento daqueles que começamos por achar serem os 'nossos pares'. Não são. Um criador é livre, não tem pares nem ímpares. É singular. Mas mesmo assim queremos tanto fazê-lo que nada nos demove?
 
É desta massa que se faz o escritor, o poeta, o pintor, o artista. Se vos prometerem facilidades, não acreditem. Acreditem apenas nos que vos mostram o caminho, quando para vós esse caminho faz sentido. Depois, estamos por nossa conta e risco. Mas se encontrarmos quem nos acompanhe nos primeiros passos vacilantes, e nos corrija o leme, e nos aponte escolhos, ensinando-nos a identificarmos portos, praias, marés, baixios, faróis, luzes de presença e mapas das estrelas já é muito.
 
Querem escrever? É por aí que vão andar. Em solidão acompanhada. Sem garantias de coisa nenhuma. A não ser a da estrela que cada um vai ter de aprender reconhecer como sua. E essa tem uma força que vale por tudo.
 
«HQ ondas de tempestade mar, céu, nuvens, chuva, chuva, um raio do farol, os elementos de luz»
 

quinta-feira, novembro 29, 2012

À mesa com Aguinaldo Silva

Foi um jantar memorável que a minha querida amiga Cristina Pombo promoveu entre dois amigos comuns que andavam para se conhecer há que tempos. Tive assim o privilégio de passar belíssimos momentos com um homem de quem sou absolutamente fã. Aguinaldo Silva, guionista soberbo, autor de novelas de culto de inesquecível memória - Tieta do Agreste e Roque Santeiro por exemplo! - de séries premiadíssimas e de livros, como por exemplo 98 Tiros de Audiência editado em 2009 pela Contraponto, que já comecei a ler, deliciada.

Por acaso, ou nem por isso, Aguinaldo já conhecia alguns livros meus como Imperatriz Isabel de Portugal que lhe foi oferecido recentemente. Para além disso estava bastante interessado nos Jardins Secretos de Lisboa e na historia da Maria Adelaide Coelho da Cunha. Aliás trocamos obras, ele ofereceu-me o seu último livro, eu dei-lhe os Jardins e a Cristina ofereceu-lhe a história da senhora que fugiu com o motorista e trocou um palácio por uma casa modesta em Santa Comba Dão, acabando por ir parar ao manicómio etc. etc. «Que história fantástica» - comentava ele, que ate já tinha lido artigos sobre o tema e o livro.

Falamos de tanta coisa! Cruzaram-se tantas histórias. Rimos tanto e comemos tão bem no Olivier, que até veio à mesa cumprimentar aquele homem lindo, grande e de cabelo todo branco que Portugal inteiro conhece e ama e que o Brasil venera. E, inevitavelmente, falamos de Lisboa porque essa é uma paixão que nos une. E do céu que nos cobre com um manto azul luminoso e tão doce como não se vê em mais lado nenhum do mundo vasto e pequeno que nos abriga na viagem de viver.
Obrigada querida Cristina e obrigada Vitor, que tirou as fotografias e também tem muito para contar.
Entretanto, visitem o blogue do Aguinaldo, que tem link para o seu portal. 

sábado, junho 19, 2010

José Saramago

A notícia da sua morte corre o mundo inteiro. As cinzas vêm a caminho de Portugal. Morreu um Escritor. E há uma incontornável tristeza que nos toca a todos, a uns mais do que a outros. A sua obra deixa marca indelével no mundo, e honra-nos particularmente a todos nós, da Portuguesa Língua, nas suas diferentes sonoridades e declinações. Inevitavelmente, nesta hora, recordam-se também as suas polémicas. Mas para lá da poeira dos dias onde flutuam pequenos rancores destinados ao olvido, e acima de tudo «morreu o último intelectual do povo», como disse o Rui, ontem à noite, quando falávamos dele. Ficam os livros, que não morrem. E a memória depurada do único Nobel português de literatura. Caramba, não é pouco.