quinta-feira, outubro 20, 2016

Al Berto saudades...

Livros. Sempre de roda deles, e agora por motivos especiais, mais ainda. É nestas alturas que surgem os reencontros, as surpresas. A saudade! Caramba, podíamos ter tirado montes de fotografias juntos. Eu devia ter registado momentos, escrito um diário. Devia? Não havia tempo. Andávamos tão entretidos, todos nós, a viver intensamente a vida que nos cabia, e de que nos restam gloriosas memórias, naquele palácio Pidwell a que os meus filhos, tão pequenos nessa altura, chamavam simplesmente 'O Casarão'.

Al Berto, devolvo as saudades com que me dedicaste este que, provavelmente, é um dos teus primeiros livros publicados, com fotos do Paulo Nozolino. Mas agora, as minhas saudades são maiores do que as tuas. É que já não têm remédio. Até sempre, meu Poeta. 




sexta-feira, outubro 07, 2016

Os meus novos livros e a minha casa velha

Com o novo romance de 'O Mundo de André', o 4º da colecção, entregue e a seguir o seu caminho editorial (mal posso esperar para ver as primeiras provas), estou de regresso ao ANTÓNIO VARIAÇÕES!! Obrigada, Editora Bertrand. Quanto ao 'outro' romance vai prosseguir logo, logo. Já está começado, a pesquisa para o suportar encontra-se quase toda reunida, fica a faltar uma viagem de reconhecimento ao passado remoto. Em sentido geográfico e em sentido mental. 

Com uma biblioteca em sacos e caixotes, transitoriamente embora, há que esperar um pouco mais. No princípio do ano, quando assentar arraiais numa casa muito velha que está a ficar nova, sem perder o seu carácter centenário.


sábado, setembro 17, 2016

Malkut a arder, ou o Colibri na floresta em chamas

Dedicado a todas as pessoas grandes, que parecem muito pequeninas, mas que fazem tudo o que podem sem esperar ajuda, recompensa, incentivo para tornar a Terra um pouco melhor. Dedicado aos activistas sociais, ambientalistas e animalistas de todo o mundo. Aos defensores do Reino, este, que indiferentes à troça, ao desânimo, e a todos os fantasmas que rondam à nossa volta para se alimentarem dos nossos medos e fraquezas, persistem em fazer o que é «preciso». 


Era uma vez uma floresta a arder. E era uma vez um colibri que começou a ir e a voltar do rio mais próximo com o minúsculo bico cheio de gotas de água que vertia sobre a árvore mais próxima da orla do incêndio, mesmo sob risco de ser envolvido pelas chamas. Os outros animais olhavam. Assombrados de terror. Estáticos. 
Um deles, talvez o leão, disse assim: 'Colibri és tão tolo. Julgas que as tuas gotinhas de água vão dominar o fogo incontrolável? Ainda te queimas, mazé.' 
O Colibri, sempre de um lado para o outro, respondeu assim: 'Leão, sei perfeitamente que as minhas gotinhas de água não adiantam nada. Mas estou a fazer a minha parte que é tudo o que consigo fazer. Mas se todos fizessem o mesmo, do mais majestoso, ao mais insignificante de nós, este fogo incontrolável como está, poderia ser dominado'.

(baseado num conto budista)

sexta-feira, setembro 16, 2016

As crianças vêm isto?

Cruzando o céu cinzento ao morrer do dia, gaivotas parecem aviões e aviões parecem gaivotas e no ar pesado de chuva anunciada deslizam cardumes de sardinhas por entre quilhas e mastros de navios que emergem na tarde assombrada de naufrágios. As crianças vêm isto?

A história das duas irmãs

andam sempre de mãos dadas uma traz a outra no regaço beijam-se na boca são irmãs sem uma não existiria a outra nasceram com a invenção do tempo móvel chamamos-lhe vida e chamamos-lhe morte 

terça-feira, agosto 30, 2016

O novo livro da colecção O Mundo de André


Terminei ontem o meu novo livro. É um romance, o 4º, da colecção O Mundo de André. Destinada a um público juvenil, com o chancela do Plano Mais de Leitura, a colecção está presente em numerosas escolas do país, de Norte a Sul. Durante alguns anos, andei a falar com e para uma população estudantil de idades que variavam entre os 10 e os 15 anos. Foi extremamente estimulante.

Depois, interrompi. Outros projectos, outros livros. Em boa hora, a minha editora Bertrand ficou na posse dos três primeiros títulos - André e a Esfera Mágica; André e o Lago do Tempo; André e o Segredo dos Labirintos, que irá reeditar em simultaneo com o lançamento da nova aventura cujo título em breve se saberá.





Para quando? No início de 2017. Em breve, mais detalhes sobre este romance trepidante, assustador, comovente e inesperado. Até para mim própria. Houve alturas que pensei (e penso sempre isto nos livros do «André») e agora? Como é que ele se safa desta? Uma noite de sono e de sonhos trouxe-me sempre a solução.

Um extracto:
 [...]
—Tenho máscaras que me permitem passar pela mais ínfima das minhas servas. Pelo ajudante do ajudante dos jardins. Sei tudo o que se passa, em todo o Palácio e o Palácio é um reino de dimensões que não imaginas. Corro riscos. Uma vez, um guarda ia espancar-me, na presença de outros. Tive de deixar cair a máscara da serva para reaparecer diante deles em majestade. Caíram fulminados de terror, foi tão divertido. 
—Mandou-o prender?
—Não. Isso quebraria a cadeia de autoridade e submissão. Ele estava a cumprir o seu papel, apesar de não ter qualquer motivo – riu, como se recordasse um episódio agradável. — Apenas queria bater em alguém, e a serva, eu, era um bom alvo. 
—Mas podia dar-lhe uma lição para ele não voltar a fazer mesmo. 
—Não sabes nada sobre o Poder. Não se trata de justiça ou injustiça. Trata-se do equilíbrio, sempre incerto, entre os que mandam e os que obedecem. Se começamos a castigar os que mandam por exercerem o poder contra os que obedecem, é o caos. A crueldade é um efeito secundário.

—Sabe tudo o que se passa, e não corrige injustiças?
— Oh, o conhecimento que obtenho serve objectivos muito maiores!! Este episódio, muito antigo, instalou a dúvida em todos os súbditos – como imaginas, a história correu o Palácio. Desde então, nunca sabem se sou eu por detrás daquela touca, debaixo daquelas roupas, ou escondida naquela cara. Mesmo quando estão sozinhos, alguns, muitos, dos meus súbditos, têm sempre medo. Dos mais humildes aos mais poderosos. Ah, André… as máscaras são maravilhosas. Permitem o poder absoluto. Sabes em que assenta?
— No medo?

[...]




terça-feira, agosto 09, 2016

Let's fall in love

Apaixonemo-nos. 


Por ideias, por ideais, por causas, por pessoas. Nas mais variadas conjugações do amor e da paixão, sem freio, sem cálculo, sem precisarmos de ler os rótulos. Andemos na vida de peito aberto aos ventos de viver. Sejamos marinheiros, mesmo que nos espere o naufrágio. Pior do que naufragar vivendo, é não viver de todo. De que serve a vida se a guardarmos às escuras, no canto do medo como se o medo fosse um certificado de aforro sem garantia alguma? Navegar é preciso, mas sem olvidar toda a experiência que nos permite passar para o outro nível.