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quinta-feira, novembro 08, 2018
quinta-feira, fevereiro 22, 2018
Os meus livros no Mar de Letras
Fica a entrevista que foi para o ar ontem na RTP ÁFRICA, programa Mar de Letras, conduzida de forma excelente por Mário Carneiro. Doida não e não foi presente, mas o foco foram os meus livros em geral, e muito particularmente o romance Xerazade a Última Noite, bem como o último da saga de André, 'André e o Baile de Máscaras'.
Sinopse: «A escrita esteve sempre presente num percurso que passou pelo jornalismo, pela história e pelos livros. Manuela Gonzaga está de regresso ao "Mar de Letras". Um novo romance, a reedição de uma biografia e um livro de literatura infanto-juvenil são razões suficientes para não perder a conversa com uma escritora que dividiu a adolescência e a juventude entre Moçambique e Angola.»
quarta-feira, agosto 02, 2017
Roman initiatique et contes de fées
Os últimos meses têm sido férteis de acontecimentos. É que, para além de continuar na minha querida Bertrand Editora, passei a ser agenciada pela Agência das Letras, e integro o seu Conselho Editorial. A somar, os meus livros continuam a dar-me muitas alegrias. Desta vez, é a lindíssima capa da autoria de Vincent Alta Sombra, para a segunda edição em francês de Xerazade - a Última Noite edição em papel com distribuição pelo catálogo da muito prestigiada Hachette Livre.
Sobre este meu romance, a editora/tradutora Laure Elisabeth Collet escreve:
Agora a integrar o catálogo da Hachette Livre, que já distribui 12 obras da mesma editora, e vai alargar a mais autores que ali chegam pela mão de Laure Elisabeth Collet, com este já tenho três livros, os quais já constavam no mercado francófono quer em edição e-book, quer em papel. Evidentemente, agora a sua presença ganhou um novo fôlego.
-- Mozambique: Pour que ma mère se souvienne;
-- Isabel de Portugal: L'Impératrice: Le pouvoir au féminin au XVIème siècle (Biographie Historique)
Clicar para consultar a página de Le Poissont Volant
Clicar para a minha página de autor na Amazon França
Sobre este meu romance, a editora/tradutora Laure Elisabeth Collet escreve:
«Roman initiatique et contes de fées tout à la fois, comme son héroïne, il est l'Un et le tous. Chaque chapitre est une histoire, mythique, magique, drôle, ou triste, qui nous transporte ou nous ramène. Impossible de savoir si on est parti très loin ou resté tranquillement au point de départ. Chaque chapitre est une expérience, une vie, une pièce de puzzle; et dans cette image, cette sensation que l'on retient en refermant le livre, le tout est supérieur à la somme des parties. Nous sommes un, et nous sommes tous. Une merveille.»
Agora a integrar o catálogo da Hachette Livre, que já distribui 12 obras da mesma editora, e vai alargar a mais autores que ali chegam pela mão de Laure Elisabeth Collet, com este já tenho três livros, os quais já constavam no mercado francófono quer em edição e-book, quer em papel. Evidentemente, agora a sua presença ganhou um novo fôlego.
-- Mozambique: Pour que ma mère se souvienne;
-- Isabel de Portugal: L'Impératrice: Le pouvoir au féminin au XVIème siècle (Biographie Historique)
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sábado, abril 01, 2017
Literatura e Liberdade
Escritora, com uma colecção infanto-juvenil que lhes é dedicada, comecei a visitar escolas para falar dos meus livros. As visitas são organizadas pelos professores de Português, ou, eventualmente, pelos professores responsáveis pelas bibliotecas escolares. Ao longo desta última semana, tive o privilégio de falar para várias turmas (5º e 6º anos), em Viseu, Agrupamentos de Escolas de Viseu Norte; em Rio Maior, Colégio São Cristóvão; e nas Escolas Básicas Marinhas do Sal.
A conversa incide, em grande medida, sobre livros que já publiquei. Sobretudo os desta colecção que lhes é dedicada. Mas também sobre os outros, que já são muitos e têm públicos mais «crescidos». Mas, e muitas vezes, diante destes jovens só me apetece pedir-lhes desculpa pelo mundo que lhes vamos deixar por herança... um mundo semidestruído nos alicerces que suportam a vida humana neste planeta. Ao mesmo tempo, complemento este pedido de desculpa com uma declaração de fé, inabalável, que tenho no melhor que eles. são. E na confiança que tenho na capacidade deles, na sua força, para mudarem e moldarem o futuro que lhes inquinámos, graças ao poder incomensurável da sua imaginação criadora.
Sim De todos nós.
Em Agrupamento Escolas Viseu Norte, Colégio Frei Cristovão, em Rio Maior, com um auditório à cunha e em Escolas Básicas Marinhas do Sal, várias sessões organizadas pelo director da biblioteca, e que foram altamente concorridas). Com Rita Palma
A conversa incide, em grande medida, sobre livros que já publiquei. Sobretudo os desta colecção que lhes é dedicada. Mas também sobre os outros, que já são muitos e têm públicos mais «crescidos». Mas, e muitas vezes, diante destes jovens só me apetece pedir-lhes desculpa pelo mundo que lhes vamos deixar por herança... um mundo semidestruído nos alicerces que suportam a vida humana neste planeta. Ao mesmo tempo, complemento este pedido de desculpa com uma declaração de fé, inabalável, que tenho no melhor que eles. são. E na confiança que tenho na capacidade deles, na sua força, para mudarem e moldarem o futuro que lhes inquinámos, graças ao poder incomensurável da sua imaginação criadora.
É por isso que junto a minha voz à de todos quantos se esforçam para lhes despertar o gosto pela leitura e os incentivo a pensar na Liberdade. A verdadeira liberdade, que começa no pensamento. Falo-lhes dos livros que escrevo, porque há, em cada uma das aventuras do André - desde A Esfera Mágica ao Baile de Máscaras - uma, várias lições de vida, como muito curiosamente um dos jovens mais atento me assinalou.Mas o que lhes desejo e peço, acima de tudo, é que leiam. Não está só na mão deles. Está na mão dos pais e dos professores. Sobretudo, dos professores de Português. Não é uma questão de dinheiro - as bibliotecas escolares deixam levar os livros para casa. É uma questão de dar estímulo certo, no lugar certo. É um apelo à excelência - dos professores e da própria família. Quanta responsabilidade... a de todos nós.
Sim De todos nós.
Em Agrupamento Escolas Viseu Norte, Colégio Frei Cristovão, em Rio Maior, com um auditório à cunha e em Escolas Básicas Marinhas do Sal, várias sessões organizadas pelo director da biblioteca, e que foram altamente concorridas). Com Rita Palma
quarta-feira, março 29, 2017
quarta-feira, março 22, 2017
André e a Esfera Mágica - uma opinião
A partir do final deste Março, e ao longo dos próximo três meses, tenho uma agenda bem carregada de visitas às Escolas (secundário) em todo o país, sobretudo Norte e Centro, para falar da colecção juvenil que criei e a Bertrand relançou, juntamente com um inédito. E de muito mais coisas! Nunca sei o que vai acontecer e como vai decorrer! Que saudades de dialogar com o público mais jovem.
Entretanto e pela blogosfera, estas aventuras estão a despertar muito interesse. Mais uma opinião, agora no blogue Livros de Vidro:
Para ler tudo:
Entretanto e pela blogosfera, estas aventuras estão a despertar muito interesse. Mais uma opinião, agora no blogue Livros de Vidro:
«Temos a dizer que os jovens ao lê-lo terão de o fazer de uma forma concentrada. Não é, apesar de tudo, um livro com uma linguagem fácil. Ou seja, embora tenha uma estrutura simples e adequada, pensamos nós, o facto é que são empregues palavras "difíceis". Se consideramos isso mau? Não. Pelo contrário.
Somos da opinião que isso obriga a que os mais novos vão tentar "descobrir" o significado das mesmas e que também, dessa forma, possam enriquecer o seu léxico e desenvolver-se.
Parece-nos uma forma mais divertida de aprender e criar estruturas mentais no que à língua portuguesa diz respeito. [...]
Para ler tudo:
Opinião: "André e a esfera mágica" de Manuela Gonzaga
sábado, março 04, 2017
A opinião dupla de Sofia Teixeira - Bran Morrighan
A opinião da critica literária Sofia Teixeira sobre os dois livros de 'O Mundo de André' no seu espaço referencial BRAN MORRIGHAN


OPINIÃO: Descobrir a escrita da Manuela Gonzaga foi uma das maiores dádivas que 2014 me trouxe. Comecei pelo género com que raramente se começa - a Não Ficção - e talvez por isso o meu respeito e admiração tenham crescido ainda mais desmesuradamente. O livro com o qual comecei foi o Moçambique - Para a Mãe Lembrar Como Foi e é autobiográfico. Uma delícia de se ler. Em 2015 a querida Manuela editava Xerazade - A Última Noite, um do melhores livros editados nesse ano, na minha humilde opinião, e também um dos mais subvalorizados de sempre. Não há como dizer isto de outra maneira, mas o público literário português parece andar perdido no seu gosto. Sem ofensa. Este último não tem nada de autobiográfico, é antes um romance que repesca esta maravilhosa personagem da literatura intemporal, Xerazade. E Manuela reinventa-a e transforma-a em algo deliciosamente contemporâneo, sem que com isso se perca pitada de magia.
MORRIGHAN
OPINIÃO DUPLA: ANDRÉ E A ESFERA MÁGICA E ANDRÉ E O BAILE DE MÁSCARAS, DE MANUELA GONZAGA


OPINIÃO: Descobrir a escrita da Manuela Gonzaga foi uma das maiores dádivas que 2014 me trouxe. Comecei pelo género com que raramente se começa - a Não Ficção - e talvez por isso o meu respeito e admiração tenham crescido ainda mais desmesuradamente. O livro com o qual comecei foi o Moçambique - Para a Mãe Lembrar Como Foi e é autobiográfico. Uma delícia de se ler. Em 2015 a querida Manuela editava Xerazade - A Última Noite, um do melhores livros editados nesse ano, na minha humilde opinião, e também um dos mais subvalorizados de sempre. Não há como dizer isto de outra maneira, mas o público literário português parece andar perdido no seu gosto. Sem ofensa. Este último não tem nada de autobiográfico, é antes um romance que repesca esta maravilhosa personagem da literatura intemporal, Xerazade. E Manuela reinventa-a e transforma-a em algo deliciosamente contemporâneo, sem que com isso se perca pitada de magia.
Como já devem ter percebido, em dois géneros literários completamente diferentes, Manuela Gonzaga conseguiu aqui uma proeza que poucos escritores conseguem, pelo menos comigo, que é manter uma absoluta e total concentração na sua escrita. Há sempre mais do que aquilo que o olho vê, e os universos que esta nossa escritora cria não são excepção. Quando o ano passado me perguntou se eu gostaria de conhecer e vir a apresentar as aventuras do Mundo de André, confesso que fiquei surpreendida. Ora, se começamos a ler uma autora pela Não Ficção, depois por um Romance absolutamente extraordinário, mas sem dúvida alguma adulto, não será assim tão estranho questionar como é que o registo se encaixaria numa narrativa infanto-juvenil. Mais uma vez, irrepreensível.
Quando no Sábado passado, dia 25 de Fevereiro, apresentei estes dois livros que podem ver na imagem, o primeiro uma reedição e o segundo (que na verdade é o quarto da série) um lançamento, e olhei para os presentes, já tantos conhecidos de vista da apresentação de Xerazade, tive a certeza que todos partilhavam da mesma opinião que eu: Manuela Gonzaga é um ser humano extraordinário e a sua escrita bebe inteiramente disso, independentemente do género literário. No Mundo de André, essa essência é ainda mais notável e notória, pois de uma forma simples, sem ser infantil, Manuela consegue dar abanões, alertar para estados de alma e de falsos crescimentos, juntando sempre um toque de magia, de ciência, de história ou até da história da sua própria família. André existe na vida real, agora já com um filhote também, tal como Marta, a sua irmã mais nova.
André e a Esfera Mágica marca o início de uma série de aventuras em que André terá de se colocar à prova e àquilo em que acredita. Tudo começa com a chegada do circo e com a sua primeira paixão. Depois é obrigado a mudar-se para a cidade, mas consigo transporta uma esfera, oferecida pela pequena rapariga do circo pela qual se apaixonou. Essa esfera irá transformar-se no portal que o fará viver coisas imprevisíveis, mas absolutamente fascinantes. Em André e o Baile de Máscaras, conhecemos novas personagens, mas o que me marcou mais foi a forma sublime como a temática, de que enquanto crescemos vamos construindo máscaras para ocultar os nossos verdadeiros pensamentos e sentimentos, foi construída. Está super acessível e perceptível e faz-nos querer recuperar a criança interior que tanto abafamos. Honestamente é uma série que recomendo sem pejo algum. Boas leituras e divirtam-se!

MORRIGHAN
Mail: branmorrighan[at]gmail[dot]com
sexta-feira, março 03, 2017
Mentiras e máscaras e bailes de monstros
Mentiras e máscaras. Bailes de monstros. Festas tristes e festas alegres. Festas com encontros aterradores... fugas com ajudas surpreendentes, de onde e de quem menos se espera. Perigos atrás das portas. Uma Biblioteca sem fim à vista. Um Palazzo. Um Banco de Sementes sem fim. Uma alucinante viagem. Reencontros. O malambe, a semente do embondeiro, a mais misteriosa árvore que existe, resolve o mistério e faz surgir uma mulher negra, aterradora e belíssima cujo poder alcança os três reinos por onde decorre a aventura. É ela que detém o poder de resolver o enigma.
E mais, muito mais. É disso que trata o meu próximo livro.
A vida real é uma fonte inextinguível de inspiração. Outra fonte de inspiração: como fazer das adversidades aliadas, das alegrias faróis, e depois pegar em tudo, embrulhar, baralhar e dar de novo. Para crianças e jovens de TODAS AS IDADES!! É o Mundo de André a girar.
O primeiro, André e a Esfera Mágica, foi relançado.
Ambos com capas do pintor Gonçalo Jordão, que vai ilustrar também as dos próximos (inéditos) e dos anteriores a serem igualmente, reeditados.
E mais, muito mais. É disso que trata o meu próximo livro.
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| Embondeiro |
A vida real é uma fonte inextinguível de inspiração. Outra fonte de inspiração: como fazer das adversidades aliadas, das alegrias faróis, e depois pegar em tudo, embrulhar, baralhar e dar de novo. Para crianças e jovens de TODAS AS IDADES!! É o Mundo de André a girar.
Esta coleçção, com todos os títulos de minha autoria, tem a chancela LER + Plano Nacional de Leitura. Os livros estão actualmente na Bertrand Editora.
O último, André e o Baile de Máscaras, é uma estreia e acabou de ser lançado no mercado. O primeiro, André e a Esfera Mágica, foi relançado.
Ambos com capas do pintor Gonçalo Jordão, que vai ilustrar também as dos próximos (inéditos) e dos anteriores a serem igualmente, reeditados.
terça-feira, fevereiro 28, 2017
O mundo de André
A apresentação - na FNAC. O lançamento, no próximo sábado em Reguengos de Monsaraz. As imagens da festa. A primeira de muitas.
sexta-feira, janeiro 27, 2017
Novo livro - André e o Baile de Máscaras
Para muito breve, em Fevereiro de 2017, a saída de dois novo títulos meus, com chancela da Bertrand Editora:
As lindíssimas capas são do meu querido Gonçalo Jordão que é, para já, o único português com um Óscar de Hollywood! O pintor integrou a equipa do filme O Grande Hotel Budapeste, que em 2015 arrecadou 4 dourados galardoes, nomeadamente na categoria de Melhor Direcção de Arte. O magnifico loby daquele hotel, tem a sua assinatura. Mas sabem como nos conhecemos e ficámos amigos? Através dos nossos respectivos cães.
Durante meses, no verão mágico alentejano, encontrávamo-nos junto ao Alqueva, a petiscar no Centro Náutico. Os apelidos nunca vieram à baila. Era a Raquel, o Gonçalo, o Dirk, a Manuela, e os nossos patudos que iam ao banho juntos. Um dia calhou falarmos do que fazíamos. Abreviando, o convite para o pintor mergulhar no mundo mágico do André foi tão espontâneo (bom, foi o nosso editor Eduardo Boavida que fez a ponte...) e a sua reacção foi tão boa, que só podia dar certo. As capas provam-no, traduzindo maravilhosamente toda a magia destes romances por onde entro em turbilhão criativo. Literalmente.
Já houve quem me dissesse «se não te conhecesse, a ler este livro (André e o Baile de Máscaras) ia pensar que andavas a tomar cogumelos». São o efeitos colaterais da escrita - provocam estados alternativos de consciência
:) Já tinha ,muitas saudades.
André e a Esfera Mágica
Quando o circo visita a aldeia, André apaixona-se pela filha do mágico, uma menina enigmática, que lhe oferece um berlinde límpido como uma lágrima. Pouco depois, a família muda-se para Lisboa. André detesta a nova vida. Num dia particularmente infeliz, pega no berlinde e descobre-se num mundo desconhecido onde conhece Grionesa, o Senhor Leandro, com a sua mala mágica, a porta Portália… até que surge uma ameaça terrível… Só André e Grionesa podem salvar aquele mundo, mas o risco é imenso.
André e o Baile de Máscaras
Na escola, André faz uma nova amiga: a enigmática Formiga. Uma noite, ele recupera a Esfera Mágica e, mais uma vez, encontra-se num mundo desconhecido onde todos usam máscaras… animais misteriosos, pássaros gigantes, seres das grandes profundidades. No decorrer de um grande baile, Formiga aparece e salva-o. Mas ela tem uma missão secreta: com a ajuda de André, aceder à imensa Biblioteca, para encontrar a resposta que lhe pode mudar a vida.
As lindíssimas capas são do meu querido Gonçalo Jordão que é, para já, o único português com um Óscar de Hollywood! O pintor integrou a equipa do filme O Grande Hotel Budapeste, que em 2015 arrecadou 4 dourados galardoes, nomeadamente na categoria de Melhor Direcção de Arte. O magnifico loby daquele hotel, tem a sua assinatura. Mas sabem como nos conhecemos e ficámos amigos? Através dos nossos respectivos cães.
Durante meses, no verão mágico alentejano, encontrávamo-nos junto ao Alqueva, a petiscar no Centro Náutico. Os apelidos nunca vieram à baila. Era a Raquel, o Gonçalo, o Dirk, a Manuela, e os nossos patudos que iam ao banho juntos. Um dia calhou falarmos do que fazíamos. Abreviando, o convite para o pintor mergulhar no mundo mágico do André foi tão espontâneo (bom, foi o nosso editor Eduardo Boavida que fez a ponte...) e a sua reacção foi tão boa, que só podia dar certo. As capas provam-no, traduzindo maravilhosamente toda a magia destes romances por onde entro em turbilhão criativo. Literalmente.
Já houve quem me dissesse «se não te conhecesse, a ler este livro (André e o Baile de Máscaras) ia pensar que andavas a tomar cogumelos». São o efeitos colaterais da escrita - provocam estados alternativos de consciência
sexta-feira, janeiro 13, 2017
António Variações - cabeleireiro? não! barbeiro
Cabeleireiro? Não! Barbeiro. Era assim que ele queria ser chamado. O tão nosso António Variações.
Ando com ele «ao colo», agora, pelos anos 70 e 80. De uma entrevista que lhe fiz, por essa altura, e que retomei na biografia, destaco:
Ando com ele «ao colo», agora, pelos anos 70 e 80. De uma entrevista que lhe fiz, por essa altura, e que retomei na biografia, destaco:
| «É pro menino e pra menina», António na sua barbearia |
«Eu inaugurei o salão Imaviz, o [Baeta em] Alvalade, até que decidi afastar-me daquela escravatura e regressar às origens. Regressar à barbearia. Hoje, até os barbeiros querem ser chamados cabeleireiros. Pois eu não. Estou na barbearia que, para além de ser o meu meio de subsistência, um espaço que eu gosto, é onde vivo rodeado de amigos, os meus clientes de há anos. A vida é uma roda, a gente acaba por voltar ao ponto de partida. Eu dei a volta completa e a única saída, quando se ultrapassa tudo, é começar de novo.
«Há quem diga, maldosamente, «aí está um tipo que lançou um disco para arranjar clientes lá para o salão». Acontece que eu tinha e tenho clientes mais do que suficientes para manter a barbearia a funcionar com lucro, e viver bem. Acontece que até nem tenho tempo para as pessoas novas que têm aparecido, só por curiosidade, para ver que tal é esse cabeleireiro que também canta. Além disso o tempo cada vez vai ser menos, porque, de facto, a música é a minha meta. A minha vocação. Espero ainda ser tão bem-sucedido na música como fui nos cabelos.» (Gonzaga, 1982:42-3).
domingo, dezembro 25, 2016
A impagável, inimitável, insuportável Porta Portália
A acabar de rever provas do meu romance juvenil André e a Esfera Mágica, que vai ser relançado em Fevereiro pela Bertrand juntamente com um novo título na mesma colecção, o IV volume, deixo-vos com a inimitável, a impagável, a insuportável Porta Portália. É figura recorrente nas aventuras do André. Até a mim me causa perplexidade.
[André e a Esfera Mágica, Bertrand, Lisboa, em data a anunciar]
A PORTA PORTÁLIA
O ruído de uma porta a bater fê-lo olhar para o lado. Zás! Plás! E ali estava uma porta. Uma porta de carvalho maciço, com maçaneta de rodar em latão brilhante, fechadura sem chave, caixilho, gonzos. Tudo o que uma porta precisa para existir enquanto tal. Só que, ao contrário de todas as outras portas que André conhecera, esta não tinha paredes, nem teto a enquadrá-la. «Que esquisito», pensou ele, dando a volta para ver o que havia do outro lado.
Não havia nada. Quer dizer, havia tudo o que lá estava antes. Campo de ervinhas curtas e verdes, semeado de malmequeres brancos.
— Que raio… — murmurou ele, espantado. — Uma porta que não dá para lado nenhum. Uma porta desnecessária. Uma porta completamente inútil.
— Alto aí e para o baile! — A voz que disse isto parecia vir da porta. — Inútil porquê, se faz favor? E o que faz aqui um rapaz? Serve para quê, um miúdo neste campo? Não estou a ver utilidade na presença dele. Ai, não estou, não.
André voltou a andar à roda da porta para tentar perceber de onde vinha o som. A voz era rouca, arranhava um bocadinho os erres, e acabava as frases com um silvo ligeiro. Dava a sensação que saía do buraco da fechadura.
— Quem está aí? Está alguém escondido atrás desta porta? — perguntou o rapaz, convencido de que alguém estava a troçar dele. Alguém muito rápido, que passava de um para o outro lado, sempre que ele dava a volta para perceber o que significava aquilo.
— Os seres humanos estão verdadeiramente a ficar mais estúpidos, de geração para geração — resmungou a voz. — Olha bem para mim. O que te parece? — A porta abriu-se. Não havia ninguém de um e do outro lado, a não ser, evidentemente, André. E a própria porta.
— Tu falas?
— Não. É aquela árvore ali que gosta de mandar bocas.
— Qual árvore? — perguntou André olhando em volta, para o mesmo campo onde nada crescia, a não ser ervas e malmequeres.
— Exato. Então… que te parece?
— Uma porta que fala?
— Olha que grande coisa. Por que raios e coriscos os humanos acham que só eles têm voz? Ah… Bons velhos tempos… — A voz da porta era irónica, como se estivesse a fazer um esforço enorme para não começar a rir às gargalhadas. — A propósito, o meu nome é Portália. Sou a Porta Portália. E tu?
— André. O que está aqui a fazer?
— O que faço sempre. Abro-me e fecho-me, permitindo, deste modo, que as criaturas possam entrar e sair. E tu, que fazes aqui?
— Não sei bem, mas por enquanto nada. Num momento estava no meu quarto a olhar para dentro de um berlinde, e no outro estava aqui.
— O costume. Não sabem o que andam a fazer na vida. Tipicamente humano. Bom, se isso te ajuda… queres entrar?
— Para onde?
— Para dentro. A não ser que prefiras sair.
— Bolas! — resmungou o rapaz. — Sair para onde?
— Para fora, evidentemente. Pronto, não insisto. Tenho mais que fazer. Olha. Vê se cresces. Cresce e aparece, ’tá bem? Pode ser que nessa altura possamos, realmente, ter uma conversa interessante. Eu e tu. Adeusinho, jovem André.
E a porta desapareceu.
sexta-feira, outubro 07, 2016
Os meus novos livros e a minha casa velha
Com o novo romance de 'O Mundo de André', o 4º da colecção, entregue e a seguir o seu caminho editorial (mal posso esperar para ver as primeiras provas), estou de regresso ao ANTÓNIO VARIAÇÕES!! Obrigada, Editora Bertrand. Quanto ao 'outro' romance vai prosseguir logo, logo. Já está começado, a pesquisa para o suportar encontra-se quase toda reunida, fica a faltar uma viagem de reconhecimento ao passado remoto. Em sentido geográfico e em sentido mental.
Com uma biblioteca em sacos e caixotes, transitoriamente embora, há que esperar um pouco mais. No princípio do ano, quando assentar arraiais numa casa muito velha que está a ficar nova, sem perder o seu carácter centenário.
Com uma biblioteca em sacos e caixotes, transitoriamente embora, há que esperar um pouco mais. No princípio do ano, quando assentar arraiais numa casa muito velha que está a ficar nova, sem perder o seu carácter centenário.
terça-feira, abril 26, 2016
'Os livros são feitos de palavras vivas que se deixam capturar'
Desde o principio, quando comecei a escrevê-lo, até ao momento em que, das minhas mãos o livro passou para as do editor, soube que não era uma obra fácil. Em primeiro lugar porque, após três biografias bem sucedidas, saltava para o romance de uma forma «abrupta». E que romance!! Para começar, a fórmula narrativa que enforma o género não se encontra aqui aplicada na sua grelha mais singela. Os tempos são múltiplos, porque num simultâneo 'agora' onde dois se encontram, há múltiplos caminhos que levam a muitos 'antes'. Os próprios locais divergem. Quem é ela? Quem é ele? O que está a acontecer? Que realidades convergem e divergem nesta peregrinação que uma mulher inicia, despedindo-se do homem que ama, com beijos e histórias enroladas umas nas outras?
Ora, e para mim, os livros não se escrevem a pensar no «leitor» ou na «leitora». Os livros são feitos de palavras vivas que se deixam capturar. Palavras que são a música, a moldura e o molde onde tecemos as vidas da Vida, em suas infinitas mutações. Hoje, mais uma recensão veio encher-me de alegria. Um também escritor, Guilherme Valadão, diz:
Em - Guilherme Valadão's Reviews > Xerazade - a última noite
Ora, e para mim, os livros não se escrevem a pensar no «leitor» ou na «leitora». Os livros são feitos de palavras vivas que se deixam capturar. Palavras que são a música, a moldura e o molde onde tecemos as vidas da Vida, em suas infinitas mutações. Hoje, mais uma recensão veio encher-me de alegria. Um também escritor, Guilherme Valadão, diz:
«[...] Na breve cerimónia de apresentação de ‘Xerazade’, ouvi o Samuel Pimenta dizer algumas das suas passagens numa toada poética como se se dirigisse a uma multidão de jovens apaixonados, perdida na consciência de cada escritor desiludido. Tudo à minha volta se silenciou naquele instante e senti uma urgência arrebatadora de me entregar àquelas páginas como se me tivessem feito falta durante toda a minha vida!
Xerazade» é um poema vivo de um'«A Última Noite» que nos emociona e nos transporta para as latitudes mais misteriosas e inesperadas da alma humana. Na intimidade daqueles diálogos há mistérios que ninguém ainda decifrou, fechados nas arcas do tempo em torres que brilham longe demais para serem nossas.
«Amor, amo-te até ao fim da memória». «Eu sei. É por isso que tens de me deixar ir».«Xerazade» não é, simplesmente, um livro. Um livro excelente, aliás, nas suas páginas carregadas de um misticismo antigo, de interrogações tão velhas como a memória dos deuses de um Olimpo que o tempo não mudou. É muito mais um cúmplice do espírito rebelde e inquieto que sentimos em certos momentos da nossa vida.Uma tapeçaria, um colar de pérolas, um homem, uma mulher... num livro inesquecível![...]»
Em - Guilherme Valadão's Reviews > Xerazade - a última noite
segunda-feira, abril 11, 2016
O "caso Dona Maria Adelaide" e a causa dos Sem-Abrigo
Eles eram irmãos. Numa
noite de tempestade apanhámo-los a dormir no átrio do nosso prédio. Não tivemos
coragem de os mandar embora, de modo que a situação foi-se prolongando. Durante
um ou dois meses usaram aquela entrada como quarto de dormir e porto de
abrigo. Na condição de não fazeram porcarias ali dentro. A certa altura, já mandavam vir connosco quando acendíamos a luz
das escadas quer porque ainda estavam a dormir, quer porque se preparavam para
fazê-lo. Mas chovia tanto, que nunca tínhamos coragem de os mandar embora.
Embora fossem aldrabões, mal-educados, e ladrõezecos de bairro -- iam ao
minipreço e por encomenda, surripiar bens de consumo que vendiam às velhotas do
Bairro Alto.
Um dia, perante o átrio inqualificavelmente sujo como se fosse uma
latrina, corri os dois à vassourada. Estava tão indignada, tão furiosa, que eles
fugiram mesmo. E acabou-se a parceria. Dois anos depois, um deles foi quase figura pública porque deu uma estalada numa socialite, e ela, com toda a razão, fez queixa e ele foi preso. Só lhe fez bem. Engordou um quilinhos, e durante algum tempo andou todo aprumado.
Houve mais, em anos idos. Mas o último, foi em 2000 e picos. Estivera ligado a grupos extremistas, acabara por fugir e exilara-se na
Holanda, correra Seca a Meca e tinha uma história de resistência de dores e abandonos, desde a infância, dessas que cortam o coração. Bem aprumado, irrepreensivelmente limpo e barbeado, com olhos que viram demais, entrou na nossa vida numa das nossas festa de aniversário. Ninguém
conhecia ninguém, porque cada um foi convidando quem encontrava de onde
resultou o grupo mais heterogéneo que se pode imaginar. Apareceram
músicos, pintores, designers, amigos de várias nacionalidades, uma
fadista/cantora em ascensão, de voz soberba. E este revolucionário desactivado,
que em anos idos vivera num mausoléu do Alto de São João, onde
também, ao que parece, os seus camaradas guardavam armas e munições. Penso que se vestia de viúva,
quando entrava ou saia do cemitério.
Quando o conhecemos, dormia na cave de um prédio em construção, na companhia de uma gata. Lavava-se e à roupa,
num fontanário. No Inverno, e para não ser roubado, chegava a vesti-la molhada.
Arranjamos-lhe casa, já nem me lembro bem como, e praticamente mobilámo-la. Um
dia, inventou um incêndio, que mais não foi que uns fogachos, para vir outra vez
asilar junto de nós. Mandámos pintar a sua casa e arranjar os «estragos», e
por fim, muito a contragosto, ao fim de um mês e tal, lá nos deixou em paz. A situação, ao longo destes anos,
melhorou muito. Sobretudo porque recuperou a filha, holandesa, que
não via há anos e que o recebeu de braços abertos e coração sem mágoas.
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| «Frio: Lisboa e Porto vão acolher sem-abrigo» cortesia de Boas Noticias |
Pois surge agora uma oportunidade de
poder dar alguns contributos a esta causa que abraço de coração, num melhor enquadramento. O acaso, se tal existe, pôs-me em contacto com o Dr. António Bento, muito sensível a estas mesmas áreas, e cujo trabalho é sobejamente reconhecido: é director
de Psiquiatria Geral e Transcultural, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de
Lisboa ; do Grupo Psicoterapêutico Aberto, com 1062 doentes, dos quais quase 500
são sem-abrigo, migrantes e refugiados; de um Curso de Psiquiatria de Rua
e Transcultural; de outro de “Psiquiatria Intersticial", ligada ao
trabalho na rua com os sem-abrigo, complementar da psiquiatria tradicional que
fazemos nos "silos" (consultas, internamentos, urgência); e muito
mais.
Conhecemo-nos através do meu grande amigo (e compadre) Carlos Poiares, vice-reitor da Universidade Lusófona, a propósito de
um livro que publiquei há uns anos. De
modo que quem nos juntou, por assim dizer, foi uma mulher que já morreu no
século passado, mas continua muito viva. 'Maria Adelaide Coelho da Cunha
«Doida não e não»! ' Este livro, que continua a ser regularmente utilizado
nos CVs da Lusófona, é também um dos que o Dr. António Bento recomenda. Foi
numa palestra sobre a «Vida dos Livros» que trocámos as primeiras impressões. Daqui surgiu o convite
para eu integrar, a 5 de Julho, uma mesa onde voltaremos a falar «Caso D. Maria
Adelaide» no âmbito dos seminários orientados por si, nomeadamente Anton
Tchekov ('Enfermaria nº 6') e 'Ignorância-II.
![]() |
| Maria Adelaide Coelho da Cunha |
Desse evento, voltarei a falar. E de tudo o que lhe está subjacente. Porque é Causa Nossa.
sábado, agosto 29, 2015
«Foi um livro difícil de escrever?»
Em Junho, dei uma entrevista à Confraria Vermelha, intitulada «Xerazade - a última noite de Manuela Gonzaga», que foi publicada recentemente, a 26/08/2015. Na altura, à pergunta, inevitável, sobre os «novos projectos» respondi com reticências. Agora, a notícia da minha candidatura, que, entretanto e desde o 10 de Agosto deste ano deixou de ser novidade, já é referida no texto.
Voltando à entrevista, fica um extracto, que me tocou particularmente reler:
Voltando à entrevista, fica um extracto, que me tocou particularmente reler:
«ENTÃO, “MOÇAMBIQUE, PARA A MÃE LEMBRAR COMO FOI” É, TALVEZ, O LIVRO MAIS ÍNTIMO, NO SENTIDO EM QUE FOI ESCRITO QUANDO TINHA A SUA MÃE MUITO DOENTE. FOI UM LIVRO DIFÍCIL DE ESCREVER?
Foi muito difícil, mas, ao mesmo tempo, muito útil e esclarecedor… ajudou-me, finalmente, a reconstruir o puzzle da minha e das nossas vidas. Porque se ia para África? Quem ia? Como eram os quotidianos ultramarinos, à luz das memórias da menina e da jovem que fui, e do enquadramento que a historiadora que sou ajudou a completar? Além disso, este livro levou-me a memórias que me encheram de alegria, mas também de angústia. Voltei à guerra. Às pequenas guerras pessoais. E, de relance, ao regresso quando tudo era tão diferente que percebi que Portugal se tornara terra estrangeira e foram precisos muitos anos para reconquistar a minha cidadania interior.»
Para visitar a Confraria Vermelha:
quinta-feira, julho 16, 2015
«c’est un livre qui s’adresse à tout le monde»
Da edição em francês de Moçambique para a mãe se lembrar como foi, duas recensões criticas em Anazon:
«Mozambique: pour que ma mère se souvienne» de Manuela Gonzaga, correspond à une vague très récente d’écrivains qui cherchent à poser un nouveau regard sur le passé colonial portugais récent, et sur le processus de décolonisation qu’ils ont connu. C’est un regard neuf car il ne s’agit pas seulement de «souvenirs», cela va bien au-delà: c’est une fenêtre sur les contradictions de l’auteure qui réfléchit dans le moment présent à une époque vécue dans des circonstances sociales et idéologiques très différentes. C’est cette tension qui se révèle dans «Mozambique» comme quelque-chose dont l’auteure semble avoir une pleine conscience, jouant aussi bien avec ses souvenirs qu’avec l’analyse historique du contexte qu’elle dresse pour nous. C’est pour cela que ce livre ne s’adresse pas seulement à ceux qui ont connu le « Mozambique» de l’Empire tardif et de la guerre coloniale; c’est un livre qui s’adresse à tout le monde. Des historiens qui recherchent une écriture fluide, au lecteur curieux quant au passé portugais le plus récent, et amoureux des pages extraordinairement bien écrites. - Rui Gomes Coelho (historiador)
E ainda:
'Histoire de la périphérie du colonialisme européen contemporain»
«Quelle est la scène central du "Mozambique" (de Manuela Gonzaga)? A mon avis, c'est l'Histoire de la périphérie du colonialisme européen contemporain que permet rèflèchir, travers un jeux de miroirs, sur la vrai place du Centre actuel. Dans ce cas, il y en aura que des importantes leçons sur comment écrire des memoires (individuelles aussi bien que collectives) du XXéme siècle. C'est un livre où des histoires et des souvenirs se rejoignent avec une sérénité et une fraîcheur émouvantes. La dimension de la tâche que l'écrivaine ait proposé etait significative dans la mesure où elle a dû rappeler les bonheurs autant que les déchirements. A la fin, on voyagent dans le temps et dans le espace, sur les ailes de sa vision contrastée du monde . En effet, en se pérmettent de se déambuler entre des souvenirs reconstruites d'une jeune fille, c'est comme si nous pourrions atteindre à une partie importante de tout un siècle - Edilson Motta.
«Mozambique: pour que ma mère se souvienne» de Manuela Gonzaga, correspond à une vague très récente d’écrivains qui cherchent à poser un nouveau regard sur le passé colonial portugais récent, et sur le processus de décolonisation qu’ils ont connu. C’est un regard neuf car il ne s’agit pas seulement de «souvenirs», cela va bien au-delà: c’est une fenêtre sur les contradictions de l’auteure qui réfléchit dans le moment présent à une époque vécue dans des circonstances sociales et idéologiques très différentes. C’est cette tension qui se révèle dans «Mozambique» comme quelque-chose dont l’auteure semble avoir une pleine conscience, jouant aussi bien avec ses souvenirs qu’avec l’analyse historique du contexte qu’elle dresse pour nous. C’est pour cela que ce livre ne s’adresse pas seulement à ceux qui ont connu le « Mozambique» de l’Empire tardif et de la guerre coloniale; c’est un livre qui s’adresse à tout le monde. Des historiens qui recherchent une écriture fluide, au lecteur curieux quant au passé portugais le plus récent, et amoureux des pages extraordinairement bien écrites. - Rui Gomes Coelho (historiador)
E ainda:
'Histoire de la périphérie du colonialisme européen contemporain»
«Quelle est la scène central du "Mozambique" (de Manuela Gonzaga)? A mon avis, c'est l'Histoire de la périphérie du colonialisme européen contemporain que permet rèflèchir, travers un jeux de miroirs, sur la vrai place du Centre actuel. Dans ce cas, il y en aura que des importantes leçons sur comment écrire des memoires (individuelles aussi bien que collectives) du XXéme siècle. C'est un livre où des histoires et des souvenirs se rejoignent avec une sérénité et une fraîcheur émouvantes. La dimension de la tâche que l'écrivaine ait proposé etait significative dans la mesure où elle a dû rappeler les bonheurs autant que les déchirements. A la fin, on voyagent dans le temps et dans le espace, sur les ailes de sa vision contrastée du monde . En effet, en se pérmettent de se déambuler entre des souvenirs reconstruites d'une jeune fille, c'est comme si nous pourrions atteindre à une partie importante de tout un siècle - Edilson Motta.
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