segunda-feira, outubro 12, 2015

«Ela pediu desculpa ao sapinho mas...»

A minha grande amiga Mozzaic, que vive em Las Vegas, contactou-me hoje com a seguinte mensagem:
Hoje estive a falar no Skype com a Iris e ela disse-me que odiou fazer a dissecação de um sapo para ciências. Ficou muito contrariada, pediu desculpa ao sapinho por esta a fazer-lhe aquela maldade mas precisava da nota. Que tal sugerir que as crianças têm direito a recusarem-se fazer crueldade aos animais, sobretudo agora que há vídeos interativos que substituem o ter que fazer uma crueldade para aprenderem. Eu pessoalmente sou contra esse método de ensino. E tu? O que achas?

Virtual frog dissection 

Respondi de imediato: «Acho ODIOSO». Há dois anos, a minha neta Maria desabafou comigo, pouco antes de uma aula: «temos de dissecar uma rã, mas não vou conseguir, acho horrível». Aconselhei-a a invocar «motivos éticos», o que ela fez. A professora aceitou, e não a penalizou na nota.  
Factos: muitos milhões de animais são dissecados todos os anos, no mundo inteiro, em aulas do ensino secundário e universitário (nalguns países isto começa na escola primária). Cada um destes animais retalhado e morto representa uma vida desperdiçada, e um contributo decisivo para uma mentalidade que encara o abuso de animais e do ambiente como natural e útil.
Cada um destes pequenos seres torturados em nome de uma falsa ciência – dado que existem muitas outras formas de se estudar anatomia – reforça a insensibilização de todos e cada um destes futuros adultos, face à natureza e aos outros seres que partilham connosco a casa comum, a Terra. E, consequentemente, a indiferença perante o Outro – humano ou não humano. Desde que pertença a um grupo diferente.
No ensino básico e secundário, as rãs constituem os exemplares mais utilizados. Mas também são utilizados ratos, coelhos, vermes, insectos, fetos de porcos, cães e peixes. Muitos são adquiridos em unidades de reprodução animal que os oferecem aos estabelecimento de ensino, destinando o grosso da produção aos laboratórios que utilizam animais nas suas experiencias. É um negócio que movimenta milhões, e só isso explica a sua existência… Alguns – segundo os estudos levados a cabo pela PETA – são caçados nos seus habitats naturais. Outros são animais de companhia roubados aos seus tutores ou até abandonados por estes.
O que podemos fazer? O que é justo e o que é certo. Invoquem-se motivos éticos, cívicos, ambientais. Leve-se o tema às reuniões das escolas. Porque há muitas outras formas de fazer ciência. Há programadas de computador que tornam obsoletos estes exercícios de falsa ciência. O que não dispensável é a saúde mental e psicológica das crianças e dos adolescentes a quem este tipo de exercício embrutece ou fere por demais. Ambas as consequências são terríveis. 
Nota positiva
Na Índia a PETA disponibilizou, gratuitamente, um softwear que permite aos estudantes aprenderem a dissecar sem terem de utilizar animais nos laboratórios. Acrescentem-se que a utilização massiva de rãs nestes exercícios está a colocar em perigo a biodiversidade pelo extermínio destes animais. Ver: Virtual Frog Dissection 

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