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sexta-feira, setembro 06, 2013

Moby Dick

Da minha colaboração com Boas Noticias, onde comecei com a crónica a que tão prazerosamente chamei «Tempo dos Milagres» passei muito recentemente para uma crónica literária, que iniciei com um dos livros que tenho por «Farol» na minha vida. Moby Dick.
Ambroise Louis Garneray, Pêche de la Baleine, engraved by Edouard Travies (n.d.). (Image courtesy of the Hart Nautical Collection, MIT Museum.)

Descobri-o tarde, aí por volta dos meus 30 anos. Preconceituosamente, assumira o preconceito de que aquela obra de catalogação impossível era literatura «para rapazes». Em nossa casa, nos tempos de infância,  havia uma adaptação justamente inserida numa colecção com esse nome. Nada mais impróprio. É como se dizer que o Principezinho é literatura infantil, ou  Jane Austen autora de livros para senhoras. Ora, Moby Dick escapa a todos os arpões que se lancem para o rotular. Menos a um só, consensual. É uma obra prima da literatura.

Deixo apenas umas linhas da minha crónica onde reproduzo um irresistível extracto da obra. As  palavras que me prenderam no arpão da trama. Para sempre:

«Tratem-me por Ismael - Há alguns anos – não interessa quantos – achando-me com pouco ou nenhum dinheiro na carteira, e sem qualquer interesse particular que me prendesse à terra firme, apeteceu-me voltar a navegar e tornar a ver o mundo das águas. É uma maneira que eu tenho de afugentar o tédio e de normalizar a circulação. Sempre que sinto um sabor a fel na boca; sempre eu a minha alma se transforma num Novembro brumoso e húmido; sempre que dou por mim a parar diante de agências funerárias e a marchar na esteira dos funerais que cruzam o meu caminho; e principalmente, quando a neurastenia se apodera de mim de tal modo que preciso de todo o meu bom senso para não começar a arrancar o chapéu de todos os transeuntes que encontro na rua – percebo então que chegou a altura de voltar para o mar, tão cedo quanto possível. É uma forma de fugir ao suicídio.»

Para ler a recensão inteira: Moby Dick...

Ficha Técnica: MELVILLE, Herman (1962) – Moby Dick, trad. Alfredo Margarido e Daniel Gonçalves, Lisboa, Editorial Estudios Cor.

sexta-feira, agosto 30, 2013

Fui ao Inferno e gostei muito

A minha colaboração com o sítio mais feliz do ciberespaço -- Boas Noticias -- contina agora sob a forma de crónicas literárias. Dividi esta secção em duas. Uma, dedicada aos clássicos de todos os tempos, «Faróis da minha vida», onde comecei por Moby Dick, uma paixão.

A outra, trata de livros contemporâneos também nos mais diversos registos. São as minhas «Luzes de presença». Comecei por um thriler estupendo, daqueles que não conseguimos largar até à ultima página. O Inferno de Dan Brown.

Um pequeno extracto da crónica:

O mapa do Inferno' (c.1480-c.1495), de Sandro Botticelli, é um dos elementos chave deste novo livro de Dan Brown


«É literatura de diversão, sem dúvida, de modo que não encontramos densidade psicológica nesta montanha-russa onde o tempo conta ao micro segundo, e os bons, à maneira de James Bond mas sem os seus punhos nem os seus artefactos, lutam contra os maus, neste caso liderados pelo bilionário bioquímico suíço chamado Bertrand Zobris, numa acção vertiginosa que decorre em cidades como Florença, Veneza e Istanbul, sob o pano de fundo de cenários extraordinários, quase todos ligados à História de Arte.
 

A trama é ilusoriamente simples como todas as tramas bem congeminadas num thriler que se preze. Um homem tem de salvar o mundo de uma sinistra e maquiavélica congeminação que vai libertar a arma biológica destinada a ceifar vidas, de forma a repor estatisticamente o número de seres humanos num patamar compatível com os recursos do planeta...»
 
Para ler a crónica completa:

sexta-feira, novembro 02, 2012

O Encantador de Pedras de S. Gens de Calvos

As minhas crónicas no Boas Notícias são, frequentemente, exercícios de memória. Desta vez, voltei aos tempos em que corríamos Portugal de lés a lés para conhecer e selecionar os casais que iriam participar num programa encantador, Cenas de um Casamento, na SIC. Os relatos dessas viagens pelo país profundo e tão nosso, estiveram quase a ser livro. Retomei um deles, que me tocou particularmente. É uma homenagem a um homem que, aos setenta anos, voltou a brincar e encheu de animais de pedra os jardins da sua casa e dos seus conterrâneos. Passaram vinte anos. O coreto, de certeza que ainda está no mesmo sítio. E o Senhor António, que será feito dele? Ainda brinca? Se não por cá, onde estiver será sempre o menino mágico que o adulto feito à pressa nunca deixou morrer. Destaco:

 «Finalmente reformou-se, voltou para Portugal e para a sua terra, São  Gens de Calvos, a poucos quilómetros da Póvoa do Lanhoso. Aos setenta anos lembrou-se outra vez de tudo com muita nitidez. E voltou a brincar. Foi no cimento que descobriu o primeiro bicho. Era um bácoro, parecia que se estava a rir. Pintou-o e pôs-lhe dois berlindes a fazer de olhos. Depois foi um cão. Depois uma cabra. E a seguir um burro. Depois foi o coreto com todas as figuras da banda, em tamanho natural, que ofereceu à sua terra...»

Para ler o restoTempo dos Milagres: O encantador de pedras

sábado, setembro 01, 2012

Meu Deus, onde estavas tu?

 A minha última crónica no portal mais feliz que existe, o Boas Notícias reproduziu uma história sobre fé e racionalidade. Porque não admitir, de uma vez por todas, que ambas podem coexistir?
«Num dos últimos jantares cá em casa, toda a gente contou histórias maravilhosas e mirabolantes. O tempo passou sem se dar por ele, e a certa altura falámos de fé a propósito de curas sem explicação. E de terapias convencionais versus terapias ditas alternativas. Na verdade, todos partilhamos a mesma convicção de que os vários métodos são dignos e bons e quanto mais lucidamente podermos usufruir do que temos ao nosso alcance, melhor. Até porque há respostas espantosas na medicina ocidental que ninguém pode nem deve ignorar. E soluções de prevenção da doença noutras abordagens terapêuticas que não deviam ser ignoradas.»
Para ler o resto:


Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Tempo dos Milagres: "Onde estavas tu, Senhor?"


sábado, junho 23, 2012

A floresta dos lilazes

Já tinha saudades de estar no Boas Notícias de que um calendário muito apertado -- entrega e correção de originais -- me afastou durante um mês. Regressei agora com memórias de infância, a propósito de uma pergunta que um aluno me fez, durante um encontro com leitores da minha coleção juvenil «O Mundo de André» pelas escolas no norte do País.
Um extracto da crónica:

«E sim, tive memórias fundadoras na leitura, como decerto todos nós.
O que me leva aos fundamentos do ser. À infância. Às primeiras letras, aos primeiros encantos e viagens e transfigurações que a leitura não só nos permite como estimula e incentiva. Sem isso seríamos infinitamente mais sós e mais pobres.

E é assim que dou por mim na Floresta dos Lilases.
Para ler mais:
http://boasnoticias.clix.pt/noticias_Tempo-dos-milagres-A-Floresta-dos-lilases_11583.html


domingo, janeiro 29, 2012

Uma caixa para o bicho-monstro

Começavam por coisa nenhuma e acabavam bruscamente. Uma espécie de tsunamis
emocionais que deixavam a minha pequena amiga – na época com cinco anos –
extenuada e a mãe dela sem um pingo de energia. Eram cíclicos, avassaladores e
incontroláveis. À falta de melhor, chamava-se-lhes os "ataques de fúria" da
Martinha, que de resto era e continua a ser uma menina com muito feitio. Mas a
criança explicava:– Desta vez não sou eu. É o bicho, mãe. É um bicho
monstro. Sobe por mim acima e eu fico desta maneira.
[... ]
segue:
Boas Notícias - Tempo dos milagres: Uma caixa para o monstro

sábado, julho 30, 2011

Mundos virtuais, amores reais

O que é o amor, e onde mora? Ou melhor, como nos escapa? Ou melhor, como é que as redes virtuais vieram baralhar mas também alargar os horizontes dos afectos? Uma grande amiga fez um balanço e chegou à conclusão de que o FB lhe prejudicara grandemente a vida privada. Maravilhosamente dramática, e com grande sentido de humor, declarou que ia morrer para o mundo... da sua página FB. Felizmente já ressuscitou. Outra, contava-me como as presenças mais assíduas e não corpóreas, dos amigos, a têm ajudado a ultrapassar estes tempos brutais em que se recompõe da ausência  insubstituível de um filho. «Preciso do vosso amor, e preciso de estar sozinha. Assim, junto os dois» - disse-me, durante um almoço recente.
Isto gerou um pequeno debate em fórum do FB. Depois recordou-me esta história deliciosa que acabo de publicar em Boas Noticias, Amor e Fantasmas... virtuais.

quinta-feira, maio 05, 2011

Fábula das duas rãs

É uma história sobre a persistência dos que não desfalecem. E é, também, uma viagem ao tempo dos milagres. Acima de tudo, esta crónica permitiu-me, sem ter dado conta disso quando a escrevi, exorcizar de vez um velho fantasma. Com ela dou início à minha colaboração no mundo solar das Boas Notícias.
Pequeno extracto:
«Fiquei sem palavras, assombrada diante dele. Tinha 24 anos e ainda hoje recordo a sensação da minha cara em chamas como se tivesse sido brutalmente esbofeteada. A dor, porém, era muito pior e doeu durante muito, muito tempo. Em segundos, aquele desconhecido desvalorizava totalmente o meu adorado trabalho e arrasava a minha identidade cultural. Por puro preconceito. Pior, ao fazê-lo nos termos em que o fazia, acusava-me implicitamente, de a troco de favores –obviamente sexuais –, ter conseguido em Moçambique e em Angola quem escrevesse por mim os textos que eu assinava
Para ler mais: Boas Notícias.