quarta-feira, agosto 11, 2010

Somewhere over the rainbow

Algures, depois de não sei quantas montanhas, e numa das extremidades de um arco-iris qualquer, ela espera por nós. Como um pote de ouro com sabor a recompensa. A felicidade. Ora são ideias como estas que contribuem para nos tornar profundamente infelizes. Para começar a felicidade não vem em pacotes, como os detergentes. Além disso, a tal «felicidade» que muitos amargamente imaginam que só bate à porta dos outros, nem sequer existe enquanto tal. Existem momentos de alegria, preciosíssimos. Realizações pessoais, raras vezes fruto de acaso, e conseguidas com muito labor e não poucas dificuldades. Uma rede de afectos. Interesses que nos mantém vivos. Onde mora a felicidade para nós, viventes? Não faço a menor ideia. Acho que não mora. Se há vida há morte, se há alegria, há tristeza. E aqui, sim, podemos falar em «pacote». É que vem tudo misturado. Mesmo assim, tenho a convicção profunda que somos muito mais co-autores do nosso destino - seja lá o que for que isso signifique - do que suas desamparadas vítimas. Pelo menos, foi esta convicção que me manteve de pé, ou à tona de água, em alturas particularmente dificeis da minha vida. E é essa mesma convicçao que encontro nos viajantes mais alegres e mais generosos com que me cruzo nesta vida. Alguns vi carregarem dores escondidas, que os arranharam até às entranhas, com um sorriso que lhes nasce no fundo da alma.
Talvez um dia consiga saber  melhor como dizer tudo isto. Quando perceber exactamente do que se trata.
Créditos imagem: http://rumahyahud.files.wordpress.com/2008/04/somewhereovertherainbow.jpg
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