quarta-feira, março 18, 2009

Maria Adelaide Coelho nas Tardes da Júlia

A história seduziu não só a apresentadora e jornalista Julia Pinheiro, como a equipa toda. Produtores e realizador incluídos. Daí o «peso» que o tema ssumiu num dos programas (45 minutos!) com recurso a reportagens de exterior, e conversa em estúdio. No palácio, filmaram ambientes e documentação. Ouviram histórias. E seguiram o fio desta meada antiga.
O link dá remete para uma parte do programa:
http://195.23.58.155:8080/streamtv/2009/03/WMS_RM_FILTER/24184574.wmv

segunda-feira, março 16, 2009

«A história de uma mulher que não ficou calada»

Um dos jornalistas presentes na sessão de lançamento da biografia de Maria Adelaide Coelho, José António Machado, da revista Rosa 10, escreve citando o historiador Fernando Rosas:
“Manuela conta-nos a história de Maria Adelaide Coelho da Cunha com pormenor e rigor, como uma boa historiadora o sabe fazer. A história de uma mulher que não ficou calada, que não se submeteu, que não aceitou o hospício e a humilhação. Uma mulher que fez várias coisas espantosas, como deixar tudo para se entregar ao amor de um homem que era seu motorista e tinha metade da sua idade”, afirmou Fernando Rosas, que no final da sua intervenção referiu que este livro merecia ser adaptado para o cinema.»
Créditos da imagem e para ler mais: http://www.rosa10.com/detalhe.php?id=11170

Lançamento do meu livro no palácio de São Vicente




Na fotografia durante o lançamento, com o historiador Fernando Rosas a apresentar o livro. Estou-lhe muito grata pelas palavras com que apreciou estas páginas que rasgam uma janela sobre quotidianos e condição da mulher no primeiro quartel do século XX. Eduardo Boavida, director da Bertrand, ao lado direito, eu à esquerda, Clara Ferraz, actual dona do palácio, e Ana Gorjão Henriques, pela Penha Longa. O grande salão onde Maria Adelaide Coelho declamava os versos do marido e do filho, e as outras salas e os lindíssimos jardins, engalanaram-se para receber de volta a senhora que fugiu daqui no dia 13 de Outubro de 1918, e que só voltou agora... em biografia. Segundo a editora estariam umas 15o pessoas no palácio para este evento.

sexta-feira, março 06, 2009

«O escândalo por amor no séc. XX»

"Doida não e não!" é o modo de Manuela Gonzaga fazer justiça a uma mulher que trocou o luxo pela paixão -- é este o título do artigo publicado no Jornal de Noticias de 6 de Março de 2009, com assinatura de Liliana Carvalho Lopes:
"Está nas livrarias desde 20 de Fevereiro o sétimo livro de Manuela Gonzaga. "Doida não e não!" é a segunda biografia da escritora e será apresentado no dia 10, no Palácio de São Vicente de Fora. Maria Adelaide Coelho da Cunha, herdeira do fundador e co-proprietário do "Diário de Notícias", foi declarada louca e presa num manicómio pela sua ousadia. A 13 de Novembro de 1918, uma mulher rica, de 48 anos, troca a família e toda uma vida de riqueza e bem-estar pelo motorista, de 26, para viver o verdadeiro amor. [...].
Para ler mais: http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1158498

quarta-feira, março 04, 2009

A história de Maria Adelaide Coelho no Porto e em Braga

Foi uma verdadeira «tournée» a ida ao Norte com a história desta Mulher na agenda de contactos. Saldo, para já: um excelente artigo na página da Cultura do JN, com assinatura de Liliana Lopes; o feliz reencontro com algumas das pessoas que me documentaram sobre os ultimos 40 anos de vida de Maria Adelaide Coelho da Cunha e Manuel Claro, e uma deslocação a Braga para o programa «Livros e Rum», que, no seu segundo ano de vida, é já um culto. Uma hora de conversa intensa e interessantíssima com o investigador e autor, António Ferreira. A entrevista vai para o ar esta quinta-feira.
Adoro Braga, mas desta vez estive lá apenas o tempo deste encontro. Mas valeu a pena!!!
António Ferreira - Livros com Rum - Rádio Universitária do Minho: http://www.rum.pt/
Entretanto segunda-feira, na Antena 1, passou a entrevista com Ana Aranha, «À volta dos Livros», sobre esta biografia. E ontem, dia 3 de Março, na «energia» de um directo, «Portugal no Coração», tive a oportunidade, mais uma vez, de divulgar a história de Maria Adelaide, em entrevista conduzida com sensabilidade por Tânia Ribas e João Baião, estarrecidos pela força desta Senhora.

domingo, março 01, 2009

Nós e os outros, a propósito dos casamentos gay

Até agora, os argumentos do «Não» ao casamento gay deixam-me abismada. Um pouco mais e recorrer-se-ia ao Génesis. Espera: já se recorreu! Pela parte que me toca, nunca consegui descobrir se alguém era inteligente ou burro, decente ou canalha, solidário ou egoísta, através da sua cor de pele, religião, clube, sexo, ou orientação de género. Na verdade, já sou muito velha, e tenho uma imensa memória. A memória dos escritores. Por exemplo:
-- Cresci a ouvir chamar terroristas a pessoas que trinta anos mais tarde foram saudadas como nossos irmãos de luta e como heróis. Eram combatentes pela liberdade das suas pátrias, que eram a «nossa»: Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, São Tomé e Principe, Timor.
-- Cresci a ouvir defender, por gente mais ou menos próxima, mais ou menos remota, a superioridade de uma raça -- qual? tanto faz, mas no caso era aquela -- em deterimento da fatalidade genética da outra. Pois se deus tinha dado tanto sol e tantas bananas aos povos daquela região do globo, na verdade dispensara-os de trabalharem os seus cérebros. Aí chegaram os outros, os da «civilização», para equilibrar as coisas. Por acaso até foi deus que os enviou.
-- Cresci a assistir à submissão de grande parte das criaturas do sexo feminino ao paradigma bíblico. Pois se até eramos o subproduto de uma parte do corpo deles!
-- Cresci a ouvir dizer que a «nossa» era a única, a melhor, a total religião. Cresci a ver, com o olhar intenso da infância, com o olhar feroz da adolescência, e com o olhar espantado da juventude, gente muito boa, gente muito má, e gente banal ou excepcional, ao leme dos seus destinos.
-- Cresci ainda mais e, mergulhando no rio do tempo, percebi linhas de força aterradoras a nortear o poder subjacente aos destinos da casa de deus. E vi que Deus, o «meu» Deus, que aprendi a amar e tento guardar nos caminhos de cá, não morava ali.
-- Cresci cresci cresci e na tentativa de me manter criança, procuro guardar a inocência do olhar que não julga, nao mede, não fecha o coração ao coração dos outros. E depois, cansada de não encontrar deus em clubes restrictos povoados de hipócritas, encontrei este lema na essência das religiões quase todas. Não digo todas, porque não as conheço. Mas também vi que quase todas o perderam na estrutura temporal da sua vaidade e obsessão de poder.
-- Cresci a ouvir falar de decência e moral. Os pregadores -- de todos os sexos e de vários credos -- gritam muito alto, e cobrem-se de véus que facilmente se rasgam. Por baixo deles, estão invariavelmente nus. E cheios de feridas indecentes.
Cresci tanto que abandonei o «rebanho. Pensei: se deus quisesse que fossemos ovelhas ou vacas, ou animais que precisam de pastores, não nos dava cordas vocais sofisticadas -- para dizer muuuuuuuuu ou béeeeeeeeee -- intelecto, e um cerebro poderosíssimo do qual usamos uma minúscula parte. Além de que pastores e rebanhos é a velha história que termina no matadouro municipal ou na matança da aldeia. Não é uma relação em pé de igualdade.
Cresci ainda mais, e começei a navegar no rio do tempo.
Muitos mais véus se rasgaram. Senti-me muito só.
Mas muito muito livre. Graças a Deus.
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