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sábado, setembro 07, 2013

Velhos e velhas, os criminosos que o Estado persegue

Afinal há justiça. Muitos criminosos estão a ser perseguidos e punidos de forma exemplar por delitos muito graves. É fácil detectá-los. São velhos e velhas que vivem de reformas de miséria, no interior cada vez mais desertificado do País. Uns, pegam no excesso de ovos caseiros que as suas galinhas produzem e vendem-nos. Sem recibo. Outros fazem pão no forno comunal e vendem-nos. Sem recibo. Outros ainda, dedicam-se aos seus crimes de volta do fogão, fazendo bolos e vendendo-os aos pequenos cafés locais. Sem recibo. Este estado de coisas, graças ao empenho das autoridades, está a terminar. Vejam como tudo começou e como tudo acaba ao longo de um artigo fundamental de que citamos uma pequena parte.
Procura-se mulher perigosa, com reforma de miséria, que faz bolos em casa e os vende sem recibo

«É que, e ao contrário de Espanha, Portugal não negociou acordos especiais para quem tem pequenos negócios. As consequências: toda a produção em pequena escala - cafés, restaurantes, lojas e padarias que tornam este país atractivo - é de facto ilegal. Só existem duas hipóteses, ou legalizam o seu comércio tornando-se grandes produtores ou continuam como fugitivos ao fisco. Até agora e de certa forma, isto era aceitável em Portugal mas neste momento, parece que o governo descobriu os verdadeiros culpados da crise: o homem modesto e a mulher modesta como pecadores em matéria de impostos. Como resultado, as autoridades fecharam uma série de casas comerciais e mercados onde dantes eram escoadas os excedentes das parcas produções dos pequenos produtores e transformadores, que ganhavam algum dinheiro com isso, equilibrando a economia local.»

Para ler o artigo na íntegra: Leila Dregger, «SUBSISTÊNCIA É RESISTÊNCIA» em Transição e Permacultura Portugal

quarta-feira, julho 25, 2012

Portugal a arder a arder a arder

Publiquei este desabafo no FB e que gostava que chegasse lá onde os generais estão perdidos nos seus labirintos. 
Vamos definir inimigo. Vamos equacionar ataque. E depois pensar em defesa. Podemos até meter o vocábulo «pátria» à mistura para enfatizar bem o tema. Pergunta: a partir de que momento é licito esperar que as nossas supostas forças de defesa nos defendam? Porque nós sustentamos um corpo militar excessivo, que está nos quartéis a limpar armas e a arrancar ervinhas das paradas, e a jogar às cartas enquanto a PÁTRIA ARDE. Têm todo o equipamento para enfrentar a tragédia, e homens na flor da vida, que nada fazem. Porque a sua sublime missão é prepararem-se para uma guerra de guerrilhas, nas nossas florestas (ahahahaha, quais? por este andar é melhor mudarem os jogos de guerra) se a Espanha nos invadir.
Mas como é o fogo, que se lixe a pátria. Eu, se fosse do Estado Maior, morria de vergonha de me apresentar em público inchada como um peru com o peito estufado de medalhas, e a consciencia de NADA ter feito para defender o meu país ameaçado pela catástrofe. Morria, juro. Mas se calhar somos feitos de massa diferente. (MG).
A fotografia é do mural de Filipa Roxa, juntamente com o seutestemunho. A Filipa é um Soldado da Paz, os verdeiros e únicos heróis. Para seguir o link:
https://www.facebook.com/photo.php?fbid=3466544308496&set=a.1268307273944.2035027.1417691969&type=1&theater

quarta-feira, junho 27, 2012

Cozinhar com excelência. Em português.

Uma salada muito simples. Tomate, um fio de azeite, flor de sal e orégão. Peixe grelhado no ponto. Pão de cereais. Três batatas cozidas ao vapor, polvilhadas de salsa picada. O jantar de ontem, tão simples, pôs-nos a falar sobre alimentação e sua simplicidade essencial: na essência, não há transcendência. O ponto certo do calor, o tempo exato de o aplicar, o tempero perfeito. E tudo português. O melhor azeite do mundo qual é? O melhor sal do mundo onde se encontra? E o peixe atlântico ao pé da porta, nas águas ainda frias que banham as nossas costas?
A conversa, longa, saltitante, hilariante por vezes, preencheu todos os momentos de saborear.
Sugestões:
Orégãos: comprem-nos aos molhos, na praça, NUNCA em pacotinhos de supermercado. Ou então, na Ervanária Rossil que os conserva na perfeição e vende mínimo 100 grs. que se aguentam muito bem e muito tempo.
Azeite: do produtor, de preferência. Visite o portal do Azeite, com noticias, prémios de excelência e marcas, região a região.
Sal: grosso, marinho, ou flor de sal de Castro Marim (a Vida Portuguesa entre outras, vende e envia à cobrança em embalagens lindíssimas, veja o blogue).
Sugestão adicional, uma visita por um blogue muito bem feito, com excelentes referências à dieta mediterrânea: Comer bem até aos cem.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

2012 versão solar



se houve chuva de estrelas, não as vi cair.
o sol continua a brilhar durante o dia todo.
à noite um passeio breve junto do lago, tão misterioso e tão escuro. As estrelas que andam pelo céu parecem firmemente pregadas no veludo negro do firmamento. Gosto de as situar no desenho perfeito das constelações.
quando estou longe daqui, é dos perfumes da serra e do mar e dos silèncios musicais que sinto mais falta.

segunda-feira, janeiro 02, 2012

2012 sessão inaugural




Como contas os dias? Pelo calendário gregoriano, pelo calendário maia, pelos batimentos cardíacos, pelas cruzes no papel da parede gasta, pelo relógio digital, pela memória de outros dias?

Oh, eu não conto essas coisa, disse ele. Os dias bebo-os e como-os. Deixo que se dissolvam na boca e na pele, mastigo-os segundo a segundo. E depois  embriago-me da vida que me trazem.

Dizes isso porque és louco, certo?, perguntou ela.

Claro. De outro modo, como poderia estar aqui a falar contigo, se tu não existes?

Ohoh! - o riso dela lembrava sinos de prata em pescoço de cabras selvagens - se fosse a ti não estava tão seguro. Além disso, combinámos que desta vez era eu que te inventava a ti.

Depois o mar cresceu muito depressa e engoliu-os aos dois.
E esta era uma história que se contava às crianças, nas noites sem lua, para lhes ensinar que coisa era  o medo. Acontece que a maior parte delas adormecia a rir.

sábado, agosto 06, 2011

A dona Joaquina das Zebras do Combro

Um destes dias, estimulei-a a recolher as suas receitas e publicar um livro de cozinha com os seus deliciosos pratos tão tradicionais. Escusou-se. As receitas, disse ela, não são suas para as poder divulgar como se lhe pertencessem. «E o seu toque? E as suas inovações?». Abanou a cabeça. Convicta, sem falsa modéstia, declarou que o «toque» não é traduzivel em palavras e não justifica que ponha em seu nome um património que é de todos. Não houve como fazê-la mudar de ideias. Já o filho, Henrique, tentara em vão. Até porque, na sua forma alquímica de misturar ingredientes da terra, fazendo-os passar pelo fogo, aromatizando-os com  perfumes do campo e temperando sempre a olho e por instinto, há sempre mudanças subtis. Como o humor.
Então falámos da vida. Da vida dela. E esta mulher inteligentíssima, que teve as letras a que podia almejar uma menina que vinha do campo servir para cidade, refere a forma como eram olhados todos os que desembarcavam na cidade, recém-chegados do Portugal profundo:
- Era como se, e por isso, fossemos estúpidos. E sendo mulher, ainda era pior. Ninguém acreditava que pudessemos ter inteligência e raciocínio. Era tão estranho, tão estranho, que ainda hoje eu sinto espanto pela maneira como nos olhavam.
Por essas e por outras, a menina donzela que a dona Joaquina era então, nunca quis servir em casas particulares. Porque, para além de acharem estúpidas todas as pessoas que vinham do campo para a cidade, e as mulheres mais ainda, achavam que as «criadas de servir» - como na época se designava o seu ofício - serviam para tudo, até para desenfastiar patrões. Por mais honesta que fosse a conduta de uns e de outros, nenhuma rapariga escava ao labelo que lhe colavam e que servia de mote e de riso quando, a serviçal despia a bata e ia de férias a casa.
Ainda hoje a dona Joaquina, mãos de ouro, cozinheira de excelência, mulher com uma inteligência acima da média, se espanta também com isso. Ouvi-la, é sempre uma lição.

quarta-feira, junho 15, 2011

Voltar da Terra e pôr os pés no chão



O encanto dos jardim público. A vantagem da sua proximidade. A saudade da terra brava nos campos mais belos do mundo. Os nossos. Mas e para que conste, as imagens têm umas semanas e foram caçadas durante o breve milagre azul dos jacarandás. A pedido do Rui, por ora em trânsito algures nas terras onde o Amazonas «corre em Trás-os-Montes» para desaguar no Tejo. Portugal no coração, nosso fado tropical. 

sábado, março 12, 2011

plantar uma árvore em Espariz

quatro filhos, nove livros (por enquanto)... faltava a árvore? Já está. Na quinta da Cristina, em Espariz. Sob a orientação do senhor António, com a Adelaide a olhar de longe. Um frio de rachar, digo-vos eu.
É uma ameixoeira. Vai crescer no meio de muitas outras árvores dos mais diversos frutos, algumas das quais plantadas, também, por amigos. Depois, no pomar com que ela sonha, vamos ter uma placa com o nome. Todos juntos num pedaço de chão negro e fértil, terras maravilhosas onde ainda existem joaninhas, abelhas, minhocas e cobras, coelhos bravos, raposas tímidas e muitos pássaros. Desses que andam soltos pelo ar.

quarta-feira, outubro 06, 2010

Aljezur: arte de rua e cozinha regional












Este mural encantador tapa as misérias de um prédio a cair de velho, dando vida às suas paredes gastas. Este tipo de intervenções é arte, digam o que disserem. Arte de rua, expontânea, popular e generosa. Mesmo ao lado, um monumento à gastronomia do Sul. Restaurante pequeno, nada pretencioso, mas com uma cozinha soberba. Só para abrir o apetite, espreite-se a lista: Entradas: Percebes da costa e Morcela de farinha. Sopas: Sopa do quintal. Peixe: peixe cozido; Carapaus alimados com batata doce; Arroz de tamboril; Grão com chocos; Peixe grelhado e Feijoada de Búzios. Carne: Galinha de cabidela com batata e Ensopado de borrego à moda de Aljezur. Doces: Pastel de batata doce, Fritos de Aljezur e Bolo de batata doce. É tudo entre o bom, o óptimo e o excelente.  Nomes e moradas, please? Com o maior prazer: Restaurante Ruth o Ivo, Rua 25 de Abril, 14, Aljezur.