sexta-feira, março 03, 2017

Mentiras e máscaras e bailes de monstros

Mentiras e máscaras. Bailes de monstros. Festas tristes e festas alegres. Festas com encontros aterradores... fugas com ajudas surpreendentes, de onde e de quem menos se espera. Perigos atrás das portas. Uma Biblioteca sem fim à vista. Um Palazzo. Um Banco de Sementes sem fim. Uma alucinante viagem. Reencontros. O malambe, a semente do embondeiro, a mais misteriosa árvore que existe, resolve o mistério e faz surgir uma mulher negra, aterradora e belíssima cujo poder alcança os três reinos por onde decorre a aventura.  É ela que detém o poder de resolver o enigma. 
E mais, muito mais. É disso que trata o meu próximo livro. 


Embondeiro 

A vida real é uma fonte inextinguível de inspiração. Outra fonte de inspiração: como fazer das adversidades aliadas, das alegrias faróis, e depois pegar em tudo, embrulhar, baralhar e dar de novo. Para crianças e jovens de TODAS AS IDADES!! É o Mundo de André a girar. 



Esta coleçção, com todos os títulos de minha autoria, tem a chancela LER + Plano Nacional de LeituraOs livros estão actualmente na Bertrand Editora. 
O último, André e o Baile de Máscaras, é uma estreia e acabou de ser lançado no mercado. 
O primeiro, André e a Esfera Mágica, foi relançado. 
Ambos com capas do pintor Gonçalo Jordão, que vai ilustrar também as dos próximos (inéditos) e dos anteriores a serem igualmente, reeditados. 

terça-feira, fevereiro 28, 2017

O mundo de André

A apresentação - na FNAC. O lançamento, no próximo sábado em Reguengos de Monsaraz. As imagens da festa. A primeira de muitas.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Carta de amor a quem nos quer mal

E muito feliz dia de São Valentim - que aconteça todos os dias o dia especial de amar.



Queridos inimigos, eu quero amar-vos. Preciso de vos amar mesmo que a maior parte das vezes tal me pareça insensato e impossível. É que vos devo uma parte muito importante da aprendizagem nesta vida. As dores que me causais, ou causásteis, acordaram-me, puseram-me em marcha e levaram-me sempre ao mais assustador dos encontros. Comigo mesma. Com a minha sombra. Com o meu medo. Com a minha insegurança. Com a minha raiva. Sem vós, jamais teria empreendido semelhante viagem. E sempre que ultrapasso algum dos obstáculos que colocais diante de mim, sempre que arranco a mordaça e o véu com que me cobris, sempre que quebro as grilhetas com que me tentastéis aprisionar, em pequenas vitórias que até então julgava «impossíveis» e «intransponíveis», depois do alívio, depois da surpresa e do sobressalto da revolta, depois do descanso e antes de me pôr outra vez a caminho, aprendi que é a vós que devo o preito da minha silenciosa gratidão. Sois, muitas vezes, quase desconhecidos e desconhecidas. Ausentes e enevoados. Eventualmente próximos. Mas não preciso de vos ver o rosto nem necessito de saber o vosso nome. Preciso é de vos amar cada vez mais à medida que me aceito e amo cada vez melhor. É a minha liberdade, essa que se conquista palmo a palmo, passo a passo, que vos devo e assim sendo é como mestres que vos quero reverenciar, reverenciando a minha, a vossa e a nossa história de vida. Prouvera a Deus que tal consiga.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Novo livro - André e o Baile de Máscaras

Para muito breve, em Fevereiro de 2017, a saída de dois novo títulos meus, com chancela da Bertrand Editora:

André e a Esfera Mágica


Quando o circo visita a aldeia, André apaixona-se pela filha do mágico, uma menina enigmática, que lhe oferece um berlinde límpido como uma lágrima. Pouco depois, a família muda-se para Lisboa. André detesta a nova vida. Num dia particularmente infeliz, pega no berlinde e descobre-se num mundo desconhecido onde conhece Grionesa, o Senhor Leandro, com a sua mala mágica, a porta Portália… até que surge uma ameaça terrível… Só André e Grionesa podem salvar aquele mundo, mas o risco é imenso.

André e o Baile de Máscaras



Na escola, André faz uma nova amiga: a enigmática Formiga. Uma noite, ele recupera a Esfera Mágica e, mais uma vez, encontra-se num mundo desconhecido onde todos usam máscaras… animais misteriosos, pássaros gigantes, seres das grandes profundidades. No decorrer de um grande baile, Formiga aparece e salva-o. Mas ela tem uma missão secreta: com a ajuda de André, aceder à imensa Biblioteca, para encontrar a resposta que lhe pode mudar a vida.


As lindíssimas capas são do meu querido Gonçalo Jordão que é, para já, o único português com um Óscar de Hollywood! O pintor integrou a equipa do filme O Grande Hotel Budapeste, que em 2015 arrecadou 4 dourados galardoes, nomeadamente na categoria de Melhor Direcção de Arte. O magnifico loby daquele hotel, tem a sua assinatura. Mas sabem como nos conhecemos e ficámos amigos? Através dos nossos respectivos cães. 



Durante meses, no verão mágico alentejano, encontrávamo-nos junto ao Alqueva, a petiscar no Centro Náutico. Os apelidos nunca vieram à baila. Era a Raquel, o Gonçalo, o Dirk, a Manuela, e os nossos patudos que iam ao banho juntos. Um dia calhou falarmos do que fazíamos. Abreviando, o convite para o pintor mergulhar no mundo mágico do André foi tão espontâneo (bom, foi o nosso editor Eduardo Boavida que fez a ponte...) e a sua reacção foi tão boa, que só podia dar certo. As capas provam-no, traduzindo maravilhosamente toda a magia destes romances por onde entro em turbilhão criativo. Literalmente. 

Já houve quem me dissesse «se não te conhecesse, a ler este livro (André e o Baile de Máscaras) ia pensar que andavas a tomar cogumelos». São o efeitos colaterais da escrita - provocam estados alternativos de consciência :) Já tinha ,muitas saudades.

sexta-feira, janeiro 13, 2017

António Variações - cabeleireiro? não! barbeiro

Cabeleireiro? Não! Barbeiro. Era assim que ele queria ser chamado. O tão nosso António Variações. 
Ando com ele «ao colo», agora, pelos anos 70 e 80. De uma entrevista que lhe fiz, por essa altura, e que retomei na biografia, destaco: 


«É pro menino e pra menina», António na sua barbearia 



«Eu inaugurei o salão Imaviz, o [Baeta em] Alvalade, até que decidi afastar-me daquela escravatura e regressar às origens. Regressar à barbearia. Hoje, até os barbeiros querem ser chamados cabeleireiros. Pois eu não. Estou na barbearia que, para além de ser o meu meio de subsistência, um espaço que eu gosto, é onde vivo rodeado de amigos, os meus clientes de há anos. A vida é uma roda, a gente acaba por voltar ao ponto de partida. Eu dei a volta completa e a única saída, quando se ultrapassa tudo, é começar de novo. 

«Há quem diga, maldosamente, «aí está um tipo que lançou um disco para arranjar clientes lá para o salão». Acontece que eu tinha e tenho clientes mais do que suficientes para manter a barbearia a funcionar com lucro, e viver bem. Acontece que até nem tenho tempo para as pessoas novas que têm aparecido, só por curiosidade, para ver que tal é esse cabeleireiro que também canta. Além disso o tempo cada vez vai ser menos, porque, de facto, a música é a minha meta. A minha vocação. Espero ainda ser tão bem-sucedido na música como fui nos cabelos.» (Gonzaga, 1982:42-3).

quarta-feira, janeiro 04, 2017

Literatura, activismo e passagem de ano

Não foi a passagem de ano mais glamorosa das nossa vidas, mas será inesquecível. Cenário: uma casa minúscula, num monte lindíssimo, nosso lar nos últimos meses, enquanto a 'nossa' continua em obras de fundo. Em Fevereiro devemos mudar. 

Festa de Passagem de ano? Adiada. Quase sem darmos por isso, descobrimo-nos a tutelar uma «matilha» de cães desafortunados, esfaimados, abandonados, que nos entraram pela vida dentro. Dois, há anos, o Timóteo e a Maia. Os restantes, juntaram-se à família ao longo de 2016, aqui no Alentejo. 

O último membro é a Nina. Resgatámo-la de uma Casa dos Horrores, convocámos policia GNR (três viaturas com as luzes a piscarem e um bom aparato), veterinário municipal, tudo. Para trás, três cachorros mortos, de fome. Fechados dentro de uma jaula. O próprio vet municipal disse que, em 25 anos de actividade, nunca vira nada assim... 

Trouxémos ao colo e para nossa casa, uma rafeira alentejana com cerca de três anos de idade e 20 quilos de peso. Metade do que seria adequado e normal ao seu porte, raça, idade. Mais um dia, e não teria sobrevivido. Em menos de quatro dias, porém, a Nina nem parece a mesma. Já foi à primeira consulta e tudo está a evoluir bem com ela. Precisa é de aumentar de peso para poder ser vacinada. Dentro de duas semanas, esperamos. 

Agora, já brinca com os jnuvenis da matilha, Maria Pintor, Angélica e Mascarilha, dorme na sala sempre aquecida, come várias vezes por dia, pequenas porções, abana a cauda com frequência. Estava amarrada com uma corrente com cerca de um metro, agora tem espaço no campo à vontade e anda a descobri-lo, cheiro por cheiro. Textura por textura.

Portanto, a nossa passagem de ano foi com ela e a restante matilha, e um amigo humano que, entretanto, apareceu. 

A outra «festa», na casa velha que está a ficar 'nova', fica para breve. Afinal, o ano é novo todos os dias.

E, alegria das alegrias! o meu próximo romance juvenil está em fase de paginação e a capa vem a caminho. Tenho-me dividido entre estas tarefas e a escrita. Não tem sido fácil, mas tenho conseguido dar boa conta do recado em ambos os campos de actividade.


Nina, 3 anos, 20 quilos, três dias depois do resgate da Casa dos Horrores

A 'matilha' foi crescendo - e eu a acabar o meu próximo  livro juvenil neste cenário

Em breve, e com mais espaço, saudaremos 2017 com as quotas de humanos preenchidas
O resgate do Verão

Este foi atirado pela janela de um carro em andamento, apareceu-nos no jardim e nunca mais nos largou

Vivia num castelo - mas não tinha lar. Chegou-nos á quinta com as almofadas das patinhas descoladas... como podíamos mandà-lo embora?'

uma casa mesmo muito velha, a ficar nova sem deixar de ser velha 

domingo, dezembro 25, 2016

A impagável, inimitável, insuportável Porta Portália

A acabar de rever provas do meu romance juvenil André e a Esfera Mágica, que vai ser relançado em Fevereiro pela Bertrand juntamente com um novo título na mesma colecção, o IV volume, deixo-vos com a inimitável, a impagável, a insuportável Porta Portália. É figura recorrente nas aventuras do André. Até a mim me causa perplexidade.




A PORTA PORTÁLIA 

               O ruído de uma porta a bater fê-lo olhar para o lado. Zás! Plás! E ali estava uma porta. Uma porta de carvalho maciço, com maçaneta de rodar em latão brilhante, fechadura sem chave, caixilho, gonzos. Tudo o que uma porta precisa para existir enquanto tal. Só que, ao contrário de todas as outras portas que André conhecera, esta não tinha paredes, nem teto a enquadrá-la.             «Que esquisito», pensou ele, dando a volta para ver o que havia do outro lado.
             Não havia nada. Quer dizer, havia tudo o que lá estava antes. Campo de ervinhas curtas e verdes, semeado de malmequeres brancos.
             — Que raio… — murmurou ele, espantado. — Uma porta que não dá para lado nenhum. Uma porta desnecessária. Uma porta completamente inútil.
             — Alto aí e para o baile! — A voz que disse isto parecia vir da porta. — Inútil porquê, se faz favor? E o que faz aqui um rapaz? Serve para quê, um miúdo neste campo? Não estou a ver utilidade na presença dele. Ai, não estou, não.
             André voltou a andar à roda da porta para tentar perceber de onde vinha o som. A voz era rouca, arranhava um bocadinho os erres, e acabava as frases com um silvo ligeiro. Dava a sensação que saía do buraco da fechadura.
             — Quem está aí? Está alguém escondido atrás desta porta? — perguntou o rapaz, convencido de que alguém estava a troçar dele. Alguém muito rápido, que passava de um para o outro lado, sempre que ele dava a volta para perceber o que significava aquilo.
             — Os seres humanos estão verdadeiramente a ficar mais estúpidos, de geração para geração — resmungou a voz. — Olha bem para mim. O que te parece? — A porta abriu-se. Não havia ninguém de um e do outro lado, a não ser, evidentemente, André. E a própria porta.
             — Tu falas?
             — Não. É aquela árvore ali que gosta de mandar bocas.
             — Qual árvore? — perguntou André olhando em volta, para o mesmo campo onde nada crescia, a não ser ervas e malmequeres.
             — Exato. Então… que te parece?
             — Uma porta que fala?
             — Olha que grande coisa. Por que raios e coriscos os humanos acham que só eles têm voz? Ah… Bons velhos tempos… — A voz da porta era irónica, como se estivesse a fazer um esforço enorme para não começar a rir às gargalhadas. — A propósito, o meu nome é Portália. Sou a Porta Portália. E tu?
             — André. O que está aqui a fazer?
             — O que faço sempre. Abro-me e fecho-me, permitindo, deste modo, que as criaturas possam entrar e sair. E tu, que fazes aqui?
             — Não sei bem, mas por enquanto nada. Num momento estava no meu quarto a olhar para dentro de um berlinde, e no outro estava aqui.
             — O costume. Não sabem o que andam a fazer na vida. Tipicamente humano. Bom, se isso te ajuda… queres entrar?
             — Para onde?
             — Para dentro. A não ser que prefiras sair.
             — Bolas! — resmungou o rapaz. — Sair para onde?
             — Para fora, evidentemente. Pronto, não insisto. Tenho mais que fazer. Olha. Vê se cresces. Cresce e aparece, ’tá bem? Pode ser que nessa altura possamos, realmente, ter uma conversa interessante. Eu e tu. Adeusinho, jovem André.
             E a porta desapareceu. 




 [André e a Esfera Mágica, Bertrand, Lisboa, em data a anunciar]