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quarta-feira, outubro 14, 2015

Onda sagrada me leva. Vamos?

Que Causas me movem? Que Causas nos podem unir? Penso nisso, dia e noite - sim, os sonhos ajudam-nos a encontrar caminhos se lhes pedirmos com bons modos - enquanto mergulho na cacofonia de notícias incompletas, desinformadas, conformadas ou rebeldes. 

Procuro o centro. O silêncio no meio do ruído. Procuro o norte solar, para lá do cabo do medo. Este medo que nos aprisiona há tanto tempo que já nem nos recordamos do seu nome. E, de tão habituados, já quase nem sentimos a mordida do seu látego. Acordo e sei que somos muitos. Somos mais, muitos mais do que os outros. E, no íntimo, sabemos para onde queremos ir. Só precisamos que nos recordem. 

Só precisamos que nos acordem.
Os caminhos do mar não têm segredos para o povo de marinheiros que somos. É por aí que podemos rasgar novas estradas e recriar mapas que não vêm nos mapas. Os mapas das estrelas. Os mapas do coração. 


Vamos?


Onda sagrada me leva
[créditos imagem: Deep sea creatures]


Mariza & Tito Paris 2008 Terra #7 Beijo da Saudade

segunda-feira, outubro 12, 2015

«Ela pediu desculpa ao sapinho mas...»

A minha grande amiga Mozzaic, que vive em Las Vegas, contactou-me hoje com a seguinte mensagem:
Hoje estive a falar no Skype com a Iris e ela disse-me que odiou fazer a dissecação de um sapo para ciências. Ficou muito contrariada, pediu desculpa ao sapinho por esta a fazer-lhe aquela maldade mas precisava da nota. Que tal sugerir que as crianças têm direito a recusarem-se fazer crueldade aos animais, sobretudo agora que há vídeos interativos que substituem o ter que fazer uma crueldade para aprenderem. Eu pessoalmente sou contra esse método de ensino. E tu? O que achas?

Virtual frog dissection 

Respondi de imediato: «Acho ODIOSO». Há dois anos, a minha neta Maria desabafou comigo, pouco antes de uma aula: «temos de dissecar uma rã, mas não vou conseguir, acho horrível». Aconselhei-a a invocar «motivos éticos», o que ela fez. A professora aceitou, e não a penalizou na nota.  
Factos: muitos milhões de animais são dissecados todos os anos, no mundo inteiro, em aulas do ensino secundário e universitário (nalguns países isto começa na escola primária). Cada um destes animais retalhado e morto representa uma vida desperdiçada, e um contributo decisivo para uma mentalidade que encara o abuso de animais e do ambiente como natural e útil.
Cada um destes pequenos seres torturados em nome de uma falsa ciência – dado que existem muitas outras formas de se estudar anatomia – reforça a insensibilização de todos e cada um destes futuros adultos, face à natureza e aos outros seres que partilham connosco a casa comum, a Terra. E, consequentemente, a indiferença perante o Outro – humano ou não humano. Desde que pertença a um grupo diferente.
No ensino básico e secundário, as rãs constituem os exemplares mais utilizados. Mas também são utilizados ratos, coelhos, vermes, insectos, fetos de porcos, cães e peixes. Muitos são adquiridos em unidades de reprodução animal que os oferecem aos estabelecimento de ensino, destinando o grosso da produção aos laboratórios que utilizam animais nas suas experiencias. É um negócio que movimenta milhões, e só isso explica a sua existência… Alguns – segundo os estudos levados a cabo pela PETA – são caçados nos seus habitats naturais. Outros são animais de companhia roubados aos seus tutores ou até abandonados por estes.
O que podemos fazer? O que é justo e o que é certo. Invoquem-se motivos éticos, cívicos, ambientais. Leve-se o tema às reuniões das escolas. Porque há muitas outras formas de fazer ciência. Há programadas de computador que tornam obsoletos estes exercícios de falsa ciência. O que não dispensável é a saúde mental e psicológica das crianças e dos adolescentes a quem este tipo de exercício embrutece ou fere por demais. Ambas as consequências são terríveis. 
Nota positiva
Na Índia a PETA disponibilizou, gratuitamente, um softwear que permite aos estudantes aprenderem a dissecar sem terem de utilizar animais nos laboratórios. Acrescentem-se que a utilização massiva de rãs nestes exercícios está a colocar em perigo a biodiversidade pelo extermínio destes animais. Ver: Virtual Frog Dissection