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terça-feira, setembro 01, 2020

KNK - ou uma forma superior de homenagem

Sou muito afortunada. Tenho varios amigos e amigas escritores. Ficamos felizes com os èxitos mútuos, partilhamos desconfortos e desaires, e saudamos o privilégio de servir as letras e vermos os nossos livros serem publicados e bem acolhidos. Acima de tudo, gostamos muito uns dos outros, e somos fãs das nossas respectivas obras. 

    Fica a sugestão de uma leitura que muito me inspirou. O último livro do meu querido amigo Luís Filipe Sarmento. 

                                
                                KNK – ou uma forma superior de homenagem

    Muito sucintamente, o livro é uma introdução poética ao génio de três autores decisivos para o século XX e mais além, Kant Nietzsche Kafka, mas essa abordagem singular não é ponto de chegada, mas rampa de lançamento para voos muito mais amplos. Navegamos assim no transcendente com @Luís Filipe Sarmento, que se lança com desassombro ao poema ensaio, e, recorrendo à ironia, à metáfora, à alegoria, e aos aforismos tão frequentes na obra de Kant e de Nietzsche desenvolve as pertinentes questões metafisicas tratadas por eles. Compondo, igualmente, um texto kafkiano na medida em que é complexo, labiríntico e surreal.
    E muito sedutor.
    Recorrendo ao seu riquíssimo léxico, Luís Filipe Sarmento oculta e revela nesta prosa esquiva – ora poesia, ora ensaio, ora ambos, em texto impossível de classificar – oculta, dizia eu, os alvos da sua exegese, ou melhor, a fonte aonde, neste caso, foi beber a sua inspiração torrencial. O título é hermético. Em todo o caso, a leitura é voraz. Voamos entre ideias, imagens, conceitos e referências que, aos poucos vão fazendo sentido. O livro termina tal qual como começa: com um texto magistral. E eis-nos em eterno retorno. O que é, também, uma forma superior de homenagem.

    Que mais se pode pedir à poesia?

Manuela Gonzaga, Monsaraz, Agosto 2019

terça-feira, abril 30, 2013

livros e ilhas desertas

Eu nao quero levar livros para uma ilha deserta. Eu quero criar uma ilha deserta, no meio da floresta dos meus livros, escritos e por escrever, lidos e por ler. Um lugar de reencontros profundos onde a solidão se faz plenitude. Um lugar de alma.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

O meu primeiro livro publicado

Normalmente, a maravilhosa aventura de vermos o nosso primeiro livro editado e publicado, redunda na mais completa frustração. O jovem autor - mesmo que não seja tão jovem assim - está totalmente «verde» em relação aos meandros de uma indústria sobre a qual tem uma ideia muito romântica. Tudo isso, somado à gratidão que experimenta ao assinar o primeiro contacto de edição, «gostam do meu livro, vão publicar-me! Iupiii», conduz a uma relação sem futuro que terminará como terminam todas as relações desiguais.

É quase curricular que «O meu primeiro livro publicado» coincida com o primeiro grande desgosto no cursus honorum de um autor. As histórias que se ouvem e partilham neste campo davam para muitos outros livros. São lições que se colhem e, nesse sentido, têm uma grande utilidade. Mas aceitem este conselho do coração: não paguem, jamais e em circunstância alguma, para serem editados, a menos que se abalancem a uma edição de autor. Se um editor vos pedir dinheiro para publicar o vosso livro, não confiem nele nem na sua máquina de fazer dinheiro à vossa custa.Imaginam um merceeiro a exigir dinheiro ao agricultor para lhe vender as maçãs ou as batatas da sua produção? Mas escrever não é menos trabalhoso do que plantar batatas ou apanhar maçãs. Assim, se um editor invoca os dramas económicos da existência para não arriscar um eurito que seja na vossa obra, virem-lhe as costas. Na verdade, se ele paga à gráfica, à distribuidora, e a toda a máquina que envolve a indústria do livro, porque raios e coriscos o quer fazer a expensas do coração e do seu sangue que fazem girar a dita máquina, ou seja, a nossa escrita?

Em síntese, uma das primeiras lições que o autor aprende, e quando mais depressa a aprender melhor, é a dizer não. E a perceber que um contracto de edição, tal como todos os outros contractos, tem de ser favorável a ambas as partes. Leiam-no com todo o cuidado, e levem-no a um advogado que perceba de direitos de autor. Jamais assinem de cruz, na embriaguez de gratidão e alegria em que todos começamos por cair, nós os autores.

E em seguida, procurem um bom, um honesto, um empenhado e aguerrido editor/a. Acreditem que tal personagem existe e não desistam de o/a encontrar. Essa é, pode e deve ser, uma relação para a vida. Merece o nosso maior empenho.





quinta-feira, novembro 29, 2012

À mesa com Aguinaldo Silva

Foi um jantar memorável que a minha querida amiga Cristina Pombo promoveu entre dois amigos comuns que andavam para se conhecer há que tempos. Tive assim o privilégio de passar belíssimos momentos com um homem de quem sou absolutamente fã. Aguinaldo Silva, guionista soberbo, autor de novelas de culto de inesquecível memória - Tieta do Agreste e Roque Santeiro por exemplo! - de séries premiadíssimas e de livros, como por exemplo 98 Tiros de Audiência editado em 2009 pela Contraponto, que já comecei a ler, deliciada.

Por acaso, ou nem por isso, Aguinaldo já conhecia alguns livros meus como Imperatriz Isabel de Portugal que lhe foi oferecido recentemente. Para além disso estava bastante interessado nos Jardins Secretos de Lisboa e na historia da Maria Adelaide Coelho da Cunha. Aliás trocamos obras, ele ofereceu-me o seu último livro, eu dei-lhe os Jardins e a Cristina ofereceu-lhe a história da senhora que fugiu com o motorista e trocou um palácio por uma casa modesta em Santa Comba Dão, acabando por ir parar ao manicómio etc. etc. «Que história fantástica» - comentava ele, que ate já tinha lido artigos sobre o tema e o livro.

Falamos de tanta coisa! Cruzaram-se tantas histórias. Rimos tanto e comemos tão bem no Olivier, que até veio à mesa cumprimentar aquele homem lindo, grande e de cabelo todo branco que Portugal inteiro conhece e ama e que o Brasil venera. E, inevitavelmente, falamos de Lisboa porque essa é uma paixão que nos une. E do céu que nos cobre com um manto azul luminoso e tão doce como não se vê em mais lado nenhum do mundo vasto e pequeno que nos abriga na viagem de viver.
Obrigada querida Cristina e obrigada Vitor, que tirou as fotografias e também tem muito para contar.
Entretanto, visitem o blogue do Aguinaldo, que tem link para o seu portal. 

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Ter Áfricas na boca e a mente descaída

Há uma riqueza enorme na expressão popular mais genuína. Ou como diz Carlos Barreira da Costa, "As pessoas têm uma forma fantástica de dizer as coisas mais complicadas, de explicar as suas dificuldades". Vai daí, este médico  otorrinolaringologista reuniu frases ouvidas em diferentes consultórios e diversas especialidades ao longo de trinta anos e publicou-as no livro A Medicina na Voz do Povo.
Extractos do livro vieram ao meu encontro por email. Pura poesia. Deixo aqui alguns exemplos:
"A minha expectoração é limpa, assim branquinha, parece, com sua licença, espermatozóides."
"Quando me assoo dou um traque pelo ouvido, e enquanto não puxar pelo corpo, suar, ou o caralho, o nariz não se destapa."
"Não sei se isto que tenho no ouvido é cera ou caruncho."
Isto deu-me de ter metido a cabeça no frigorífico. Um mês depois fui ao Hospital e disseram-me que tinha bolhas de ar no ouvido.
"Ouço mal, vejo mal, tenho a mente descaída."
" Fui ao Ftalmologista, meteu-me uns parafusinhos nos olhos a ver se as lágrimas saíam."
"Tenho a língua cheia de Áfricas."
"Gostava que as papilas gustativas se manifestassem a meu favor."
"O dente arrecolhia pus, e na altura em que arrecolhia às imidulas, infeccionava-as."
"A garganta traqueia-me, dá-me aqueles estalinhos e depois fica melhor."