sexta-feira, dezembro 19, 2008

Rêve planétaire 2008

Amanhã podemos associar-nos ao Sonho Planetário, uma noite em que, uma vez por ano, o mundo inteiro põe-se de acordo para sonhar sobre um mesmo tema.
Para saber mais:
Oniros: Associação francesa para o estudo do sonho, fundada em 1985 http://www.oniros.fr/

Mais um livro. A biografia de uma mulher extraordinária...

Dia 18 de Dezembro de 2008, aí pelas 19.50, dei um último retoque no meu próximo livro. A biografia de Maria Adelaide. Dia 19, hoje, de manhã, ultima releitura, e pronto. Seguiu para a Bertrand, por email.
Passei o resto do dia sem saber o que fazer. Sensação estranhíssima esta quando o livro está feito, depois de quase um ano e meio de trabalho. Fica o alívio e o vazio.
Vou tomar um café com o Rui à Bijou do Calhariz.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Peter Joseph and Phil Stebbing in Lisbon

for the Artivist Film Festival.
In the end they both fall in love for Lisbon.

Peter Joseph, USA, presented here his polemic, intense, quite enlightening, and for some people very uncomfortable Zeitgeist Addendum. This month Peter flies to Moscow for the same reason. There, he's going to be interviewed in a major broadcasting TV channel. Then he will travel all over the world. Zeitgeist – both films – is already translated in 120 languages.
Phil Stebbing, UK, came to present his shocking Dead Line. How oceans are being deprived from its richness, and how oceans are dying under pirates 's large scale activity and the indifference of European authorities… it’s scaring, it’s outrageous it’s... Dead Line. Great audience in Forum Lisboa for both movies.

We don't use watch but we're never late

Peter Joseph (Zeitgeist) e Phil Stebbing (The Dead Line), Benedetta e eu, em Lisboa. os dois realizadores e a fotografa/escritora, já têm Lisboa na agenda de 2009. Com novos projectos de que se dará noticia em devido tempo.
Entretanto as moradas:
http://www.thedeadline.info/
http://video.google.com/videoplay?docid=7065205277695921912

Artivist LA, Londres,Lisboa, Mexico City, Tokyo: yes we can and will


I'm still overwhelmed with those magnificent days we spend together, and for all those documentaries, their powerfull messages portraid. The comitted and mainly so young audiences. Sometimes, and we talk about that, we felt we were somehow making history, or witnessing its making of. A pilgrimage to our roots. I mean, in a spiritual level as creating new sanctuaries in virtual lands free from territory and time boundaries. So we are a tribe.

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Artivist Lisboa: yes we can!

Há tanta coisa para dizer sobre este Festival, que a única que me ocorre, para já, é deixar um link com a programação. E acrescentar a expressão de Barak Obama, o presidente que o mundo ama: «Yes, we can.» O quê? Fazer a diferença. Alterar mentalidades, a começar pela nossa, e introduzir novos hábitos. Mudar o mundo, sim.
Apareçam. Para estudantes e terceira idade é de graça. Para os outros são dois euros.

http://artivist.blogs.sapo.pt/

sexta-feira, novembro 21, 2008

Compara o teu Q. I com o Q. I. da Madona

O teste é muito simples: responde-se às perguntas e recebe-se de bónus uma avaliação do quociente de inteligência. Nao cheguei a fazê-lo porque na parte em que pediam o número do telemóvel achei um abuso, e saltei fora. Uma amiga fez o teste todo. Acabo de receber um email dela. Caíra como «um patinho» na «roubalheira indecente». Fez o teste, deu o número do telemóvel, teve uma nota altíssima.Foi mais ou menos há um mês. Depois começou a receber sms de um clube, que ela apagava, «como faço sempre que recebo sms de promoções». Depois reparou que o saldo do telefone «voava». Ligou para a vodafone e explicaram-lhe tudo. «Cada uma das mensagens vindas desse tal clube movilisto estavam a ser pagas no destino, à módica quantia de 2€ cada». Sem ter aberto , lido, ou feito algum download elas foram simplesmente cobradas, «e cada carregamento que eu fazia tinha à espera de entrar umas tantas, que me levavam o carregamentozinho num ápice».
A Solução: ligar o 707303456 entre as 9 e as 17 para sair do "clube movilisto" também conhecido por 3456. De volta uma mensagem: «acabas de sair do clube movilisto vais perder a hipótese de ter os melhores conteudos exclusivos no teu tlm, atenção que perdes todos os teus creditos (é preciso muita lata!)» Um pedido: «Avisem os vossos filhos, essa do "teste o seu QI" é apenas uma entre várias formas de isco, abraços da lena que caíu que nem um pato»

sexta-feira, novembro 14, 2008

Da vida, da vidinha e da exposição da Rita Barros.


Entretanto não escrevi nada sobre o ASSUNTO que apaixonou o mundo. Obama é o próximo presidente dos Estados Unidos. Subscrevi parabéns. Queria dizer tantas coisas sobre esta eleição, sobre a qual toda a gente já disse o que havia para dizer. Mas acabar o próximo livro toma-me o tempo todo. O disponivel para o intelecto. A vidinha, toma conta do resto. Há quatro dias a correr para um dos telefones que gritavam pela casa, espalhei-me ao comprido no corredor. Pouco depois tinha uma pata de elefante, um ovo de avestruz no lugar de tornozelo. Pensei: ganda chatice. Deitei-me na cama, com o computador ao colo...
O aviso chegou a horas. O pé vai desinchando paulatinamente. Nada partido, nada estragado. E a «Maria Adelaide» a chegar mesmo ao fim. Que me desculpe a Rita Barros. Caí duas horas antes de ir para a Galeria Pente 10, à inauguração da sua exposição Presença da Ausência, que vai lá ficar até 10 de Janeiro de 2009.
Mas já andei a espreitar as imagens:
http://www.pente10.com/
http://www.ritabarros.com/

quinta-feira, outubro 30, 2008

Mon oncle

Foi-se embora, ontem. Saíu de casa, silenciosa e tranquilamente, de manhã cedo.
Deixa salas cheia de livros, música, fotografias, quadros, baixelas de prata, móveis escuros e móveis claro. As coisas que as casas acumulam. Memórias. Trabalhos, académicos e outros. Poemas. Um quarto com muitos computadores, que adorava montar, desmontar e programar. Pilhas de Frankfurter Allgemeine, que recebia por assinatura desde sempre, e anotava, e que o ajudavam na construção de um gigantesco puzzle mental sobre o estado do mundo e seu porvir.
Deixa o silêncio da sua ausência e uma escuridão. Nunca se deitava antes das oito da manhã. Dormia pouco mais de cinco horas: das oito, nove, ou dez da manhã até à uma, duas da tarde. A luz do escritório funcionava como farol. Enquanto estivesse acesa, podiam bater-lhe à porta. Fossem que horas fossem. A todos dizia o mesmo: «se vieram, são muito bem vindos, se não aparecerem, não fazem cá falta nenhuma».
Deixa um corpo, de oitenta e muitos anos, que se portou muitissimo bem, tendo em vista que, desde há uns cinco anos, cada dia, cada hora de vida, era «um bónus». O cancro espalhara-se paulatinamente por todo o lado, e ele – como médico –, sabia bem os estragos que lhe estava a causar. Chamava-lhe o «meu parceiro». Recusou operações e quimioterapias. Nunca teve dores. Nunca deixou fazer a vida de sempre, com o sentimento de uma imensa e calorosa gratidão. Não tinha medo da Viagem. «Acredito n’Ele, e acho que a Vida não acaba por aqui. Se não for assim, ficarei muito decepcionado».
Deixa uma pequena multidão de amigos que o adoravam.
Um filho onde gostava de encontrar, como dizia, o melhor de si próprio. Dois netos que não vão ter o privilégio de privar com ele.
Para mim, foi uma ponte de luz que ajudou a ligar algumas zonas escuras e densas da minha geografia de infância, onde afectos conservados a fogo lento e memórias embaciadas, pediam chão, ar e um pouco de água.
Nunca cheguei a perceber bem o que fui para ele.
Meu tio, Rogério Gonzaga.

domingo, outubro 26, 2008

My Space, Hi5, Orkut and so on

We’re but little neurons in our huge collective mind, with souls of our owns. For the best or for the worst, this is the meaning of our sparkling connections. So keep on dreaming to wake up.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Porque se escrevem livros? Take two

Só isso? Porque «tem de ser»? Ele não percebeu. Perguntou-me pela paixão, pelo envolvimento, pela tenacidade com que me agarro à escrita. Pela alegria com que oculto, ou revelo os meus projectos literários, à medida que crescem. Onde raio estavam esses estados de alma na frase seca e concisa do «tem de ser»? E eu a pensar que era tudo tão claro. Só me ocorre acrescentar «I was drawn that way». A escrita é a minha luz. O meu motor interno. Por isso, escrevo porque tem de ser. Dito de outra forma, porque é que respiramos?
Jessica Rabbit's quote & foto:
http://www.flickr.com/photos/florecita/343196742/

terça-feira, outubro 14, 2008

Porque se escrevem livros?


Uma jornalista perguntou-me:
«porque escreve?»
Respondi: «porque tem de ser».
Podia acrescentar o que outro escritor disse, não me lembro quem, quando, onde:
«escrevo para me ver livre dos livros que estou a escrever».
A acabar a biografia da Maria Adelaide, penso no dia, na hora, no momento, em que me vejo livre desta obra. Ando com ela «às costas», na cabeça, na barriga, tropeço nela pela casa toda, comungamos o mesmo caos de papéis, cartas, documentos, livros, e depoimentos transcritos que consulto e cito, vejo e revejo. Estou empanturrada de fontes. Digestão intensa. Termo de gravidez. Trabalho de parto.
Há uma eternidade atrás -- três semanas? -- quando ainda estava no Lago Silencioso, a Andrea disse-me: «Quando chegaste aqui, a tua cabeça veio à frente. E estava muito maior do que o corpo». Se ela me visse agora. Se ela «nos»visse agora.




quarta-feira, outubro 01, 2008

O céu de Lisboa

Eu amo esta cidade. Eu amo esta rua. Das janelas, vejo o dia trocar de vez com a noite. A noite sobe devagar para cima dos telhados. Estou em casa.
.




domingo, setembro 28, 2008

Quand vient la fin de l'été às vezes até chove


Quand vient la fin de l'été começa o Outono. Às vezes até chove. Ontem vimos a trovoada chegar a cavalo nas ondas. Estávamos no Oceano, da Arrifana (que bem se come ali!!). O céu estava dividido ao meio. Do lado do mar, escuríssimo e riscado de relâmpagos de cor violenta. Do lado da serra, muito mais claro. Estavam a dizer que o temporal vinha da Vila do Bispo. Depois viemos para casa, mas o D. saiu da quinta para ir a uma tasca qualquer, nas imediações, ver a bola. O Sporting perdeu, disse ele quando voltou, mas eu já estava quase a dormir.
Hoje não vai ser preciso regar o jardim.
Time to go home.

sábado, setembro 27, 2008

Encontro com o Rinoceronte e o Unicórnio

Trago o lago connosco, na versão holográfica do universo que comporta vasos comunicantes com as múltiplas dimensões do real. E preparo-me para o encontro marcado com o Rinoceronte e com o Unicórnio. Estou ligeiramente atrasada. Porém eles não se vão embora, e isso é um conforto.
Entretanto estou bastante às ordens de Maria Adelaide, mas creio que em dois meses cumprirei os seus desígnios a respeito da tarefa que me incumbiu de levar a cabo. Contar a história a sua vida. Uma honra que me tenho esforçado arduamente por merecer.




sexta-feira, setembro 26, 2008

Quand vient la fin de l'été




O calor fica diferente, a luz fica diferente, o cheiro é outro, os pássaros têm novas canções, o dia acaba mais depressa, muito mais depressa, as formigas organizam-se em exércitos e levam os dias a carregar sementes enormes para dentro das suas secretas cidades, o telefone chama de outra maneira, as conversas começam ou acabam sempre com "quando é que voltas?", os emails do poderoso e mágico círculo dos afectos vêm enfeitados de cintilantes solicitações, mesmo que não nos digam respeito, há noticias que furam a campânula dourada que nos preservou durante três semanas dos ecos estridentes das tragédias todas, próximas e remotas, dos medos colectivos e da ameaça brutal do fim do mundo das economias podres, e os pés já sabem que vão voltar à escravidão do sapato.
Essa é que é essa.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Os pés no chão em terra viva

Leio. E releio, por exemplo, Oliver Twist, que comprei numa Loja de Caridade aqui em Aljezur de onde também trouxe Shark Dialogues, de Kiana Davenport. Não sei quem é, mas chamou-me a atenção. Ou As Palavras e as Coisas, de Foucault. Céus, é denso de cortar a respiração. Precisamos de capacete e picareta para conseguir entrar, como nas obras, mas compensa. Até porque faz parte da minha "dieta" académica por vários motivos. Além disso, leio e releio as memórias da "minha" Adelaide, cuja biografia vai bem avançada, bem como uma porção de documentos e processos que lhe estão associados e que vieram comigo dentro de num grande cesto de plástico, com asas. Enfim, um belo sortido de géneros. Sem contar com jornais. E, uma vez por outra, as inevitáveis revistas do coração.
Entretanto há peixes no lago. Damos-lhes as sobras de pão do pequeno almoço. As grandes carpas vêm das águas escuras do fundo, e saltam agitando a superficie do lago, disputando entre si as codeas. Os minusculos peixes das margens, que comem as larvas dos mosquitos, organizam-se em constelações frenéticas em torno de migalhas. Ultimamente uma familia de patos mergulhões veio viver para aqui em carácter permanente. Ficam a nadar, no meio do lago. Se viermos embora aproximam-se e também disputam este festim. Pode-se ficar muito tempo nesta actividade, sem dar pelo tempo a passar. Há três semanas que não vemos televisão. Zero, nikles. Só uma vez em Monchique, porque o restaurante onde almoçámos tinha écrans por todo o lado. Muitas pessoas mastigavam em silêncio, olhando por cima dos ombros dos parceiros, para o que acontecia no mundo. Fazia muita impressão.

Tempo para ler... The Company

Ele lê. Um tijolão de um livro de mil e tal páginas. Deve ser muito interessante, porque o "tijolo" anda connosco para todo o lado. A saber, Robert Littell, The Company. Esta obra está para a CIA como O Padrinho, de Mario Puzzo está para a Mafia. Muito bem escrita, muito bem documentada, e muito absorvente... Diz ele. Acredito. Em meia dúzia de dias já vai a meio da obra. É obra.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Quinta do Lago Silencioso

O lago fica em frente deste terraço. Tem peixes, sim. O som deste silêncio é uma música feita de conversas de pássaros, zumbido de insectos, aragem nos canaviais. O cavalo de oito anos, mais a sua carroça e os caixotes de livros, desapareceu dos meus sonhos. As noites são densas, de repouso total. Este é provavelmente o local mais zen onde estive nos últimos tempos alargados. Começamos a habituar-nos a respirar esta paz. Praias a poucos quilómetros.
O lago é silencioso. O tempo parou.
http://www.quintadolagosilencioso.com/quinta.html

terça-feira, setembro 09, 2008

Por uma carroça de livros

Este cavalo tem oito anos e está a puxar uma carroça no meio do trânsito. A carroça tem caixotes e mais caixotes. Cheios de livros. O homem insensível está a carregar a carroça, sem contemplações. Ele tem um sorriso mau. O pequeno cavalo olha-me assustado. Meto-me no trânsito e desato a berrar contra o homem, mas o homem ri-se e puxa a carroça para sitios da estrada onde não consigo chegar, e eu no meio de riquexós e porshes, quase fico esborrachadinha. "Vocês não podem permitir isto!", grito para os condutores e para os transeuntes. Acordo a discutir, em inglês, com um casal de turistas, esparramados num riqxó, que olham embevecidos, e dizem que é tudo tão deliciosamente typical. Inclusivé uma mulher, eu, aos berros no meio do trânsito de uma cidade que parece um cruzamento entre o Rio de Janeiro e Nova Iorque, com um toque de Bombaim, por causa de um cavalo assustado a puxar uma carroça cheia de caixotes cheios de livros.
Resultado: larguei tudo e vim apanhar sol e dormir, e passear no campo. Estamos no Algarve, perto de Aljezur.
Mas na primeira noite:Martinhal. Fomos os últimos hóspedes. Em poucos dias vão demolir os pequenos apartamentos em frente da praia. Em dois anos, naquela paisagem de sonho, vai surgir um hotel pequeno. O projecto é muito bonito. Sagres é que não. É uma terra desolada.

terça-feira, agosto 12, 2008

Era uma vez muita gente

Era uma vez muita gente que emergiu do ilimitado mar das probabilidades, lá onde mora o gato na sua caixa com dois furos, para o esquisso de uma sala que o pintor ele encontrou, resgatando assim criaturas espantadas e hirtas, sangrando amarelos, encarnados, azuis e ocres, por cadeiras, sofás e longos reposteiros, um tapete grande, sim, e um lustre de cristal pendurado no tecto. Muita gente estava calada, no silêncio atroz da música opaca das suas pequenas conversas, a que três holoférnicas cabeças prestavam atenção discreta, enquanto o rato-pessoa e a pequena raposa-babu, muito bem vestidos, olhavam para o pintor ele. Tinham vindo todos agarrados ao esboço dos móveis Olaio e chegaram à tela quase ao mesmo tempo. Havia tantos. Um deles ainda jorrava pequenas cabeças da sua própria grande cabeça. Era o pancreator. Ao lado, a sua estática consorte. Depois, o pintor ele fechou o portal. Em todo o caso, derramou muitas cores para que muita gente ficasse viva. Os animais também. As cabeças cortadas também. Um dia chamou o escritor ela para que os visse. “Para mim, isto é o salão. Não é uma festa, é um encontro.” Explicou. O escritor ela respondeu: “muita gente está aqui”. Depois perguntou-lhe pelas cabeças sobre a bandeja. Depois quis saber do rato-pessoa e da raposa-babu, porque lhe pareceu que estes últimos eram o ponto de partida do jogo, e as três primeiras, as testemunhas do drama. Não por terem sido cortadas – pareciam bem tranquilas em relação a esse facto – mas porque muita gente não conseguia sair. Depois disse-lhe: este salão é uma armadilha. Muita gente ficou presa nela.
Se o pintor ele já o sabia, calou-se. É que depois houve um cavalo. O cavalo. Tinha asas. Também estava preso no último andar, mesmo por cima do salão. Muita gente o ouvia a bater os cascos de ouro no chão de madeira corrida. Impaciente e desesperado. Mas ninguém ousava abrir-lhe a porta. A quimera alada traz a maldição do interdito. Arrasta o seu ousado libertador para lugares onde a realidade muda a todos os instantes, rasgando no seu voo abrupto o delicado equilíbrio entre as onze dimensões. O pintor ele disse: é preciso uma alma forte? É que eu não tenho medo do escuro, mas o escritor ela respondeu: o mais importante é uma atenção sem falhas na fluidez desses espaços onde o tempo deixa de existir, deus sabe como isso pode ser cansativo. Se não o quê? O cavalo larga o cavaleiro e o cavaleiro perde-se. Ah, sim? Sim. E depois? Depois, como encontrar o caminho de volta num mundo sempre a mudar de forma, e onde o tempo não conta para nada? Pois é exactamente por isso – disse o pintor ele – que abri a porta ao cavalo. E depois? Só tive tempo de dizer I want to go with you. A seguir, a chave caiu-lhe da mão, toda manchada de verde, num campo de flores, mas o formidável coice que recebeu nos rins doeu-lhe muito menos do que todos aqueles beijos que lhe partiram o coração. Isso foi o que disse o pintor ele. De modo que em tudo isto há uma viagem e um desígnio muito misteriosos. O tecido da realidade foi rasgado e estas telas provam-no. Há outros testemunhos, mas são do reino do indizível. Como as cordas vibrantes e sonoras, filamentos neuronais do cosmos, que manifestamente ligam todos os seres em Constelações. Ou como estes peixes que nadam sob montanhas cor-de-rosa – onde emerge a árvore – sobre as quais voam os pássaros em que aqueles se vão transformar. Ou será ao contrário? No fim, todos se encontram no mesmo delírio de uma meditação búdica, ela própria a divagação da mente atenta, acordada e lúcida. Algo a que andy and evelyne before eating an apple pie, na floresta edénica, com pássaros voando sobre os seus rostos estáticos, não são alheios: muita gente rodeia-os. É o friso fatal das descendências. No fim da viagem, o pintor ele soube reconhecer que estava perdido. O cavalo fora-se. Em todo o caso, já não precisavam um do outro. Como é evidente, os registos tinham mudado. Já não havia salão, mas uma sala de banquete. Muita gente tinha-se ido embora. Só restavam os animais. Lewis Carroll conhece alguns deles. E não se falava de corações partidos, mas de ressacas pós românticas, um eufemismo para “euforia disfarçada”. Tudo podia acontecer. De novo. O pintor ele cavalgara a imensa flecha do êxtase.
Manuela Gonzaga,
texto do catálogo de Ivo Moreira, Agosto 2008

segunda-feira, agosto 11, 2008

I WANT TO GO WITH YOU

Nova exposição do Ivo Moreira. Descrevo-a, nas palavras do pintor:
"[...] selecção de nove pinturas de grande formato, a acrílico e a óleo, executadas
ao longo de três anos ( 2006-2008 ).
Estas telas reflectem diferentes vibrações, lugares, estados de espírito, estando unidas por um mesmo fio condutor: a procura, a predisposição para partilhar as vivências do mundo com uma alma gémea não identificada; um convite para partir à aventura por paisagens ora mundanas, ora celestiais, oníricas, ou até mesmo humorísticas, mas todas elas parte de um mesmo caminho. Um caminho que é sempre solitário, tortuoso, pleno de dúvidas, mas também de paz, satisfação e encantamento e que, desta vez, culmina finalmente nesta mostra, encerrando um ciclo, tornando-se
público." Ivo Moreira

Para download do catalogo:
http://www.yousendit.com/download/Q01IZGVaQk5WRDljR0E9PQ
A inauguração dia 12 de Agosto, pelas 21 horas na Sala do Veado do Museu Nacional de História Natural.

quinta-feira, julho 24, 2008

Sunrise, Sunset

Is this the little girl I carried?
Is this the little boy at play?
I don't remember growing older
When did they?
When did she get to be a beauty?
When did he get to be so tall?
Wasn't it yesterday
When they were small?


As palavras desta canção que ouvi a primeira vez em UmViolino no Telhado, vieram-me tantas vezes à cabeça! E as lágrimas e os risos! Que carrossel, que montanha russa de emoções. Que alegria. Oh, meu Deus, como eles são lindos!!!

Love is a Many Splendored Thing

Bernardo & Marta, 21/12/08, Poland

quarta-feira, julho 23, 2008

Que saudades do velho Til! Ou maleficios dos Acordos ortográficos

[…] um colégio de meninas estabelecido na rua de Miguel Bombarda, 79, da cidade do Pôrto. Sito num belo local, instalado com higiene, confôrto e elegância, e orientado no seu ensino, pelas condições da moderna pedagogia, reúne êste colégio predicados […]
Ooooooooooh que saudades do til!!

Os "maleficios" do Acordo Ortográfico

O meu próximo livro, a biografia de uma mulher portuguesa da primeira metade do século passado, tem-me feito mergulhar em mil e um textos de diversa proveniência. Cartas, processos de tribunal, autos de interdição, artigos de jornais, livros publicados sobre o caso, etc. etc. Quando transcrevo algum desses documentos, o computador corrige automaticamente a grafia. Lisbôa por Lisboa, êle por ele, collega por colega, etc. etc. Para a prosa não ficar muito pesada, reduzo estas transcrições. Algumas, no entanto, constituem peças documentais, pelo que irei manter a sua grafia original em pequenos trechos. Exemplo:
"A doença do espírito desenvolveu-se no campo da affectividade e do instincto sexual, traduzindo-se pela inversão do sentimento e do affecto e pelo recrudescimento da vida sexual, como em diverso campo se poderia ter revelado arrastanto á pratica de outros actos que seriam egualmente de natureza pathologica"
Seriamos todos mais felizes se tivessemos continuado a escrever assim? A lingua estaria egualmente mais rica? O nosso affecto por ela seria maior? Hum.

quarta-feira, junho 04, 2008

O Galo de Barcelos no Canadá

Amo a Feitoria pelo que é e pelo que representa: uma embaixada do melhor que a nossa cultura popular produziu ao longo de séculos de história. Um serviço público, sem horário de trabalho, e executado por um privado. A última noticia merece destaque, e cito:
"A Casa Portuguesa de Montreal, no Canadá, encomendou à FEITORIA um Galo de Barcelos com 1 metro de altura para estar presente numa cerimónia em finais de Maio que se realizava naquela Associação.O Galo foi encomendado e enviado com todos os cuidados, mas apesar disso chegou com uma das peças partidas. Prontamente encomendamos uma outra peça de substituição que foi enviada novamente. Tudo isto levou semanas e o tempo começava a apertar. Depois de muitos emails trocados entre a FEITORIA e o representante da Associação tudo acabou em bem.
(Para ver o resto da noticia: http://feitoriaportuguesa.blogspot.com/)

terça-feira, junho 03, 2008

Green & Peace

Um dia hei-de contar a história do Green Man de Morningside Road, que já não mora ali porque entretanto ia para a Guatemala, e dali para não sei onde. Nunca fica mais de quatro anos em lugar nenhum, diz ele. Já viveu no Vietname, na Austrália, no Punjabe, num ilha do Japão cujo nome esqueci, e em mais uma porção de lugares que não consegui fixar e nem sei bem onde ficam. Quando chega a qualquer lado, diz ele, transforma a casa onde vive numa estufa que enche de plantas das mais desvairadas proveniências. Quando se vai embora oferece-as como quem oferece cães e gatos de estimação: a quem provar que as estima. Nas duas ou três horas em que chegamos a comunicar permitiram-me aceder ao Santo dos Santos da sua doméstica e exótica floresta tropical, um quarto humido e quente, camuflado entre armários e trepadeiras, onde, ao som de reggae e sob uma luz amarela doseada em horário cronometrado, cresciam uns viçosos pés de marijuana. "Erva como a minha não encontras facilmente. Estas folhas são abençoadas. Não há cá quimicos, nem porcarias. Devias provar" Declinei a prova. A última erva em que toquei foi um boi-cavalo angolano que me levou á desfilada em viagem que não vou esquecer, mas não quero repetir. Foi há muitos anos. Muitos anos mesmo. O Green Man não insistiu. Falámos mais um bom bocado, e depois ele passou-me o seu email e ofereceu-me uma linda ficus benjamina. Eu dei-a à Nora, porque não podia carregar com ela no avião.

segunda-feira, junho 02, 2008

Findhorn













There are places where reality seems so more real that there's nothing else to say, except for the feeling of being so waken all the time I was there even when I was sleeping. Thanks Paulo and Kate for taking me there, and thanks a lot Anne and Angus for the lovely welcoming. It was like home, everything seeming so powerfully familiar, the seaside, the yellow wild flowers, which in Portugal we called Tojo, the perfumed atmosphere, the easy going summer holydays like, and then memories I didn’t knew I have just came back and they still do. They're precious.
http://www.findhorn.org/index.php

quarta-feira, maio 28, 2008

O baptizado da Martinha

"Esta é a luz de Jesus. O corpo é só um começo. Mas o que eu sinto no meu coração, já não é um começo, o que eu sinto é muito forte e poderoso. Pois já estou no mundo de Deus!
Esta é a recordação do meu Baptizado e 1ª Comunhão. Obrigada por terem participado.
Marta , 22/05/8"
E assim várias pessoas de vários locais - Lisboa, Cascais, Vidigueira, Bari/Itália, - convergiram para a pequena Igreja em Gaia, e depois para o restaurante sobre o Douro, com jardins molhados da chuva miuda e teimosa. Alguns de nós ainda nem se conheciam pessoalmente. Outros não se viam há anos. Mas a reunião familiar, que juntou portugueses, noruegueses, um holandês e uma russa, foi um êxito. A Martinha, minha sobrinha neta, estava radiante. Aqui ficam o postal que desenhou, com o texto sublime que ela própria escreveu sobre o significado do seu baptismo.

domingo, maio 25, 2008

Água Diamante

Foi o último presente da Mozzaic. Numa garrafa de litro e meio de água do Luso, vazia, deitou uma pequena porção de água que trouxe do Reino Unido: "Agora acrescenta outra água, pode ser da torneira, até encher. Esperas duas horas e ficas com a tua própria água de diamante. É muito bom".
- Para quê? - perguntei. Nunca tinha ouvido falar de semelhante tal.
- Para tudo. Ah, tens de esperar duas horas até estar pronta. Guarda a garrafa, por exemplo no teu escritório, para não se confundir com outras. O ideal é fazeres isto numa garrafa de vidro. Podes por um letreiro com as tuas intenções.
-?
- Ooh, o que quiseres. A água é dinâmica e absorve a energia das intenções e potencializa-as.
- Aaahh.
- Outra coisa. Deves oferecer esta água às pessoas de quem gostas. É um catalizador da mudança de consciência global.
Depois acrescentou água à sua propria garrafa que estava a ficar vazia e deixou-me o link de um dos sites onde estas coisas da água estão explicadas.
Eu tenho estado a beber daquilo.
Mas entretanto lembrei-me da Coisa, o alienígena que partilhou o espaço da nossa casa na Travessa de Noronha. Crescia desmesuradamente, exalava um cheiro a ácido acéptico, e era alimentada a colherinhas de vinagre açucarado. Tinha filhos. Um dia falo disso.
http://www.pmt-portugal.com/Downloads/agua_diamante.pdf

quarta-feira, abril 23, 2008

Finalmente esperança para o Zimbabwe?

Apesar do agravemento da crise tremenda que assola o país desde as eleições, um extraordinário movimento de solidariedade emergiu na África do Sul e está a incendiar a região. Tudo começou quando os estivadores dos portos sul-africanos com o apoio explícito do seu sindicato, se recusaram a tocar num carregamento de armas chinesas destinadas ao Zimbabwe. Agora, sob a pressão crescente dos media, e sob o olhar do mundo inteiro, a China começa a hesitar. É possivel até que considere voltar a atrás com este envio, recolhendo as armas. Neste contexto, um pequeno gesto pode fazer diferença. Assinar a petição abaixo, por exemplo:

Click below to sign a petition to keep arms away from Zimbabwe. The petition will be launched at a press conference in Johannesburg before the end of this week, and used to lobby key leaders until the crisis ends. Join the call now: http://www.avaaz.org/en/no_arms_for_zimbabwe/5.php/?cl=78908395

terça-feira, abril 22, 2008

"Uncle Mark takes good care of us"

Eu sentia-me mais ou menos como a "mãe Natal" com sacos cheios de compras do supermercado aqui perto. Cheguei a casa e pus-me a arrumar frutas, legumes, queijos, etc., não antes sem ter feito, previamente, uma faxina ao nosso laboratório alimentar. Depois chegaram o André e o Eduardo. São os flatmates do Paulo. Também traziam sacos de supermercado. Primeiro puseram-nos em cima da mesa da cozinha, e depois começaram a arrumar no frigorifico um luxo de comidas. Embalagens de hamburguers de borrego, com o saquinhos de molho de hortelã; salmão da Noruega fumado e arenque escocês; lasanhas várias, vegetarianas inclusivé. Finalmente, até o exagero de emblagens de saladas prontas a servir, "mediterrenean style" com o respectivo molho: tomate cereja, cebola em tiras, pimentos amarelos e vermelhos em cubos e rodelas de cougettes. Também tinham trazido humus, uma emblagem média, e um grande bolo de chocolate recheado, na sua caixa de cartão. "Ena, ena, temos festa" -- disse eu, porque não me ocorreu mais nada. "Ah, pois temos." -- disseram eles. Tinham manchas de tinta azul nas mãos.
São estudantes, trabalham, e juntam dinheiro durante meses que gastam em viagens ao Afeganistão, à Índia, à Austrália. "Estas compras custaram um dinheirão!?" -- custava-me a crer, do que conheço deles e dos seus objectivos. Riram-se: "Oh, não! O Tio Mark toma muito bem conta de nós."
"É alguém que deva conhecer?" -- perguntei. Não sabia que tinham familia na Escócia.
"Não é muito aconselhável" -- eles ainda estavam a rir, enquanto ligavam o forno para gratinar as lasanhas -- "é elitista e faz-se pagar muito bem".
Como estava a ajudá-los percebi que as minhas mãos também tinham ficado um bocado manchadas de azul. E então fez-se luz. O "Tio" mora a dois passos aqui de casa. E todos os dias manda para o contentor as embalagens que ultrapassaram a data de validade. Aos iogurtes até os manda furar. Mas as embalagens de comida processada, de resto hermeticamente fechadas, recebem em bloco uma tinta que mal salpica a maior parte delas. Por acaso sai bem com água e sabão.
No "Tio" Mark é tudo muito bom, muito fresco, e a preços elevados, até ir para o lixo. Na verdade, a coisa não está muito facilitada -- o Paulo disse que ás vezes é preciso saltar o muro e tudo -- mas compensa. Por vezes apanham lagosta, com a respectiva maionese. Na semana passada havia peito de pato laminado, e outras coisas muito chiques, pelo que não sendo uma rotina, não deixa de ser um hábito ir espreitar os acessos aos contentores do "Tio" Mark.
O jantar estava muito bom.

domingo, abril 20, 2008

Morningside Road

A chuva ficou por Lisboa. O tempo por aqui tem estado esplêndido. Mas há sempre uma pausa para passear no hiperespaço e encontrar os amigos que andam por aí, para lá do tempo e da distância. A internet é um instrumento maravilhoso a maior parte das vezes e para a maior parte de nós. De modo que continuo a estar com a Xana, aRita, o Rui, a Benedetta. E com a Marta, evidentemente, mas com ela é mesmo mais o telefone. E com o D., que não usa, não suporta nem tem telemóvel, não usa nem quer saber como se usa a internet para lá do serviço de email e da pesquisa muito especifica, mas que está acessível do outro lado dos telefones fixos, graças a Deus.

"The world is full of ridles that only the dead can answer. "

Ben Okri

Só descobri agora este magnífico escritor e poeta nigeriano, pluri-premiado. Não tenho tido praticamente tempo para ler romances fora do âmbito da minha tese, ou dos livros que tenho vindo a publicar (e que também me motivam pesquisas nas respectivas áreas). Deixo assim o encontro com os romances ao sabor do acaso ou então releio livros de autores que venero particularmente. Há livros que podem acompanhar-nos uma vida inteira sem que nos cansemos deles. De tantos em tantos anos revisitamo-los e tiramos dessas leituras um prazer sempre renovado.
Voltando ao Ben Okri. Entretanto o Paulo, da última vez que lá esteve, há muito pouco tempo, deixou em Lisboa um dos seus livros, The Famished Road. Trouxe-lho e vim a lê-lo na viagem. Ainda não parei. Em Edinburgo, tem sido uma companhia constante e arrebatadora. Vou comprar os outros livros dele. Conseguem-se encontrar alguns a preços muito acessiveis em alfarrabistas ou lojas de caridade que existem por toda a cidade. Entretanto já me ofereceram outros livros. De Neil Gaiman, American Gods, e uma recolha de lendas populares da Escócia, Irlanda, Gales e Cornualha, feita por Joseph Jacobs, Celtic Fairy Tales, com ilustrações de John D. Batten. De resto cá por casa casa há muito por onde escolher e a única dificuldade é mesmo a escolha... Portanto, entre várias coisas que vim fazer à Escócia, vou aproveitar estas duas semanas para passear por esta cidade que adoro, e ir até ao Norte, e ler pelo prazer único e indizivel de ler.
Em Lisboa esperam-me outras tarefas e de novo não vou ter tempo para ler romances fora desse âmbito muito especifico. Entre outros, vou finalmente ler Glória, de Vasco Pulido Valente. Tenho de mergulhar nas primeiras décadas do seculo XX. Uma mulher muito particular aguarda-me, tenho de conseguir dar da sua vida um testemunho digno da sua coragem exemplar.
Página de Ben Okri: http://www.myspace.com/ben_okri

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Charles Aznavour, um dos últimos artesãos da canção

"Sou um dos últimos artesãos da canção. Sou um artesão, um trabalhador, cinzelo as canções, não aceito que se altere uma palavra, é preciso que esta seja a exacta e que nenhuma outra possa ser colocada no lugar dela. É esse o meu "métier". Não o de ser "star". O que quer dizer "star"?
Citação da magnifica entrevista que Adelino Gomes fez a Charles Aznavour (Publica 17.02.08 pp.26-36).

sábado, fevereiro 16, 2008

Janela no Século

Um motivo. Um só. Hoje é tudo o que preciso para recomeçar. Entretanto flutuo, sem vontade de nadar para a margem do dia.

Mais quotas de Alejandro Jodorowski

"El milagro está en todas partes, sólo hay que verlo" "Lo racional, como el psicoanálisis, es una adquisición maravillosa, no hay que apartarnos de ello sino expandirlo". "Cuando estudiaba filosofía me molestaba mucho que los intelectuales sólo tuviera ojos para lo intelectual, dejando de lado los sentimientos y la creatividad". "Ya pasó la hegemonía del intelecto, en la universidad debe estudiarse los sentimientos y la creatividad, sobretodo la creatividad". "Siempre que existe un conflicto entre la razón y la intuición hay que dejarse guiar por la intuición, la intuición es mucho más sabia que la razón.""No podemos cambiar el mundo, pero podemos empezar a cambiarlo. En este mundo imperfecto existen islas de perfección, hay que buscarlas, coleccionarlas como collares"
(extractos de entrevistas. Ver mais em http://www.clubcultura.com/clubliteratura/clubescritores/jodorowsky/ochopresenta.htm

Alejandro Jodorowsky personal quotes

Most directors make films with their eyes. I make films with my cojones.
I ask of film what most North Americans ask of psychedelic drugs.
I don't live in France, I live in myself.
If you are great, El Topo is a great picture. If you are limited, El Topo is limited.
http://www.sensesofcinema.com/contents/directors/07/jodorowsky.html