Mostrar mensagens com a etiqueta family. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta family. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, setembro 07, 2012

Penso em ti, estou contigo

Hoje o meu dia é teu, os meus pensamentos são teus, a minha força é tua. Sempre ao teu lado, mesmo que nem sempre pela tua página onde te expões e partilhas, sem véus de espécie alguma, para nosso espanto e alegria ou, neste caso, comoção. Pudesse eu estar mesmo contigo, a atravessar esses caminhos de hoje, no hospital a que chamas hotel - e até consigo ouvir-te rir a dizer isso -, mas a geografia é uma barreira bem real. Um Oceano inteiro separa-nos, sem falar no deserto. Querida irmã dos vários nomes. Um dia, o inacreditavel testemunho da tua forma de viver será levado ao cinema, passando pela literatura. Pelas tuas próprias mãos capazes de criar universos. 
Mozzaic, Zé. Zeena. Sempre sob uma chuva de prodigios e milagres. Entre agonias e êxtases. E alegrias esplêndias e simples. Hoje também vai passar. Aguenta-te. A minha mão segura a tua. E somos tantos e tantas a dizer-te o mesmo por esta e por outras palavras, que é impossível que não nos sintas ao teu lado. We do love you. Este é o mantra do dia.

quinta-feira, julho 19, 2012

Parabéns, André!

O André em vésperas de nascer, em LM hoje Maputo, e aos três meses em Luanda. Uma eternidade de tempo passou a correr tanto até hoje, que de algum modo passado e presente se confundem no luminoso agora, onde o presente é ainda mais precioso: a Ana, lindíssima, gloriosa, na iminência de dar à luz o filho do meu filho. O meu segundo neto. O primeiro é uma neta. A Maria, agora a entrar no esplendor da adolescência.

Não há palavras para descrever a nossa alegria.

segunda-feira, junho 25, 2012

O André: is this the little boy at play?


O André está quase a fazer anos. Aqui, nas fotografias, é ainda bebé de colo. Nesses tempos, vivíamos em LM, actual Maputo.
Agora, o André e a sua lindissima Ana, estão quase a ser pais,
Com estas recordações, a irresistìvel memória de uma canção e do filme magnifico, Um violino no telhado:

«is this the little girl i carried,
is this the little boy at play?

i don't remember growing older,
when did they?

when did she get to be a beauty,
when did he grow to be so tall?

wasn't it yesterday when they were small?
 [...]

Para ver mais:

terça-feira, agosto 24, 2010

A morte é a vida ausente

O avô (centro), o meu pai (esqdª), o tio Rogério
A morte é esta perplexidade sem respostas. É estarmos vivos a morrer de saudade. É o vazio, a porta fechada que nem sequer é porta, e tudo o que nos disserem, ou que nós digamos a nós próprios, não retira uma virgula a esta indizível sensação de abandono.
A morte é mexer em coisas que não são nossas, com um grande desconforto e nenhuma curiosidade. É abrir gavetas fechadas para deitar fora muitos papéis. É tocar em roupas inúteis, tentando descobrir-lhes utilidade. É sentarmo-nos a olhar para fotografias que vemos pela primeira vez. Mesmo as que já conheciamos, porque só agora, no silêncio da ausência sem remédio, encontramos os outros rostos da pessoa que julgávamos conhecer. A morte é pedir ajuda ao tempo, sabendo que nalguns casos, o tempo não nos vai ajudar.
A morte é a vida ausente e nós a sentirmo-nos intrusos.

quinta-feira, julho 15, 2010

Beatriz e o xamanismo cibernético

A Beatriz tem três anos e julga que esta tia, que está em Milão, vive dentro de um computador. Falam pelo skype. Há uma eternidade que isso acontece. Quero dizer, pelos padrões de vida de uma criança tão pequena. Há um ano, ainda mal falava e já trepava para cima da cadeira, as mãos minúsculas agarradas ao rato, à espera que o ecrã se iluminasse com a cara, os gestos, a voz da tia Susana.
Quando isso não acontecia, ficava desolada. Houve alturas em que foi necessário telefonar ou mandar um sms: «liga-te ao skype, a tua sobrinha está de rastos.» Estabelecida a comunicação, ela exultava. Não há outra palavra para defenir a alegria e o assombro em que mergulhava. Quando ela se materializava, a Beatriz não lhe achava a mesma graça. E ainda não acha. Afinal de contas, fora do ecrã é uma tia como as outras.
Agora a Susana está de férias em Portugal e as duas vêm-se com muita frequência. Mas a Beatriz, que ainda acredita que ela é mágica e vive nas misteriosas entranhas de um mackintosh, do qual entra e sai sempre que lhe apetece, só fica verdadeiramente em êxtase quando comunicam pelo skype. Nessa altura, a comunicação entre ambas sobe para outro patamar. É puro xamanismo cibernético.

domingo, dezembro 27, 2009

Sushi time

Dia 23, o Tiago fez o jantar cá em casa. Sushi de salmão. Daqui a uns dias vai para Londres ter com Mia, que vem de NY, e dali os dois seguem para a Índia. O Paulo chegou an 24, de Edimburgo via Frankfurt, um voo por entre tempestades e gelos. O Jerry juntou-se a nós dia 25. Veio de LA por Paris, nem sabe quantas horas voou, mais fusos horários. Foi um belo dia de Natal: quase todos aqui. Menos o Bernardo e Marta, que foram para Gdansk passar a quadra com a família dela.
Depois destas festas, está-me a apetecer tanto sushi outra vez.



sábado, agosto 01, 2009

Sonhos (acordados) de um dia de Verão

Eva Ave voltou para Albuquerque, New Mexico. Deixou mais dois discos seus cá em casa. Cantou no Chiado com músicos de rua, recebeu uma ovação estrondosa. Tive tanta pena de não ter estado lá. Benedetta multiplica luzes, entre Roma, Veneza, Teerão e sei lá mais por onde. Está a trabalhar no próximo filme de Kiorastami, que não resistiu e acabou também por metê-la na história, a fazer dela própria, julgo. Diz que volta a Lisboa em Setembro. Oxalá. O Paulo também chega em Setembro, que alegria!! Oshun, my sister, quer aparecer no Outono, quando encontrar o intervalo certo entre os seus rituais xamãnicos em Grand Canyon e no Sul de França. Quero fazê-la perder a cabeça por Lisboa. Entretanto, o Lago anda a chamar-nos, ouço perfeitamente a música do seu silêncio. E o meu elefante, desesperado, foge por entre as grades da improvisada arena, enquanto o rinoceronte, porém, «ficou no campo muim seguro, dando quasi a entender ahos que stauam apar delle, com hos geitos, & meneos que fazia, que tinha ha victoria por certa se ho Elephante quisera sperar[1].» Diz quem viu, que nunca se vira nada assim, em Lisboa.
Ah, os labirintos da memória.


[1] Damião de Góis, Crónica do Felicissimo Rei D. Manuel IV parte.

sábado, março 21, 2009

Papi Jan


He come into my life trough the door of the stories his son used to tell me so often. He was a traveller. He went on the road, when there were no roads. He took some gold and a huge bread, the gold inside the bread. Those days money use to be what it always has always been: just not valuable paper money trusted by nobody. Beyond the gold and the bread, he had an iron horse, a fantastic motorcycle, and a great group of friends. They left from Groningen, Holland, and reached Rome, Italy. They crossed a smashed Europe under million of bombs, its roads devastated, its dead fields and cities fallen over themselves. They flew over the chaos and pain, and sang a holy song of joy for the end of the nightmare.
I cannot imagine what it would have been going on a trip like that.
He travelled during all over his life. On the back seat of his car he carried enormous suitcases that would fold on themselves and opened like an accordion, as I’ve pictured it in his son’s description. Inside this accordion 500, 600, and even more shoes, rubber boots, boots and slippers and house shoes travelled, but only left feet. He showed them trough Dutch villages, small towns and cities. He accomplished that with a genuine pleasure that exceeded the mere business insight, far beyond barriers of the bookkeeping columns where he inscribed orders and profits, amounts, references, debits, credits. He performed his work with the seriousness and the concentration of a playful child. That’s why he could count so many friends instead of just customers.
Then he was also a traveller who shared the pleasure of the journey with his family. What was his car like? On his side, mother has a candy bag on her lap and a small grocery store on her feet. How can she manage it? The car not yet left the city and everyone is already chewing. On the back seat four blond heads, many elbows, a sharp confusion of arms and acute knees, spiky tongues. She needs to keep her kids busy. Mostly eating candies instead or before they start biting each others. Later, they cross North routes to the South countries in a caravan. In winter they would go all together to Switzerland ski resorts. In summer they went to Mediterranean seaside, landing in sparkling camping parks its new grass and equipment about to be use for the first time. Groningen periodical even published a photograph of the family leaving to foreign countries in their great caravan. Everybody talks about that.
Later, a flagman police in the South cities would stop the traffic for this group of golden ducklings, who communicate in strange signs and Nordic sounds, and their young and pretty parents could cross the road in safety. Local people, dark eyes and dark hair, stare in an astonished silence this golden Dutch family:
-They used to put their hands through our hair and said “bianco, bianco!" By those days, almost nobody travelled like we use to do -- his son told me.
We saw each other two, three times? We exchange hesitated sentences in English, and confident and warm smiles in universal language. Language was not a barrier. He looked my feet and he liked my shoes. He touched them. He described them. I suppose he wanted to know its origin. Years later, we took a walk trough the canals of the city where he was born, grew and lived, whenever he was not travelling. The city where he loved, married and his children had been born. It was January the canals were almost frozen, but the boat still cross the waters to the flavour of a life full of history. All the memories I have about him – sequential and short by direct experience, or other people's memories – come always loaded of joy:
-My mother lived here. My father met her here. My sisters were born there. My parents use to live there for some years.
The day Papi Jan left, the very same hour, we were speaking about him,and his son had laughs in his voice and tears in his eyes as he told same old stories and quite new ones. Very pragmatic, he added: «I know but the good part of histories about him. I left home many years ago.»
Last Sunday it was a splendid sunny afternoon. News came shortly afterwards. An old gentleman his body tired of intense and joyful life freed his soul.
We so miss him.
Lisbon, 17 of March, Manuela

quinta-feira, outubro 30, 2008

Mon oncle

Foi-se embora, ontem. Saíu de casa, silenciosa e tranquilamente, de manhã cedo.
Deixa salas cheia de livros, música, fotografias, quadros, baixelas de prata, móveis escuros e móveis claro. As coisas que as casas acumulam. Memórias. Trabalhos, académicos e outros. Poemas. Um quarto com muitos computadores, que adorava montar, desmontar e programar. Pilhas de Frankfurter Allgemeine, que recebia por assinatura desde sempre, e anotava, e que o ajudavam na construção de um gigantesco puzzle mental sobre o estado do mundo e seu porvir.
Deixa o silêncio da sua ausência e uma escuridão. Nunca se deitava antes das oito da manhã. Dormia pouco mais de cinco horas: das oito, nove, ou dez da manhã até à uma, duas da tarde. A luz do escritório funcionava como farol. Enquanto estivesse acesa, podiam bater-lhe à porta. Fossem que horas fossem. A todos dizia o mesmo: «se vieram, são muito bem vindos, se não aparecerem, não fazem cá falta nenhuma».
Deixa um corpo, de oitenta e muitos anos, que se portou muitissimo bem, tendo em vista que, desde há uns cinco anos, cada dia, cada hora de vida, era «um bónus». O cancro espalhara-se paulatinamente por todo o lado, e ele – como médico –, sabia bem os estragos que lhe estava a causar. Chamava-lhe o «meu parceiro». Recusou operações e quimioterapias. Nunca teve dores. Nunca deixou fazer a vida de sempre, com o sentimento de uma imensa e calorosa gratidão. Não tinha medo da Viagem. «Acredito n’Ele, e acho que a Vida não acaba por aqui. Se não for assim, ficarei muito decepcionado».
Deixa uma pequena multidão de amigos que o adoravam.
Um filho onde gostava de encontrar, como dizia, o melhor de si próprio. Dois netos que não vão ter o privilégio de privar com ele.
Para mim, foi uma ponte de luz que ajudou a ligar algumas zonas escuras e densas da minha geografia de infância, onde afectos conservados a fogo lento e memórias embaciadas, pediam chão, ar e um pouco de água.
Nunca cheguei a perceber bem o que fui para ele.
Meu tio, Rogério Gonzaga.