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sexta-feira, maio 16, 2014

Sentir-te na pele até às entranhas

A propósito do meu envolvimento com o PAN - na medida do que me é possível, deixo aqui um memo sobre as razões que levam pessoas tão diversas como as que para minha e nossa alegria vamos conhecendo neste percurso. É uma espécie de maior denominador comum, o que nos move

Ao contrário do que muita gente pensa e não diz, ou diz e nem pensa, a empatia é uma qualidade humana muito abrangente que não se detém em fronteiras. Pode ser desenvolvida pela educação e pelo meio em que se está inserido, mas é fortemente inata. Em maior ou menor grau. Estou convencida que tem a ver com a imaginação. Quando conseguimos sentir na pele o que outro poderá estar a sentir, deixamos o pequeno mundo onde vivemos acobertados pela entidade esquiva e instável a que chamamos «eu» e descobrimos o infinito mundo dos outros. Para o melhor mas também para o pior. Assim, defender quem não tem voz, torna-se inevitável. Não é por se ser «bonzinho» ou «boazinha». É por não se ter escolha. Num mundo onde se considera a crueldade sempre gratuita como natural, indispensável, e até de bom gosto, estar do lado dos que são vitimas dessa mentalidade é inevitável. Para não se enlouquecer de impotência e de desgosto.



 

domingo, agosto 25, 2013

E as touradas? Pois, e as touradas.

A cultura da dor física, humana e animal, numa linha dicotómica em que homem é superior à besta e esta, por catarse, tem de ser vencida em combate público, vem de muito longe. Nessa dicotomia a 'besta' nem sequer tinha de ser necessariamente um animal. O inimigo era a 'besta'. O estrangeiro podia ser a 'besta'. O ser que adorava outro deus, não adorado na igreja local, veio, séculos mais tarde, a ser a 'besta', à luz da cultura católica, apostólica, romana.

Mas e acima de tudo, os combates de arena, cujo aparato quase todos conhecemos de ouvir falar, mas cujos bastidores naturalmente a maior parte desconhece, eram um grande negócio prodigiosos para várias partes. Para o poder, dispensá-los às massas era forma de afirmação e de prestigio. Para os intermediários, verdadeiras fortunas estavam em jogo.

Uma economia baseada na tortura e na dor, envolvendo quantidades prodigiosas de dinheiro, com a compra e venda, bem como com o negócio das apostas nas  criaturas vivas destinas ao espetáculo da morte, embora nem todo o espectáculo de circo romano tivesse que terminar num banho de sangue... para grande desgosto dos espectadores há que dizê-lo. Em todo o caso, os  gladiadores, ao entrar na arena, saudavam o imperador na sua tribuna, clamando:Salvé César, os que vão morrer saúdam-te. (Ave Caesar morituri te salutant).



Quem eram? Os derrotados em campos de batalha. Ou, à falta de matéria-prima, criminosos de vários delitos graves. Nomeadamente, gente arrestada pelo fisco, logo escravizada para vários fins, nomeadamente a arena. Para além dos humanos, consumiram-se milhões de criaturas nesta cultura de sacrifício, que ao prolongar-se por vários séculos ganhou direito ao honroso titulo de Tradição. 

De que se tratava? Homens e bestas a lutar entre si até à morte, eram espectáculos de pura diversão. Não serviam absolutamente para mais nada. A não ser para engrandecer o promotor dos mesmos - o imperador ou os seus legados nas terras do império -- e trazer as gentes felizes, ainda por cima quando cestos de pão eram distribuídos graciosamente pela assistência. 
A mentalidade mudou muito. Mas os atavismos enquistam e resistem. Para muitos e muitas, ainda é bom e exultante ver correr sangue vivo. As lutas de cães e de galos, acendem essa chama primitiva e bestial no sangue dos seus aficionados, por todo o mundo. Permitidas ou não. Acima de tudo, o mercado das apostas desse jogo clandestino é muito poderoso.

E as touradas? pois, e as touradas.