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terça-feira, setembro 08, 2015

Alegria de viver

Trago do mural da minha candidatura no facebook, o texto de hoje:

«La joie de vivre»

Hoje o mundo dói-me tanto, que a única coisa a fazer é cobrir-me de alegria para enfrentar a violência da dor que alastra na maré negra dos ódios. Não é ignorar. Tão-pouco retirar-lhes a importância. É usar as armas que disponho. A começar pela gratidão constante pelo que ainda temos de paz, amor, tecto e pão. A gratidão que me impede de perder as forças. O combate é todos os dias. 

O primeiro inimigo que encontro é o cavalo louco dos pensamentos sem freio. Os meus. Os nossos. O segundo inimigo é o medo. O medo instilado gota a gota no nosso coração, já que nos querem escravos e o medo é o melhor freio que existe para nos escravizarem. O terceiro inimigo é o hábito, que tudo acaba por tolerar e sofrer e aceitar.

Muito trabalho de casa, portanto. Assim, como recusar a alegria que vem nem eu sei bem de onde mas que se espelha nos mais pequenos gestos, nos mais pequenos detalhes? Hoje, vou tentar seguir um dos lemas de uma mulher que me irritava um bocadinho até a conhecer muito melhor, quando há quase trinta anos li a biografia extraordinária e seriíssima assinada por Ida Friederike Goerre. O lema, e cito de cor: «Fazer na perfeição as coisas mais insignificantes». Ficou conhecida como Santa Teresa do Menino Jesus da Santa Face. A Santa Teresinha das pagelas pirosas. E que grande mulher foi ela.

Nota - há outros santos e santas que me inspiram. De várias religiões diferentes. A sacralidade da Vida é total. Cabe em todos os cultos. E abarca todas as formas de viver. Desde o coração do átomo aos confins do que chamamos universo.

sábado, agosto 22, 2015

Uma candidatura da base da pirâmide

A opinião pública é facilmente divisível e previsível. Neste caso, tratando-se das candidatas ou candidatos à mais alta magistratura da Nação, por um lado, censura-se asperamente alguém por ser reconhecidamente ligado/a aos dois aparelhos partidários que partilham, em ciclos alternados, o ofício de reinar sobre a república Portuguesa nos últimos quarenta anos. Por outro, ironiza-se ou censura-se, com maior ou menos aspereza, quem não teve ligações nenhumas a nenhum partido do eixo da governação.

Acontece que a minha, é uma candidatura fora do baralho. E acontece que a minha, é uma voz que emerge da base da pirâmide social para ser Voz de quem a não tem. E acontece também que, sem ligações partidárias anteriores, até me ter filiado no PAN - Pessoas, Animais, Natureza, desde há quase quatro anos que participo activamente na vida deste partido. Inclusive, integro a Comissão Política Nacional. Com todas as responsabilidades e envolvimento que tal integração pressupõe.

Já discuti, em Congresso e fora dele, política, e debati programas em várias áreas. Dias a fio, a começarem cedo e a acabarem tarde. Já distribuí flyers - com propostas de campanha, mas também com poemas de grandes poetas portugueses no verso porque defendo e defendemos que a cultura é a alma de um povo; já falei, já falámos, em praças, de megafone empunhado e com um som do aceitável ao medíocre; já desfilei, com os meus camaradas de pequeno partido, em marchas, com a bandeira do PAN, pelos direitos das pessoas, dos animais, do ambiente. Enfrentando a apatia, a ironia e até o desprezo que se recebe em troca; mas também o interesse, a curiosidade e a vontade de saber mais e ir aprofundar as questões da nossa agenda.

A segunda reacção, cada vez mais a prevalecer sobre a primeira.

Sou desconhecida do grande público - mas isso é defeito? - embora tenha doze livros publicados, alguns com várias tiragens e uma excelente recepção pública. Livros que a imprensa especializada, de forma ostensiva, ignora, ano após ano. Livros quase todos eles, referenciados em meios académicos, integrando inclusivamente curricula em universidades como a de Aveiro, a Lusófona, a Nova, e, em tempos a de Georgetown  (estudos portugueses). E isto que eu saiba. Três deles, já estão traduzidos e editados em francês.

Sou historiadora. Com mestrado. E ligação, como investigadora, ao CHAM. Adoro o pó dos livros. Adoro os caminhos da História - permite-nos ver os quadros no seu conjunto. Permite-nos viajar pelo séculos dos séculos, relativizar o que é relativizável e privilegiar o que é fundamental. Ajuda-nos a entender. Dá sentido aos nossos ideais, se os tivermos, porque são de sempre. Além de que nos coloca na exacta posição a que pertencemos. Uma gotinha de água no oceano dos tempos.

E ainda assim, sem fanfarras, nem grandes aparelhos partidários a suportarem a minha candidatura, que em menos de duas semanas, a minha página de facebook está quase nos mil gostos.

Há quem queira saber mais. Há quem goste de ver, para ter opinião. Oxalá fossem todos assim, para acordarmos mais depressa. E tornarmos esta vida colectiva mais decente, mais justa, mais aceitável.


Auditório 1, Torre B, FCSH, Universidade Nova de Lisboa
Apresentação da candidatura