Já está publicado e distribuído o Boletim Cultural Cira (Maio 2010). Vila Franca de Xira, Alhandra, Calhandriz e Vialonga são as freguesias abordadas nesta publicação ao nível histórico, social e patrimonial. Com o arqueólogo Rui Gomes Coelho assino «Alhandra, a greve de 8 e 9 de Maio de 1944», (pp. 177-200).
Este é autor de um outro trabalho, muito interessante: «Telhais -- uma abordagem aos fabricos de cerâminica de construção em Alhandra (séculos XVIII-XX)», (pp. 83-106).
A belíssima capa é de autoria de Ivone Ralha, e o Boletim, cuja edição cuidada e qualidade dos artigos é de sublinhar, é uma edição do Pelouro da Cultura, Museu Municipal, da Câmara de Vila Franca de Xira.
segunda-feira, maio 31, 2010
quinta-feira, maio 20, 2010
António Variações em Silves
Sábado, pelas 18 horas, vou estar em Silves a recordar António Variações. O convite para integrar esta tertúçia partiu da Câmara Municipal e integra-se no contexto do Ciclo musical PERSONA, que ao longo deste ano já levou aquela cidade as figuras de SCHUMANN, CHOPIN, JOSÉ AFONSO e CAETANO VELOSO.
A sessão, informal e participada, começa às 18 horas. O link remete para mais detalhes e outras presenças.
A sessão, informal e participada, começa às 18 horas. O link remete para mais detalhes e outras presenças.
quinta-feira, maio 13, 2010
Terceira aventura de André quase concluída
Estou na última etapa da terceira aventura do André. Há uma semana que ando de roda de único um capítulo, e estou tão cansada como se estivesse a fazer uma maratona. O raio da televisão não serve de contraponto, tão útil nestas alturas. É só papa, e mais papa e papa o tempo todo. Três canais mais um, a noticiar a visita 'segundo a segundo', comentando-a ad nauseam. Ratzinguer overdose. Não havia necessidade, bolas, por muito genético que seja o catolicismo português (outra expressão repetida até às últimas consequências).
Pausa.
Estou tão próximo de acabar mais um livro. Mas os minutos e as horas pesam como chumbo nesta ultima etapa em que a trama converge para o seu ponto fulcral.
Entretanto, sexta e sábado vou estar na Feira do Livro. No pavilhão da Bertrand dia 14, pelas 18 horas; no dia 15 pelas 18 horas na Oficina do Livro/Leya.
Pausa.
Estou tão próximo de acabar mais um livro. Mas os minutos e as horas pesam como chumbo nesta ultima etapa em que a trama converge para o seu ponto fulcral.
Entretanto, sexta e sábado vou estar na Feira do Livro. No pavilhão da Bertrand dia 14, pelas 18 horas; no dia 15 pelas 18 horas na Oficina do Livro/Leya.
quarta-feira, abril 21, 2010
O primeiro livro que recordo com amor profundo
Nesses tempo ainda não sabia ler. Era um livro muito grande, agigantado pelo tamanho da criança de quatro, cinco anos que eu era.
Chamo-lhe «meu» mas estava na casa de Lisboa, à minha espera quando vinha de férias. Guardado dentro de uma caixa, num armário alto. Tinham de mo ler, e ouvi-o vezes sem conta, sem nunca me cansar da história. Tinha ilustrações belíssimas, algumas pintadas com purpurinas coloridas. Passava a ponta dos dedos sobre elas, em estado de maravilha. Era uma vez um um belo principe muito mau e uma bela princesa muito boa. Penso que eram italianos. Ele gostava da guerra, da caça, e entrava a cavalo nas igrejas. Chicoteava todos os que se lhe atravessavam no caminho. Encontrou-a assim, um dia, a rezar numa catedral. O sol iluminava os cabelos de oiro dela, atravessando um vitral precioso, que os meus olhos e o meu dedo indicador, cuidadosamente, seguiam na gravura. Ele amou-a desvairadamente. Ela respondeu-lhe com uma indiferença total. Só poderia vir a amá-lo, disse, se ele mudasse completamente. Ele mudou muito, mas ela não acreditou. Só acreditaria quando ele mudasse verdadeiramente. Ou seja, no coração.
O principe pôs-se à disposição da lindíssima princesa: faria tudo o que fosse preciso para a convencer da sua mudança, tamanho era o amor que lhe tinha. Ela pediu-lhe, muito simplesmente, que fosse acender uma vela num lugar sagrado, e remoto - seria Jerusalém? - e transportar aquele fogo, sem nunca se apagar, até à catedral onde se tinham visto pela primeira vez e aí levá-lo até ao altar-mor. O principe achou que esta era a tarefa mais fácil do mundo, e não pensou duas vezes. Foi, acendeu a vela e regressou à sua pátria.
Mas aí é que a aventura se tornou emocionante. Para tomar conta daquele fogo, sofreu infinitamente. Não conseguia dormir, ou alimentar-se convenientemente, no sobressalto de deixar apagar a chama. A viagem durou muito tempo, e ele ficou magro, roto, e tornou-se alvo da chacota de todos. A história correu de boca em boca, e agora, sabendo-o vulnerável, e considerando-o louco, a chusma acompanhava-o, num alarido de escárnio, à saída e entrada das vilas e cidades e povoações. Do antigo principe arrogante e mau, restava apenas um pobre doido a proteger uma chama com a própria vida.
Quando finalmente chegou à sua cidade, dirigiu-se para a catedral, rodeado por uma multidão ululante e perigosa. Mendigos puxavam-lhe o manto e tentavam apagar a chama. Atiravam-lhe pedras. Insultavam-no. Em silêncio, uma mão nas rédeas do cavalo, exausto também ele, o principe acabou por chegar à igreja, sob a atoarda da multidão que agora o escarnecia aos gritos. Uma pedra acertou-lhe na fronte. Gotas de sangue escorreram-lhe pelo rosto. E ele sempre impávido.
Desmontou e entrou na Igreja a cambalear, as mãos em concha a proteger o fogo. Subitamente, uma pomba que vinha a fugir de um falcão vai de encontro a ele e apaga a chama.
O principe cai mesmo à entrada da igreja, ao fim de não sei quanto tempo de peregrinação -- anos, decerto! -- e começa a chorar. Subitamente ergue-se um clamor no templo. A pomba tem as asas em chamas. Enlouquecida, voa pelo templo, às cegas. Mas quanto mais voa, mais arde. Acaba por morrer sobre o altar, levando às velas que ali se encontram o fogo que o príncipe trouxe da Terra Santa.
Lembro-me das chamas, em purpurinas vermelhas e douradas. Do principe deitado no chão, vestido com uma capa escura e toda rota. Da pomba a arder. Das velas. Do rosto da princesa, a olhar para trás, o rosto iluminado de amor. Mas noutro dia, quando numa entrevista breve me perguntaram sobre os meus livros, a minha biblioteca, os que guardo e os que ando a ler, esta obra foi, naturalmente, esquecida.
Já não o tenho. Há muitos, muitos, muitos, anos que deixei de o ver. Já não existe o armário enorme onde se guardava. Ou melhor, perdi-lhe o rasto. A casa também não. Uma vez fui lá, e percebi que embora parecesse a mesma, tinha mudado de alma. Na verdade, as pessoas adoráveis que mo liam e reliam, minhas tias avós e bisavós, desapareceram há muito.
Mas uma história destes, que se guarda mesmo antes de se saber ler, pode considar-se uma referência. Acima de tudo, é o objecto livro que recordo com uma indizível saudade. Sobretudo porque, ignorando tudo o mais a seu respeito -- titulo, autor, editora -- jamais o poderei reencontrar.
A não ser na memória que ainda guardo dele.
Chamo-lhe «meu» mas estava na casa de Lisboa, à minha espera quando vinha de férias. Guardado dentro de uma caixa, num armário alto. Tinham de mo ler, e ouvi-o vezes sem conta, sem nunca me cansar da história. Tinha ilustrações belíssimas, algumas pintadas com purpurinas coloridas. Passava a ponta dos dedos sobre elas, em estado de maravilha. Era uma vez um um belo principe muito mau e uma bela princesa muito boa. Penso que eram italianos. Ele gostava da guerra, da caça, e entrava a cavalo nas igrejas. Chicoteava todos os que se lhe atravessavam no caminho. Encontrou-a assim, um dia, a rezar numa catedral. O sol iluminava os cabelos de oiro dela, atravessando um vitral precioso, que os meus olhos e o meu dedo indicador, cuidadosamente, seguiam na gravura. Ele amou-a desvairadamente. Ela respondeu-lhe com uma indiferença total. Só poderia vir a amá-lo, disse, se ele mudasse completamente. Ele mudou muito, mas ela não acreditou. Só acreditaria quando ele mudasse verdadeiramente. Ou seja, no coração.
O principe pôs-se à disposição da lindíssima princesa: faria tudo o que fosse preciso para a convencer da sua mudança, tamanho era o amor que lhe tinha. Ela pediu-lhe, muito simplesmente, que fosse acender uma vela num lugar sagrado, e remoto - seria Jerusalém? - e transportar aquele fogo, sem nunca se apagar, até à catedral onde se tinham visto pela primeira vez e aí levá-lo até ao altar-mor. O principe achou que esta era a tarefa mais fácil do mundo, e não pensou duas vezes. Foi, acendeu a vela e regressou à sua pátria.
Mas aí é que a aventura se tornou emocionante. Para tomar conta daquele fogo, sofreu infinitamente. Não conseguia dormir, ou alimentar-se convenientemente, no sobressalto de deixar apagar a chama. A viagem durou muito tempo, e ele ficou magro, roto, e tornou-se alvo da chacota de todos. A história correu de boca em boca, e agora, sabendo-o vulnerável, e considerando-o louco, a chusma acompanhava-o, num alarido de escárnio, à saída e entrada das vilas e cidades e povoações. Do antigo principe arrogante e mau, restava apenas um pobre doido a proteger uma chama com a própria vida.
Quando finalmente chegou à sua cidade, dirigiu-se para a catedral, rodeado por uma multidão ululante e perigosa. Mendigos puxavam-lhe o manto e tentavam apagar a chama. Atiravam-lhe pedras. Insultavam-no. Em silêncio, uma mão nas rédeas do cavalo, exausto também ele, o principe acabou por chegar à igreja, sob a atoarda da multidão que agora o escarnecia aos gritos. Uma pedra acertou-lhe na fronte. Gotas de sangue escorreram-lhe pelo rosto. E ele sempre impávido.
Desmontou e entrou na Igreja a cambalear, as mãos em concha a proteger o fogo. Subitamente, uma pomba que vinha a fugir de um falcão vai de encontro a ele e apaga a chama.
O principe cai mesmo à entrada da igreja, ao fim de não sei quanto tempo de peregrinação -- anos, decerto! -- e começa a chorar. Subitamente ergue-se um clamor no templo. A pomba tem as asas em chamas. Enlouquecida, voa pelo templo, às cegas. Mas quanto mais voa, mais arde. Acaba por morrer sobre o altar, levando às velas que ali se encontram o fogo que o príncipe trouxe da Terra Santa.
Lembro-me das chamas, em purpurinas vermelhas e douradas. Do principe deitado no chão, vestido com uma capa escura e toda rota. Da pomba a arder. Das velas. Do rosto da princesa, a olhar para trás, o rosto iluminado de amor. Mas noutro dia, quando numa entrevista breve me perguntaram sobre os meus livros, a minha biblioteca, os que guardo e os que ando a ler, esta obra foi, naturalmente, esquecida.
Já não o tenho. Há muitos, muitos, muitos, anos que deixei de o ver. Já não existe o armário enorme onde se guardava. Ou melhor, perdi-lhe o rasto. A casa também não. Uma vez fui lá, e percebi que embora parecesse a mesma, tinha mudado de alma. Na verdade, as pessoas adoráveis que mo liam e reliam, minhas tias avós e bisavós, desapareceram há muito.
Mas uma história destes, que se guarda mesmo antes de se saber ler, pode considar-se uma referência. Acima de tudo, é o objecto livro que recordo com uma indizível saudade. Sobretudo porque, ignorando tudo o mais a seu respeito -- titulo, autor, editora -- jamais o poderei reencontrar.
A não ser na memória que ainda guardo dele.
quinta-feira, abril 08, 2010
"Mirabilia, Bestiários e Gabinetes de Curiosidades:

Integrada no ciclo BICHOS E OUTRAS MARAVILHAS, coordenado por Maria Adelina Amorim [ACLUS- Associação de Cultura Lusófona/ Faculdade de Letras da Universidade Lusófona], realizam-se este sábado dia 10 de Abril, pelas 15 horas, as conferências:"Bichos e monstros ou a invenção das mirabilia"
(Maria Adelina Amorim)
"Mirabilia, Bestiários e Gabinetes de Curiosidades:
um lento cruzar de fronteiras"
(Maria Adelina Amorim)
"Mirabilia, Bestiários e Gabinetes de Curiosidades:
um lento cruzar de fronteiras"
(Manuela Gonzaga, Edilson Motta)
"A iconografia do Animal na Pintura Portuguesa"
(Vitor Serrão)
"A iconografia do Animal na Pintura Portuguesa"
(Vitor Serrão)
Local: Museu da Cidade
Entrada: livre
quarta-feira, abril 07, 2010
Histórias esquisitas, memórias estranhas
Ele queria ouvir histórias estranhas, qualquer coisa entre X Files e Start Treck. 
E pensava que Alex e Zyra podiam ter muitas para nos contar. «OK», disse Alex «queres saber coisas sobre as bases lunares secretas? Aquelas que os primeiros astronautas viram quando lá chegaram, imponentes edificios abandonados, tão antigos que nem foi possível ainda datá-los, quanto mais saber quem os fez...» - acrescentou.
«Claro! Absolutamente!»disse DK. Depois quis saber se era material classificado.
«Sim, quase todo. Até hoje, respondeu Alex .
«Quando e onde conseuiste essa informação? Na Rússia?» perguntou DK .
Alex começou a rir: «Eh pá, isto está tudo na internet. Credível ou não, cabe-te a ti decidir e procurar.»
«Então não quero saber», respondeu DK. «Só me interessam histórias passadas contigo. Coisas engraçadas, ou malucas, ou transcendentes, ou secretas.»
Alex pensou um bocado. Depois disse: «Uma vez, numa situação de perigo enorme, escapei por um buraco tão pequeno que, mais tarde, quando tentei perceber o que acontecera, nem a minha própria cabeça conseguia passar por ali. E no entanto, tinha saltado de um quarto para o campo através desse orifício. Em segundos. E não fiquei com uma única beliscadura.»
Olhamos para ele respeitosamente. Imaginámo-lo de camuflado, talvez de armas na mão, numa noite escura, perseguido sabe-se lá por quem. O que teria o quarto? Artefactos prodigiosos, armas atómicas, inimigos aprisionados?
«Oh, nada disso. Foi na quinta da minha mãe. Era Inverno, noites com temperaturas 30º abaixo de zero. Nesse quarto estava uma porca e eu fui-lhe levar os seus leitõezinhos, já de manhã, porque domiam em casa por causa do frio. Um deles guinchou, e ela achou que eu o estava a magoar, e virou-se para me agredir. Foi horrível. Era enorme, medonha, cheia de dentes e de fúria… barrou-me a saída. Só havia esse buraco na parede. Eu era adolescente, já tinha quase o tamanho que tenho hoje, e…».
DK olhou-o sem expressão. «Não me importo nada que as histórias que me contam sejam verdadeiras ou mentirosas. Gosto é que sejam boas.»
«Mas esta é uma história verdadeira! No dia seguinte toda a gente foi tentar perceber como era possível...» – Alex, olhos verdes, quase dois metros de altura, uma largura de ombros impressionante, mãos de ferro, numa gargalhada interminável.
«Uma porca? Leitoezinhos? A quinta da mãe???? Que merda de história é essa? Não podias ter transformado isso numa cena de espionagem, de guerra, de ficheiros secretos? Até podias pôr aliens, mas… leitõezinhos???»
«Tá bem, eu conto outra» – respondeu Alex engasgado de rir. Zyra e eu, nem conseguíamos falar.

E pensava que Alex e Zyra podiam ter muitas para nos contar. «OK», disse Alex «queres saber coisas sobre as bases lunares secretas? Aquelas que os primeiros astronautas viram quando lá chegaram, imponentes edificios abandonados, tão antigos que nem foi possível ainda datá-los, quanto mais saber quem os fez...» - acrescentou.
«Claro! Absolutamente!»disse DK. Depois quis saber se era material classificado.
«Sim, quase todo. Até hoje, respondeu Alex .
«Quando e onde conseuiste essa informação? Na Rússia?» perguntou DK .
Alex começou a rir: «Eh pá, isto está tudo na internet. Credível ou não, cabe-te a ti decidir e procurar.»
«Então não quero saber», respondeu DK. «Só me interessam histórias passadas contigo. Coisas engraçadas, ou malucas, ou transcendentes, ou secretas.»
Alex pensou um bocado. Depois disse: «Uma vez, numa situação de perigo enorme, escapei por um buraco tão pequeno que, mais tarde, quando tentei perceber o que acontecera, nem a minha própria cabeça conseguia passar por ali. E no entanto, tinha saltado de um quarto para o campo através desse orifício. Em segundos. E não fiquei com uma única beliscadura.»
Olhamos para ele respeitosamente. Imaginámo-lo de camuflado, talvez de armas na mão, numa noite escura, perseguido sabe-se lá por quem. O que teria o quarto? Artefactos prodigiosos, armas atómicas, inimigos aprisionados?
«Oh, nada disso. Foi na quinta da minha mãe. Era Inverno, noites com temperaturas 30º abaixo de zero. Nesse quarto estava uma porca e eu fui-lhe levar os seus leitõezinhos, já de manhã, porque domiam em casa por causa do frio. Um deles guinchou, e ela achou que eu o estava a magoar, e virou-se para me agredir. Foi horrível. Era enorme, medonha, cheia de dentes e de fúria… barrou-me a saída. Só havia esse buraco na parede. Eu era adolescente, já tinha quase o tamanho que tenho hoje, e…».
DK olhou-o sem expressão. «Não me importo nada que as histórias que me contam sejam verdadeiras ou mentirosas. Gosto é que sejam boas.»
«Mas esta é uma história verdadeira! No dia seguinte toda a gente foi tentar perceber como era possível...» – Alex, olhos verdes, quase dois metros de altura, uma largura de ombros impressionante, mãos de ferro, numa gargalhada interminável.
«Uma porca? Leitoezinhos? A quinta da mãe???? Que merda de história é essa? Não podias ter transformado isso numa cena de espionagem, de guerra, de ficheiros secretos? Até podias pôr aliens, mas… leitõezinhos???»
«Tá bem, eu conto outra» – respondeu Alex engasgado de rir. Zyra e eu, nem conseguíamos falar.
segunda-feira, abril 05, 2010
O Coelho e o Bisonte

O Coelho e o Bisonte estavam à nossa espera em Paço d'Arcos. A mesa estava linda, e os manjares não paravam de chegar. O gato estava deitado no sofá tigre. Veio de Porto Santo. Está triste. Tinha o espaço todo para correr, e agora tem uma janela para espreitar pombos. O Alex pensa que ele vai ser muito feliz em casa da mãe, na Ucrânia, muito perto da floresta de onde vieram os cogumelos secos, sensacionais, que coroaram em glória os golubtsi (rolinhos de couve com recheio de carne tão típicos da cozinha ucraniana).
Estava tudo delicioso. A salada, as carnes (balek) e o peixe (kopchena-reba) fumados artesanalmente, os bombons recheados com um nome impossível de decorar (stojare), que viajaram de Kiev até aquele pequeno apartamento que o Alex transfigurou com móveis reciclados, e tintas de boa qualidade, e muito bom gosto. E amor.
Zoryana cozinhou. Deve estado um dia inteiro a produzir aquele banquete com que nos receberam na casa nova. Influências distintas de alguns anos em Portugal determinaram um almoço/jantar com entrada francesa (vieiras gratinadas), prato forte (golubtsi) e aperitivos múltiplos ucranianos, e um último prato português. Um bacalhau multicultural.
Nós levámos os vinhos de produção restricta. Mas o Bisonte (Zubrivka), que já lá estava, impôs-se mais do que devia. Veio do sul da Ucrânia, cheio de fogo.
O Coelho da Páscoa não se importou.
A viagem para casa foi estranha.
A conversa, as histórias, as gargalhadas partilhadas durante horas e horas, ficam para outro post.
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