segunda-feira, janeiro 05, 2015

2015 na Zona Franca

Eu queria atravessar o ano como os passageiros clandestinos. Porém... o inesperado espera-nos quando menos esperamos. Vinte minutos antes da meia-noite lá estávamos nós, mais o cão, evidentemente, a entrar por aquele bar, restaurante, tertúlia, que serve refeições, e se prolonga por um espaço muito maior do que à entrada podemos supor, para terminar num pátio com telheiro e um enorme maracujá que floresce e frutifica disparatadamente e dá frutos dulcíssimos, vá-se lá saber porquê.



Lisboa é tão especial.

Antes do ano morrer, a história do lugar foi-nos contada por um dos associados fundadores deste espaço que fora, até há pouco, uma mercearia tradicional como muitas outras. Pachorrenta e imutável. Balcões velhos, prateleiras rombas do peso dos 'secos e molhados'. Porém, por trás do balcão havia uma sala com uma grande bola de espelhos a fazer de candeeiro, e vários quartinhos servidos por dois duches, extremamente exíguos. A mercearia era multiusos o que já não seria tão tradicional.

Agora, desses usos outros nada resta, melhor fora. Mas o espírito dos lugares é mais tenaz do que se pode pensar. A boémia, vivida de outra forma, é cultivada de formas plurais e muito felizes, ali onde se recita poesia, se fazem saraus literários e o mais que adiante se irá vendo. Sem esquecer que se come bem e barato, com a presença de gastronomias para todos os gostos, pratos veganos incluídos.

Afinal, o sitio tem o melhor nome que se podia arranjar, Zona Franca.


Desta inesperadíssima passagem de ano, com champanhe e tudo e passas engolidas de uma só vez, porque o raio dos desejos embrulha-se e a pessoa esquece-se logo do que estava a pedir antes, ainda trouxe mais. Uma história deliciosa. Um amigo de amigos que ali se encontravam, apaixonou-se por uma marroquina com idade para ser sua filha e casou-se com ela, deu-lhe uma motoreta e, naturalmente, cidadania portuguesa. Acima de tudo, deu-lhe a total liberdade de o amar apenas e só se quiser. Agora, em Fez, aquela miúda que anda por todo o lado de cara destapada na sua flamejante motinha, é a mulher mais livre daquela terra onde ser mulher é... o que se sabe.

Isto é lindo. Aconteça o que acontecer no desenrolar da história.
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