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quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Os meus livros no Mar de Letras


Fica a entrevista que foi para o ar ontem na RTP ÁFRICA, programa Mar de Letras,  conduzida de forma excelente por Mário Carneiro. Doida não e não foi presente, mas o foco foram os meus livros em geral, e muito particularmente o romance Xerazade a Última Noite, bem como o último da saga de André, 'André e o Baile de Máscaras'.

Sinopse: «A escrita esteve sempre presente num percurso que passou pelo jornalismo, pela história e pelos livros. Manuela Gonzaga está de regresso ao "Mar de Letras". Um novo romance, a reedição de uma biografia e um livro de literatura infanto-juvenil são razões suficientes para não perder a conversa com uma escritora que dividiu a adolescência e a juventude entre Moçambique e Angola.»

sábado, abril 29, 2017

O Mundo de André nas escolas

Às vezes, as perguntas que me fazem são pura poesia: «A que cheiram os dias da sua infância?» ou «Como imagina as asas do tempo?». Estas, para minha grande alegria, até estavam impressas, e no final ofereceram-mas. O encontro decorreu na biblioteca da Escola EB 2/3 Professor Gonçalo Sampaio, Póvoa do Lanhoso, e deu para perceber o envolvimento entre professores e alunos na preparação destes nossos encontros. E as leituras que fizeram em torno das aventuras do nosso «André». Até havia um grande desenho a recriar o imaginário de «André e a Esfera Mágica». Mas não ficámos por aí. O calendário das visitas às Escolas tem sido muito bem preenchido. Nunca sabemos o que nos espera, mas de cada vez há uma conquista. E isso vale tanto. E isso vale tudo. 

sábado, abril 01, 2017

Literatura e Liberdade

Escritora, com uma colecção infanto-juvenil que lhes é dedicada, comecei a visitar escolas para falar dos meus livros. As visitas são organizadas pelos professores de Português, ou, eventualmente, pelos professores responsáveis pelas bibliotecas escolares. Ao longo desta última semana, tive o privilégio de falar para várias turmas (5º e 6º anos), em Viseu, Agrupamentos de Escolas de Viseu Norte; em Rio Maior, Colégio São Cristóvão; e nas Escolas Básicas Marinhas do Sal. 





A conversa incide, em grande medida, sobre livros que já publiquei. Sobretudo os desta colecção que lhes é dedicada. Mas também sobre os outros, que já são muitos e têm públicos mais «crescidos».  Mas, e muitas vezes, diante destes jovens só me apetece pedir-lhes desculpa pelo mundo que lhes vamos deixar por herança... um mundo semidestruído nos alicerces que suportam a vida humana neste planeta. Ao mesmo tempo, complemento este pedido de desculpa com uma declaração de fé, inabalável, que tenho no melhor que eles. são. E na confiança que tenho na capacidade deles, na sua força, para mudarem e moldarem o futuro que lhes inquinámos, graças ao poder incomensurável da sua imaginação criadora. 


É por isso que junto a minha voz à de todos quantos se esforçam para lhes despertar o gosto pela leitura e os incentivo a pensar na Liberdade. A verdadeira liberdade, que começa no pensamento. Falo-lhes dos livros que escrevo, porque há, em cada uma das aventuras do André - desde A Esfera Mágica ao Baile de Máscaras - uma, várias lições de vida, como muito curiosamente um dos jovens mais atento me assinalou. 
Mas o que lhes desejo e peço, acima de tudo, é que leiam. Não está só na mão deles. Está na mão dos pais e dos professores. Sobretudo, dos professores de Português. Não é uma questão de dinheiro - as bibliotecas escolares deixam levar os livros para casa. É uma questão de dar estímulo certo, no lugar certo. É um apelo à excelência - dos professores e da própria família. Quanta responsabilidade... a de todos nós. 

Sim De todos nós. 

Em Agrupamento Escolas Viseu Norte, Colégio Frei Cristovão, em Rio Maior, com um auditório à cunha e em Escolas Básicas Marinhas do Sal, várias sessões organizadas pelo director da biblioteca, e que foram altamente concorridas). Com Rita Palma









quarta-feira, março 29, 2017

'O Mundo de André' vai às Escolas


Um dia em cheio, com as bibliotecas das Escola Azeredo Perdigão e D. Duarte, (Agrupamentos Escolas Viseu Norte), completamente cheias!! De leitores e futuros leitores. Bom trabalho, o daquelas professoras e bibliotecárias. 



quarta-feira, março 22, 2017

André e a Esfera Mágica - uma opinião

A partir do final deste Março, e ao longo dos próximo três meses, tenho uma agenda bem carregada de visitas às Escolas (secundário) em todo o país, sobretudo Norte e Centro, para falar da colecção juvenil que criei e a Bertrand relançou, juntamente com um inédito. E de muito mais coisas! Nunca sei o que vai acontecer e como vai decorrer! Que saudades de dialogar com o público mais jovem.

Entretanto e pela blogosfera, estas aventuras estão a despertar muito interesse. Mais uma opinião, agora no blogue Livros de Vidro:


«Temos a dizer que os jovens ao lê-lo terão de o fazer de uma forma concentrada. Não é, apesar de tudo, um livro com uma linguagem fácil. Ou seja, embora tenha uma estrutura simples e adequada, pensamos nós, o facto é que são empregues palavras "difíceis". Se consideramos isso mau? Não. Pelo contrário.
Somos da opinião que isso obriga a que os mais novos vão tentar "descobrir" o significado das mesmas e que também, dessa forma, possam enriquecer o seu léxico e desenvolver-se.
Parece-nos uma forma mais divertida de aprender e criar estruturas mentais no que à língua portuguesa diz respeito. [...] 

Para ler tudo:

Opinião: "André e a esfera mágica" de Manuela Gonzaga

terça-feira, março 07, 2017

Os livros do «Mundo de André» foram muito «Bem vindos»

Fui a África e voltei. Soube-me muito bem. Soube-me a pouco. Foi durante uma conversa com a encantadora jornalista Cláudia Leal, que apresenta o programa Bem-Vindos cujo mote começou por ser 'O Mundo de André' e os livros recém lançados. André e a Esfera Mágica e André e o Baile de Máscaras.

Portanto, falámos de sonhos, de crianças de todas as idades, de universos paralelos ou múltiplas dimensões. Falámos do maravilhoso embondeiro, essa árvore mãe que abriga o sono eterno dos poetas e contadores de histórias africanos, os Griots, e do seu fruto, o malambe, que tem um papel decisivo na última aventura do André. A conversa, mesmo assim longa, que passou a correr, levou-nos até Moçambique e Angola. Depois, voltámos ao Porto minha cidade berço, e a Sines, meu porto de abrigo em anos que já lá vão. E ainda falámos do Alentejo. De animais. De causas. De amores. Do amor.

E de histórias, muitas histórias, escritas e por escrever. Foi muito, muito bom.

Clicando na imagem, segue-se para a entrevista.

sábado, março 04, 2017

A opinião dupla de Sofia Teixeira - Bran Morrighan

A opinião da critica literária Sofia Teixeira sobre os dois livros de 'O Mundo de André' no seu espaço referencial BRAN MORRIGHAN

OPINIÃO DUPLA: ANDRÉ E A ESFERA MÁGICA E ANDRÉ E O BAILE DE MÁSCARAS, DE MANUELA GONZAGA



OPINIÃO: Descobrir a escrita da Manuela Gonzaga foi uma das maiores dádivas que 2014 me trouxe. Comecei pelo género com que raramente se começa - a Não Ficção - e talvez por isso o meu respeito e admiração tenham crescido ainda mais desmesuradamente. O livro com o qual comecei foi o Moçambique - Para a Mãe Lembrar Como Foi e é autobiográfico. Uma delícia de se ler. Em 2015 a querida Manuela editava Xerazade - A Última Noite, um do melhores livros editados nesse ano, na minha humilde opinião, e também um dos mais subvalorizados de sempre. Não há como dizer isto de outra maneira, mas o público literário português parece andar perdido no seu gosto. Sem ofensa. Este último não tem nada de autobiográfico, é antes um romance que repesca esta maravilhosa personagem da literatura intemporal, Xerazade. E Manuela reinventa-a e transforma-a em algo deliciosamente contemporâneo, sem que com isso se perca pitada de magia. 

Como já devem ter percebido, em dois géneros literários completamente diferentes, Manuela Gonzaga conseguiu aqui uma proeza que poucos escritores conseguem, pelo menos comigo, que é manter uma absoluta e total concentração na sua escrita. Há sempre mais do que aquilo que o olho vê, e os universos que esta nossa escritora cria não são excepção. Quando o ano passado me perguntou se eu gostaria de conhecer e vir a apresentar as aventuras do Mundo de André, confesso que fiquei surpreendida. Ora, se começamos a ler uma autora pela Não Ficção, depois por um Romance absolutamente extraordinário, mas sem dúvida alguma adulto, não será assim tão estranho questionar como é que o registo se encaixaria numa narrativa infanto-juvenil. Mais uma vez, irrepreensível. 

Quando no Sábado passado, dia 25 de Fevereiro, apresentei estes dois livros que podem ver na imagem, o primeiro uma reedição e o segundo (que na verdade é o quarto da série) um lançamento, e olhei para os presentes, já tantos conhecidos de vista da apresentação de Xerazade, tive a certeza que todos partilhavam da mesma opinião que eu: Manuela Gonzaga é um ser humano extraordinário e a sua escrita bebe inteiramente disso, independentemente do género literário. No Mundo de André, essa essência é ainda mais notável e notória, pois de uma forma simples, sem ser infantil, Manuela consegue dar abanões, alertar para estados de alma e de falsos crescimentos, juntando sempre um toque de magia, de ciência, de história ou até da história da sua própria família. André existe na vida real, agora já com um filhote também, tal como Marta, a sua irmã mais nova. 

André e a Esfera Mágica marca o início de uma série de aventuras em que André terá de se colocar à prova e àquilo em que acredita. Tudo começa com a chegada do circo e com a sua primeira paixão. Depois é obrigado a mudar-se para a cidade, mas consigo transporta uma esfera, oferecida pela pequena rapariga do circo pela qual se apaixonou. Essa esfera irá transformar-se no portal que o fará viver coisas imprevisíveis, mas absolutamente fascinantes. Em André e o Baile de Máscaras, conhecemos novas personagens, mas o que me marcou mais foi a forma sublime como a temática, de que enquanto crescemos vamos construindo máscaras para ocultar os nossos verdadeiros pensamentos e sentimentos, foi construída. Está super acessível e perceptível e faz-nos querer recuperar a criança interior que tanto abafamos. Honestamente é uma série que recomendo sem pejo algum. Boas leituras e divirtam-se! 
    

sexta-feira, março 03, 2017

Mentiras e máscaras e bailes de monstros

Mentiras e máscaras. Bailes de monstros. Festas tristes e festas alegres. Festas com encontros aterradores... fugas com ajudas surpreendentes, de onde e de quem menos se espera. Perigos atrás das portas. Uma Biblioteca sem fim à vista. Um Palazzo. Um Banco de Sementes sem fim. Uma alucinante viagem. Reencontros. O malambe, a semente do embondeiro, a mais misteriosa árvore que existe, resolve o mistério e faz surgir uma mulher negra, aterradora e belíssima cujo poder alcança os três reinos por onde decorre a aventura.  É ela que detém o poder de resolver o enigma. 
E mais, muito mais. É disso que trata o meu próximo livro. 


Embondeiro 

A vida real é uma fonte inextinguível de inspiração. Outra fonte de inspiração: como fazer das adversidades aliadas, das alegrias faróis, e depois pegar em tudo, embrulhar, baralhar e dar de novo. Para crianças e jovens de TODAS AS IDADES!! É o Mundo de André a girar. 



Esta coleçção, com todos os títulos de minha autoria, tem a chancela LER + Plano Nacional de LeituraOs livros estão actualmente na Bertrand Editora. 
O último, André e o Baile de Máscaras, é uma estreia e acabou de ser lançado no mercado. 
O primeiro, André e a Esfera Mágica, foi relançado. 
Ambos com capas do pintor Gonçalo Jordão, que vai ilustrar também as dos próximos (inéditos) e dos anteriores a serem igualmente, reeditados. 

terça-feira, fevereiro 28, 2017

O mundo de André

A apresentação - na FNAC. O lançamento, no próximo sábado em Reguengos de Monsaraz. As imagens da festa. A primeira de muitas.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Novo livro - André e o Baile de Máscaras

Para muito breve, em Fevereiro de 2017, a saída de dois novo títulos meus, com chancela da Bertrand Editora:

André e a Esfera Mágica


Quando o circo visita a aldeia, André apaixona-se pela filha do mágico, uma menina enigmática, que lhe oferece um berlinde límpido como uma lágrima. Pouco depois, a família muda-se para Lisboa. André detesta a nova vida. Num dia particularmente infeliz, pega no berlinde e descobre-se num mundo desconhecido onde conhece Grionesa, o Senhor Leandro, com a sua mala mágica, a porta Portália… até que surge uma ameaça terrível… Só André e Grionesa podem salvar aquele mundo, mas o risco é imenso.

André e o Baile de Máscaras



Na escola, André faz uma nova amiga: a enigmática Formiga. Uma noite, ele recupera a Esfera Mágica e, mais uma vez, encontra-se num mundo desconhecido onde todos usam máscaras… animais misteriosos, pássaros gigantes, seres das grandes profundidades. No decorrer de um grande baile, Formiga aparece e salva-o. Mas ela tem uma missão secreta: com a ajuda de André, aceder à imensa Biblioteca, para encontrar a resposta que lhe pode mudar a vida.


As lindíssimas capas são do meu querido Gonçalo Jordão que é, para já, o único português com um Óscar de Hollywood! O pintor integrou a equipa do filme O Grande Hotel Budapeste, que em 2015 arrecadou 4 dourados galardoes, nomeadamente na categoria de Melhor Direcção de Arte. O magnifico loby daquele hotel, tem a sua assinatura. Mas sabem como nos conhecemos e ficámos amigos? Através dos nossos respectivos cães. 



Durante meses, no verão mágico alentejano, encontrávamo-nos junto ao Alqueva, a petiscar no Centro Náutico. Os apelidos nunca vieram à baila. Era a Raquel, o Gonçalo, o Dirk, a Manuela, e os nossos patudos que iam ao banho juntos. Um dia calhou falarmos do que fazíamos. Abreviando, o convite para o pintor mergulhar no mundo mágico do André foi tão espontâneo (bom, foi o nosso editor Eduardo Boavida que fez a ponte...) e a sua reacção foi tão boa, que só podia dar certo. As capas provam-no, traduzindo maravilhosamente toda a magia destes romances por onde entro em turbilhão criativo. Literalmente. 

Já houve quem me dissesse «se não te conhecesse, a ler este livro (André e o Baile de Máscaras) ia pensar que andavas a tomar cogumelos». São o efeitos colaterais da escrita - provocam estados alternativos de consciência :) Já tinha ,muitas saudades.

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Literatura, activismo e passagem de ano

Não foi a passagem de ano mais glamorosa das nossa vidas, mas será inesquecível. Cenário: uma casa minúscula, num monte lindíssimo, nosso lar nos últimos meses, enquanto a 'nossa' continua em obras de fundo. Em Fevereiro devemos mudar. 

Festa de Passagem de ano? Adiada. Quase sem darmos por isso, descobrimo-nos a tutelar uma «matilha» de cães desafortunados, esfaimados, abandonados, que nos entraram pela vida dentro. Dois, há anos, o Timóteo e a Maia. Os restantes, juntaram-se à família ao longo de 2016, aqui no Alentejo. 

O último membro é a Nina. Resgatámo-la de uma Casa dos Horrores, convocámos policia GNR (três viaturas com as luzes a piscarem e um bom aparato), veterinário municipal, tudo. Para trás, três cachorros mortos, de fome. Fechados dentro de uma jaula. O próprio vet municipal disse que, em 25 anos de actividade, nunca vira nada assim... 

Trouxémos ao colo e para nossa casa, uma rafeira alentejana com cerca de três anos de idade e 20 quilos de peso. Metade do que seria adequado e normal ao seu porte, raça, idade. Mais um dia, e não teria sobrevivido. Em menos de quatro dias, porém, a Nina nem parece a mesma. Já foi à primeira consulta e tudo está a evoluir bem com ela. Precisa é de aumentar de peso para poder ser vacinada. Dentro de duas semanas, esperamos. 

Agora, já brinca com os jnuvenis da matilha, Maria Pintor, Angélica e Mascarilha, dorme na sala sempre aquecida, come várias vezes por dia, pequenas porções, abana a cauda com frequência. Estava amarrada com uma corrente com cerca de um metro, agora tem espaço no campo à vontade e anda a descobri-lo, cheiro por cheiro. Textura por textura.

Portanto, a nossa passagem de ano foi com ela e a restante matilha, e um amigo humano que, entretanto, apareceu. 

A outra «festa», na casa velha que está a ficar 'nova', fica para breve. Afinal, o ano é novo todos os dias.

E, alegria das alegrias! o meu próximo romance juvenil está em fase de paginação e a capa vem a caminho. Tenho-me dividido entre estas tarefas e a escrita. Não tem sido fácil, mas tenho conseguido dar boa conta do recado em ambos os campos de actividade.


Nina, 3 anos, 20 quilos, três dias depois do resgate da Casa dos Horrores

A 'matilha' foi crescendo - e eu a acabar o meu próximo  livro juvenil neste cenário

Em breve, e com mais espaço, saudaremos 2017 com as quotas de humanos preenchidas
O resgate do Verão

Este foi atirado pela janela de um carro em andamento, apareceu-nos no jardim e nunca mais nos largou

Vivia num castelo - mas não tinha lar. Chegou-nos á quinta com as almofadas das patinhas descoladas... como podíamos mandà-lo embora?'

uma casa mesmo muito velha, a ficar nova sem deixar de ser velha 

domingo, dezembro 25, 2016

A impagável, inimitável, insuportável Porta Portália

A acabar de rever provas do meu romance juvenil André e a Esfera Mágica, que vai ser relançado em Fevereiro pela Bertrand juntamente com um novo título na mesma colecção, o IV volume, deixo-vos com a inimitável, a impagável, a insuportável Porta Portália. É figura recorrente nas aventuras do André. Até a mim me causa perplexidade.




A PORTA PORTÁLIA 

               O ruído de uma porta a bater fê-lo olhar para o lado. Zás! Plás! E ali estava uma porta. Uma porta de carvalho maciço, com maçaneta de rodar em latão brilhante, fechadura sem chave, caixilho, gonzos. Tudo o que uma porta precisa para existir enquanto tal. Só que, ao contrário de todas as outras portas que André conhecera, esta não tinha paredes, nem teto a enquadrá-la.             «Que esquisito», pensou ele, dando a volta para ver o que havia do outro lado.
             Não havia nada. Quer dizer, havia tudo o que lá estava antes. Campo de ervinhas curtas e verdes, semeado de malmequeres brancos.
             — Que raio… — murmurou ele, espantado. — Uma porta que não dá para lado nenhum. Uma porta desnecessária. Uma porta completamente inútil.
             — Alto aí e para o baile! — A voz que disse isto parecia vir da porta. — Inútil porquê, se faz favor? E o que faz aqui um rapaz? Serve para quê, um miúdo neste campo? Não estou a ver utilidade na presença dele. Ai, não estou, não.
             André voltou a andar à roda da porta para tentar perceber de onde vinha o som. A voz era rouca, arranhava um bocadinho os erres, e acabava as frases com um silvo ligeiro. Dava a sensação que saía do buraco da fechadura.
             — Quem está aí? Está alguém escondido atrás desta porta? — perguntou o rapaz, convencido de que alguém estava a troçar dele. Alguém muito rápido, que passava de um para o outro lado, sempre que ele dava a volta para perceber o que significava aquilo.
             — Os seres humanos estão verdadeiramente a ficar mais estúpidos, de geração para geração — resmungou a voz. — Olha bem para mim. O que te parece? — A porta abriu-se. Não havia ninguém de um e do outro lado, a não ser, evidentemente, André. E a própria porta.
             — Tu falas?
             — Não. É aquela árvore ali que gosta de mandar bocas.
             — Qual árvore? — perguntou André olhando em volta, para o mesmo campo onde nada crescia, a não ser ervas e malmequeres.
             — Exato. Então… que te parece?
             — Uma porta que fala?
             — Olha que grande coisa. Por que raios e coriscos os humanos acham que só eles têm voz? Ah… Bons velhos tempos… — A voz da porta era irónica, como se estivesse a fazer um esforço enorme para não começar a rir às gargalhadas. — A propósito, o meu nome é Portália. Sou a Porta Portália. E tu?
             — André. O que está aqui a fazer?
             — O que faço sempre. Abro-me e fecho-me, permitindo, deste modo, que as criaturas possam entrar e sair. E tu, que fazes aqui?
             — Não sei bem, mas por enquanto nada. Num momento estava no meu quarto a olhar para dentro de um berlinde, e no outro estava aqui.
             — O costume. Não sabem o que andam a fazer na vida. Tipicamente humano. Bom, se isso te ajuda… queres entrar?
             — Para onde?
             — Para dentro. A não ser que prefiras sair.
             — Bolas! — resmungou o rapaz. — Sair para onde?
             — Para fora, evidentemente. Pronto, não insisto. Tenho mais que fazer. Olha. Vê se cresces. Cresce e aparece, ’tá bem? Pode ser que nessa altura possamos, realmente, ter uma conversa interessante. Eu e tu. Adeusinho, jovem André.
             E a porta desapareceu. 




 [André e a Esfera Mágica, Bertrand, Lisboa, em data a anunciar]

terça-feira, agosto 30, 2016

O novo livro da colecção O Mundo de André


Terminei ontem o meu novo livro. É um romance, o 4º, da colecção O Mundo de André. Destinada a um público juvenil, com o chancela do Plano Mais de Leitura, a colecção está presente em numerosas escolas do país, de Norte a Sul. Durante alguns anos, andei a falar com e para uma população estudantil de idades que variavam entre os 10 e os 15 anos. Foi extremamente estimulante.

Depois, interrompi. Outros projectos, outros livros. Em boa hora, a minha editora Bertrand ficou na posse dos três primeiros títulos - André e a Esfera Mágica; André e o Lago do Tempo; André e o Segredo dos Labirintos, que irá reeditar em simultaneo com o lançamento da nova aventura cujo título em breve se saberá.





Para quando? No início de 2017. Em breve, mais detalhes sobre este romance trepidante, assustador, comovente e inesperado. Até para mim própria. Houve alturas que pensei (e penso sempre isto nos livros do «André») e agora? Como é que ele se safa desta? Uma noite de sono e de sonhos trouxe-me sempre a solução.

Um extracto:
 [...]
—Tenho máscaras que me permitem passar pela mais ínfima das minhas servas. Pelo ajudante do ajudante dos jardins. Sei tudo o que se passa, em todo o Palácio e o Palácio é um reino de dimensões que não imaginas. Corro riscos. Uma vez, um guarda ia espancar-me, na presença de outros. Tive de deixar cair a máscara da serva para reaparecer diante deles em majestade. Caíram fulminados de terror, foi tão divertido. 
—Mandou-o prender?
—Não. Isso quebraria a cadeia de autoridade e submissão. Ele estava a cumprir o seu papel, apesar de não ter qualquer motivo – riu, como se recordasse um episódio agradável. — Apenas queria bater em alguém, e a serva, eu, era um bom alvo. 
—Mas podia dar-lhe uma lição para ele não voltar a fazer mesmo. 
—Não sabes nada sobre o Poder. Não se trata de justiça ou injustiça. Trata-se do equilíbrio, sempre incerto, entre os que mandam e os que obedecem. Se começamos a castigar os que mandam por exercerem o poder contra os que obedecem, é o caos. A crueldade é um efeito secundário.

—Sabe tudo o que se passa, e não corrige injustiças?
— Oh, o conhecimento que obtenho serve objectivos muito maiores!! Este episódio, muito antigo, instalou a dúvida em todos os súbditos – como imaginas, a história correu o Palácio. Desde então, nunca sabem se sou eu por detrás daquela touca, debaixo daquelas roupas, ou escondida naquela cara. Mesmo quando estão sozinhos, alguns, muitos, dos meus súbditos, têm sempre medo. Dos mais humildes aos mais poderosos. Ah, André… as máscaras são maravilhosas. Permitem o poder absoluto. Sabes em que assenta?
— No medo?

[...]




sábado, fevereiro 05, 2011

André e o Segredo dos Labirintos

Com quatro anos no ar «Livros Com Rum», da Rádio Universidade do Minho, é "um programa de informação e reflexão sobre a actualidade literária nacional e internacional, com entrevistas de críticos, autores, especialistas de literatura, mediadores da leitura (e outros intervenientes ligados aos temas abordados)". A sua elaboração e apresentação tem as assinaturas de António Ferreira e Sérgio Xavier, que demarcam, em estilo inimitável, um espaço de diálogo cultural de primeira água.
O programa, na sua primeira edição do ano a 6 de Janeiro, lançou, nas palavras dos seus autores/apresentadores, "um olhar sobre alguma da melhor produção literária de 2010".
Escolhas que se assumem claramente, reflectindo não apenas o gosto e os critérios de selecção pessoal dos autores, mas a obrigatoria leitura de TODAS as obras, bem como muitas outras, de forma a concluir pelo resultado que se segue:

Infantil
Rafael e o Segredo de Leonor - Anik Le Ray, Ilust. Rébecca Dautremer (Educação Nacional)
As Letras de Números Vestidas - João Pedro Messeder, Ilust. Marta Madureira (Trampolim)
O Reino Cintilante - Vergílio Alberto Vieira, Ilust. Elsa Lé (Trampolim)
Arco, Barco, Berço, Verso - José Carlos de Vasconcelos, Ilust. Raquel Pinheiro (Gradiva)
O Burro Eleutério e o Lobo Selvagem – Pedro Bessa; Ilust. Cláudia Rocha (Educação Nacional)

Juvenil
Colecção Ciência Horrível - Nick Arnold (Europa-América)
Cornos - Joe Hill (Gailivro)
O Apelo da Lua - Patricia Briggs (Saída de Emergência)
Duna - Frank Herbert (Saída de Emergência)
André e o Segredo dos Labirintos - Manuela Gonzaga (Oficina do Livro).

Policial
Pedras Ensanguentadas - Donna Leon (Planeta)
O Toque da Morte - Stephen Booth (Europa-América)
A Floresta dos Espíritos - Jean-Christophe Grangé (Guerra & Paz)
Confia em Mim - Jeff Abbott (Civilização)
Osso a Osso - Carrol O' Connel (Sextante)

Poesia
Alfabeto Adiado - José Ricardo Nunes (Deriva)
Poema Sujo - Ferreira Gullar (Ulisseia)
Inversos (1990 - 2010) - Ana Luísa Amaral (D. Quixote)
Estranhas Criaturas - Henrique Manuel Bento Fialho (Deriva)
Dedicácias – Jorge de Sena (Guerra & Paz)

Ensaio
A Grande Separação. Religião, Política e o Ocidente Moderno - Mark Lilla (Gradiva)
Um Tratado Sobre os Nossos Actuais Descontentamentos - Tony Judt (Edições 70)
A Sociedade Medieval Portuguesa - A. H. Oliveira Marques (Esfera dos Livros)
Einstein & Oppenheimer. O Significado do Génio – Silvan Schweber (Bizâncio)
A Mobilização Global seguido de O Estado-Guerra e Outros Textos - Santiago López-Petit (Deriva)

Literatura Portuguesa
O Passado que Seremos - Inês Botelho (Porto Editora)
A Fábrica da Noite - Cláudia Clemente (Ulisseia)
A Casa-Comboio – Raquel Ochoa (Gradiva)
A Janela do Cardeal - Luís Miguel Novais (Planeta)
Mizé. Antes Galdéria do que Normal e Remediada - Ricardo Adolfo (Objectiva)

Literatura Estrangeira
Um Instante ao Vento – André Brink (Camões & Companhia)
O Viajante do Século - Andrés Neuman (Alfaguara)
Os Flamingos Perdidos de Bombaim - Siddharth Dhanvant Shanghvi (Civilização)
Verão – J. M. Coetzee (D. Quixote)
O Segredo dos Seus Olhos – Eduardo Sacheri (Alfaguara)

contracapa de André e o Segredo dos Labirintos


quinta-feira, dezembro 02, 2010

Responsabilidade, disse ele





Recordo os seus olhos escuros, e a pergunta fatal: «quando vê um jovem com um dos seus livros na mão, sente a responsabilidade?» Não falou em «satisfação» ou «orgulho», que é o que normalmente se pergunta a um escritor nessas circunstâncias. Este aluno, de uns dez, onze anos, um dos muitos que me crivaram de perguntas deliciosas, foi muito mais longe. Foi direito ao cerne da questão. Respondi com a verdade: sim! A responsabilidade de colocar um livro no mercado é sempre muito grande. Mas é ainda maior quando o público alvo é tão jovem.
Não sei se lhe cheguei a agradecer a questão, que é fulcral. Em todo o caso, agradeci e agradeço a todos os que ali estiveram. Amigos que vieram de vários lados. E às turmas que professores interessados e sensíveis prepararam para este encontro maravilhoso. E agradeci também ao estabelecimento de ensino quase mítico onde André, um outro André, deixou escritas na memória dos tempos, algumas páginas de história da vida privada dos alunos dos anos 80.

domingo, dezembro 27, 2009

André no Colégio Valsassina










No Colégio Valsassina os alunos de duas turmas do 6º ano, prepararam cuidadosamente, nas aulas de Língua Portuguesa, o nosso encontro. Assim, tive diante de mim uma floresta de braços no ar, uma chuva de perguntas, e uma surpresa. Foi muito intenso: perdi mais ou menos a noção do tempo. Como nasceu o «André»?; em que altura do dia, ou da noite, gosto mais de escrever?; como é que as minhas viagens influenciam os meus livros?; qual foi o país que gostei mais de visitar?; como foi viver em África?; Quando soube que queria ser escritora?; porque é que o «André» se chama André?; em que me baseio para escrever os meus livros?; a quem mostro o que escrevo, quando estou a escrever?; e até que passos se devem dar para se conseguir publicar...
No fundo da sala, a minha maravilhosa neta Maria mal aparece nas fotografias. Mas colocou-me a mais improvável das questões: quando começei a escrever (e sim, era muito pequena) gostava que as pessoas vissem o que escrevia?
A resposta só podia ser uma:
«Não!!!».
Surpresa para mim: três alunas do 6º D partiram do capítulo IV de André e a Esfera Mágica, e escreveram a sua própria versão da aventura. Fantástico enredo, muito bem concebido, em qualquer delas!!
Que posso dizer mais? Oh, sim. Adorei este encontro!
Para ver mais algumas imagens seguir o link do Colégio Valsassina http://new.cvalsassina.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=283&Itemid=26