quarta-feira, setembro 05, 2012

Mãos e braços para quê

Encontro-te ao dobrar do sono, inesperadamente como um ladrão de sepulturas, vindo sabes deus de onde, porque não há um lugar nem  nome onde possa dizer - é ali que tu estás. E porém sei, sabemos todos, que estás algures porque és para sempre. Por isso, amor, não me visites tanto a desoras e de surpresa, nem te faças de deus, a brincar ao hóspede desconhecido porque ainda escavas mais o vazio medonho de não estares aqui. Dá-me um nome. Um nome apenas. Chama-lhe céu ou além ou Valhala ou Serra da Estrela ou Serra da Lua, ou Nebiru, ou Índia, ou quinta dimensão. Sem  palavras, estou perdida. A dor da saudade só é inteira e autêntica quando se confronta com o vazio do inominável.

segunda-feira, setembro 03, 2012

pensa em mim

sei que sabes que eu sei que pensas em mim quando pensas em mim, mesmo quando pensas que não queres pensar nada, porque são estas regras do jogo dos amantes que são precisamente as mesmas regras do jogo da vida, mesmo quando se morre, porque nunca se morre de vez quando o amor carrega pelos universos sem fim a chama da memória dos amores.

sábado, setembro 01, 2012

Meu Deus, onde estavas tu?

 A minha última crónica no portal mais feliz que existe, o Boas Notícias reproduziu uma história sobre fé e racionalidade. Porque não admitir, de uma vez por todas, que ambas podem coexistir?
«Num dos últimos jantares cá em casa, toda a gente contou histórias maravilhosas e mirabolantes. O tempo passou sem se dar por ele, e a certa altura falámos de fé a propósito de curas sem explicação. E de terapias convencionais versus terapias ditas alternativas. Na verdade, todos partilhamos a mesma convicção de que os vários métodos são dignos e bons e quanto mais lucidamente podermos usufruir do que temos ao nosso alcance, melhor. Até porque há respostas espantosas na medicina ocidental que ninguém pode nem deve ignorar. E soluções de prevenção da doença noutras abordagens terapêuticas que não deviam ser ignoradas.»
Para ler o resto:


Sexta-feira, 31 de Agosto de 2012

Tempo dos Milagres: "Onde estavas tu, Senhor?"


quarta-feira, agosto 29, 2012

Caril de lentilhas em Segundas sem carne

Adoro legumes, e a quantidade de amigos vegetarianos que temos leva-me a improvisar e a reeinventar sabores. No último jantar aventurei-me por um caril de lentilhas. Usei lentilhas encarnadas e lentilhas escuras, demolhei-as (as escuras precisam de umas horas as outras meia hora basta) e cozia-as um dia antes, em separado, e em muito pouca água.
Entretanto comprei um bom leite de coco e um bom caril (nalgumas lojas da Rua de São Paulo vendem-no a peso, e no Martim Moniz há uma excelente seleção). A receita incluiu ainda cebola, pimentos, courgete, tomate, gengibre fresco, um pouco de concentrado de tomate, sal marinho,  coentros e salsa picada.




Reduzi tomate a puré, e cortei uma courgete em cubos. Na wok salteei uma cebola grande, picada, em azeite, até dourar após o que juntei o tomate e a courgete. Mexi durante uns oito minutos, e a seguir criei um espaço vazio no centro da wok e juntei três colheres de sopa de caril, deixando-o ali até ficar em papa, mexendo para aborver o molho. Juntei um pouco de água (só no centro) e um gole de concentrado de tomate. Após isso, começei a envolver esta pasta com o conteudo da wok - a courgete, cebola, ttomate. O aroma começou a ficar delicioso e a impregnar os vegetais.
Entretanto, cerca de oito minutos, dez minutos depois, juntei os pimentos sem pele e em tirinhas, as lentilhas vermelhas e as pretas, envolvi tudo muito bem, raspei um pouco de gengibre fresco, adicionei sal marinho, e por fim incorporei o leite de coco. Uns minutos depois polvilhei com salsa e coentros picados. Acompanhei com arroz basmati de passas.
Foi tudo feito a olho, de modo que não sei dizer as quantidades usadas ao pormenor. O tempo tambem pode variar... eventualmente, se as courgetes ainda estiverem rijas e antes de juntar os pimentos e as lentilhas, tapar uns minutos a wok até cozerem completamente. Garanto que estava tão delicioso que mesmo os não praticantes adoraram e aderiram à alternativa com entusiasmo.
Para acompanhar fiz arroz (basmati) de passas.
Bom apetite.

segunda-feira, agosto 06, 2012

Timóteo has a lovely sis

Quando o apanhámos na rua, faz agora dois anos, a última coisa que nos preocupou foi saber a «marca» dele. Aliás, era dificil, porqu a gloriosa pelagem que lhe ornamenta o pescoço estava ausente. Tinha, sim, um pescoço pelado e com marcas de coleira de picos. E medo. E uma angustia sem tamanho. Abrimos-lhe os braços, a casa, a vida, sem condições.
Levou vacinas, levou chip, foi registado com nome próprio, apelido e a designação de «raça indefinida». Depois um amigo nosso declarou, com base no testemunho do seu amigo veterinário, que o Timóteo era cão dos Pirinéus. Depois outro amigo disse a mesma coisa, analisando-o muito bem. Uma senhora com quem me cruzei na rua, afirmou o mesmo. Como sabia ela? «Tive um, era igual».
Whatever.
Agora encontrámos a sua irmã gémea, abraçada pela maravilhosa Candace Parker, num cartaz da PETA. «Se não é capaz de transformar o seu cão num casaco, não use peles».
Clapclapclapclap.

Entretanto o cão da atleta olímpica, a cadela aliás, foi também recolhida. No site dela, lemos que é um cruzamento entre São Bernardo e Golden. Como são iguais, subscrevemos a mistura genealógica para o nosso Timóteo. Mero detalhe, entenda-se. Em ambos os casos, de tristíssimas histórias de abandono, surgiram amores para a vida e uma felicidade, uma cumplicidade, que não se descreve por palavras.




sexta-feira, agosto 03, 2012

Era uma vez um homem que vendia ovos de pata


São histórias distintas. Em ambas, os homens recebem uma pequena herança que aplicam. Um, compra ovos de pata, o outro, cristais diversos. O primeiro coloca os ovos numa cesta, e vai para o mercado apregoar a sua mercadoria. O segundo dispõe os cristais numa canastra,  encosta-se a um muro e põe-se a aguardar os fregueses. E, cada um deles começa a sonhar. O primeiro sonha com o pequeno lucro que vai arrecadar com a venda dos ovos da pata, o qual aplica a comprar mais ovos e a vendê-los e assim sucessivamente, até criar as suas próprias patas, aumentando descomunalmente as suas vendas. O segundo, discorre da mesma forma em relação aos cristais, atingindo lucros fabulosos que lhe permitem aumentar a oferta de pingentes, taças e artefactos finamente cinzelados.

Neste ponto, e quanto ambos se sentem suficientemente ricos, sonham com a filha do sultão e decidem casar com ela. Vestidos como reis, precedidos por escravos e eunucos e seguidos por cavaleiros que atiram moedas de ouro à populaça, vão ao palácio do sultão a quem deslumbram com a riqueza dos seus presentes. E dessa forma, atraem a sua benevolência conseguindo facilmente que este lhes dê a mão da sua filha, bela como uma lua cheia. 

O casamento é de contos de encantar, e segue a narrativa de género com detalhes primorosos em ambos os casos. Entretanto, o noivo, para marcar bem a imponência e a importância que a si próprio se atribui, trata a noiva com o maior dos desprezo. E em ambos os casos, antes da consumação do matrimónio,  quando ela, adorável e chorosa tenta chegar aos lábios do noivo uma taça de licor para predispô-lo a olhá-la de frente, ele esbofeteia-a para a castigar pelo intolerável abuso da familiaridade. 
 
O desfecho é idêntico. O pontapé do bruto desfaz os ovos da pata, o gesto violento da besta quebra todos os cristais da canasta. E, cada um em sua história, chora amargamente os sonhos desfeitos em gemadas e cacos. Cada um deles, sonhando à medida das suas limitações, colheu em conformidade.  
Eu adoro as Mil e uma Noites

Créditos da imagem:

quarta-feira, agosto 01, 2012

A vossa vida dava um livro? Venham escrevê-lo!

Recomeça em Setembro a nossa Oficina de Escrita Autobiográfica, agora em associação com a Sociedade Guilherme Cossoul, um já centenário espaço de cultura e tradição, onde o Teatro é rei.

O tema é tão pessoal quanto abrangente: até que ponto a nossa vida é um romance? E que ferramentas temos de adquirir para optimizarmos a sua narrativa?

Em três módulos independentes, de duas presenças de uma hora e meia cada, esta Oficina conta com o apoio de várias entidades. Desde logo a Bertrand Editora, que irá apor a sua chancela à antologia dos melhores textos que, desta e doutras Oficinas de Escrita propostas por nós, forem sendo recolhidas. Outra entidade é a Oficina de Psicologia que reconhece ser este projecto uma excelente ferramenta de auto-conhecimento. Outro dos apoiantes é a emblemática Revista Cultura Entre Culturas

Finalmente, e por se tratar de uma boa notícia, a Boas Notícias também se juntou à iniciativa.

O  cartaz, aqui incluído, responde a todas as perguntas:
-- Onde vai decorrer? Na Sociedade Guilherme Cossoul, na Avenida D. Carlos I, nº 61, 1ª andar, 1200-647 Lisboa. (Santos).
-- Informações e inscrições: no mesmo local, ou por telefone 213 973 4711 ou 960 290 972
email: geral@guilhermecossoul.pt
-- Módulos:
1º - 17 e 18 de Setembro, das 18.30 às 18 horas. Tema: Bilhete de Identidade. (30 euros as duas presenças)
2ª - 24 e 25 de Setembro, das 18.30 às 18 horas.Tema: Memórias de infância. (30 euros as duas presenças)
3ª - 1 e 2 de Outubro, das 18.30 às 18 horas: Tema: A minha vida dava um livro. (30 euros as duas presenças).

Nota: em caso de obstáculos económicos temos a modalidade «Serviço Cívico», de custo reduzido.