segunda-feira, maio 07, 2012

Parábolas do amor perfeito

O amor perfeito não tem definição possivel. As palavras perdem dimensão na radiância da sua luz. Os encontros fazem-se de eternidades. Os desencontros são ilusões. O fim é apenas outro termo para designar mutação. E sempre é para sempre.

terça-feira, abril 17, 2012

Duas perguntas a Juan Carlos rei de Espanha

Senhor, o que sente quando tira a vida a um animal muito mais belo, muito mais inteligente e  infinitamente mais nobre do que vossa majestade?
Senhor, o que sente ao dilapidar recursos do seu país em crise económica tão grave, para se dedicar ao  exercício medonho e fútil de matar por prazer, cobardemente longe do inocente alvo, rodeado de segurança e sem dar ao opositor a mínima possibilidade de se defender?
dois monstros e um rei morto
O trágico episódio, no tempo da sua infância em Cascais, durante o qual morreu o seu irmão, poderia ter-lhe causado horror a armas. Qual o quê... :

algumas (de muitas) reacções:
Spaniards livid over King Juan Carlos's elephant hunt.                   
Una reflexión, Su Majestad
As críticas cercam o rei Juan Carlos
Uma pena o Rei de Espanha não ter partido a tromba

sexta-feira, abril 13, 2012

E Deus criou a Terra e Monsanto roubou-a e pôs-se a destrui-la

Num planeta assim, não vale a pena viver.
Num planeta assim, não é possivel viver.
Impossivel ignorar, enquanto ainda vamos a tempo de impedir.
Mas temos de ser TODOS. Repito: TODOS. Para impedirmos que nos roubem o ar que respiramos, a água que bebemos, a terra e suas sementes que a mais pavorosa das corporações nos está a roubar. País por país.

Por Daniel Deusdado, um artigo fundamental de que citamos:
A Monsanto é a mais importante empresa mundial produtora de transgénicos. Atrai os agricultores através de um marketing aliciador de melhores colheitas. Mas os alimentos obtidos a partir de sementes alteradas laboratorialmente, cujo ADN não é compreendido pelos organismos humano ou animal, arrastam interrogações que não compreendemos antecipadamente. Foi assim que se alimentaram herbívoros com rações à base de carne e se rompeu uma lei da natureza. Esta experiência foi um dos motivos apontados para o surto da doença das vacas loucas.
Para ler o resto: A ditadura chegou ao campo - JN

quinta-feira, abril 05, 2012

O perfecionismo inconsciente

A Mimi é um sol. Brilha mesmo quando chove, e o tempo agora é tempestuoso na vida de nós todos. Entretanto, é preciso rir. E se ela sabe rir!! Conversa de amigas, ao telefone, a falar da vida, da vidinha e por fim, do meu próximo livro que nunca mais me deixa em paz. Aí, ela não se conteve:
- Isso é porque tu és de um perfecionismo absolutamente inconsciente!!! Safa, mulher!
Nunca me senti tão elogiada com um insulto. E nunca me senti tão feliz por ser insultada.
Abençoados os Amigos que nunca deixam de ser crianças e nos tratam como a criança que nunca deixámos de ser. 

domingo, abril 01, 2012

O ouro do Peru


E foi então que uma notícia extraordinária chegou a Castela. Pizarro entrara em Cuzco, nos Andes, cidade erguida no Vale Sagrado dos Incas, capital do seu império. Avançando pelo planalto andino, atravessara serras e florestas, vencera perigos e emboscadas, espantado com a sua ordem e inconcebível abundância. Por fim, prendera o seu rei e apropriara-se do ouro, da prata, das esmeraldas, das roupas e dos rebanhos de Atahualpa, assombrado com a simplicidade com que o desgostosíssimo soberano lhe explicava que aquelas vasilhas descomunais, aqueles pratos e copos, aquele potes e cântaros e tinas e braseiros, todos em metais preciosos, e todos preciosamente lavrados, eram objetos do quotidiano e que se quisesse mais ouro e prata e esmeraldas lhos mandaria entregar em quantidade suficiente para encher até ao telhado a sala onde se encontravam a ter esta conversa. Assim ele lhe devolvesse a liberdade[i].

[mais um pequeno extracto do meu próximo livro, a chegar ao fim]


[i] Santa Cruz, op. cit, III, IV Parte, caps. xxxiv, xxxix e xl.

sexta-feira, março 30, 2012

O tempo e suas armadilhas. A memória e seus alçapões.

há pedaços de mim, há pedaços de nós agarrados aos fragmentos desta música que ouço como se me chegasse de um universo paralelo onde uma de mim viveu e se calhar ainda vive. O tempo e as suas armadilhas. A memória e os seus alçapões. Era uma vez. Era.

Pink Floyd, Meddle.

quarta-feira, março 28, 2012

Temer a Deus sobre todas as coisas

Um pequeno extrato do meu próximo livro, a aproximar-se do fim:

Nessa altura, a rainha pediu-lhes que viessem os três à sua presença a beijar-lhe a mão, para desta forma lhes conhecer «o asseio exterior do corpo» e também «a composição interior de humores, que se manifestam pela respiração». Dos três saiu vencedor o mais intolerante e o menos ilustrado, Martin Silíceo, que ensinou o princpe a ler e a escrever, e a temer a Deus sobre todas as coisas, inculcando-lhe gota a gota o veneno da intolerância e do pavor. Com tamanha eficiência que, dois anos mais tarde, já se podia dizer que

«O temor a Deus nele é tão natural que, na sua idade, nunca vi tão grande.»


Que o rei tenha percebido as insuficiências deste professor, atribuindo-lhe apenas uma única qualidade, a de ser um «bom homem», e mesmo assim o tivesse mantido, é surpreendente. Respeito pelas decisões da rainha? Incapacidade de entender o domínio que o clérigo impunha de forma indelével no espírito da criança que tutelou sem barreiras, moldando-a ao sabor dos próprios medos e intransigências, ao mesmo tempo que na disciplina e nos estudos era de uma brandura excessiva?

Jamais o saberemos.