quinta-feira, outubro 23, 2014

Continuo no PAN

Primeiro pensei - também vou sair (do PAN)! Depois pensei: mas os animais não podem fazer o mesmo (nas suas vidas). Nem a natureza. Não existe Planeta B.

Portanto, continuo no PAN, e apoio o André Silva, pelos motivos abaixo indicados. O ideário da sua campanha, bem como a lista de apoiantes de PAN - Inteligência Colectiva, pode ser consultado aqui.



Com o Timóteo de St. Catarina - freguesia onde foi encontrado, há mais de quatro anos, o cão da minha, das nossas vidas. Como todos os que fizeram e farão parte delas.

 
 
 
Entrei para o PAN, há cerca de dois anos, pela mão de um amigo de longa data,
o Paulo Borges, desmentindo com esta minha filiação uma promessa feita a
mim mesma. A de que nunca me aventuraria pelas águas turvas e traiçoeiras
da vida política. Fi-lo em consciência. Para mim, e, creio, para quase todos nós,
o ideário do Partido dos Animais e da Natureza constitui um maior denominador
comum. Trata-se da defesa de uma «Arca de Noé» num planeta em risco de
soçobrar e, por consequência, da defesa intransigente dos direitos dos animais,
e da natureza, casa-mãe de todos nós.
Abracei portanto uma utopia – e isto é o maior elogio que se pode conferir a
um projecto deste cariz. Assim, quando tomei conhecimento de que Paulo
Borges se afastava inapelavelmente do partido, a minha reacção foi afastar-me
também. Mas o pressuposto inicial mantinha-se: como defender aquilo em que
acredito e tantos de nós acreditamos? Como juntar forças e sinergias para
conseguir pequenas grandes vitórias para a grande Causa das Coisas da Vida?
Assim, no meio desta atormentada transição a minha permanência no PAN
tornou-se inquestionável. A Causa Animal, a Causa da Natureza, a Causa Nossa,
não espera pelo mundo perfeito, pelas pessoas perfeitas, pelo cenário idílico
onde todos seríamos ou seremos seres na plenitude do ser.
Eu não sou.
É por isso que, assumidamente humana e falível, vou continuar no PAN.
É por isso que vou votar, de coração aberto e mente lúcida, no ANDRÉ SILVA,
amigo que ganhei em muitas horas de esclarecimentos, e que me ensinou o
pouco que já aprendi no PAN, contagiando-me com o seu entusiasmo e com a
sua extraordinária capacidade de trabalhar no terreno do concreto, do imediato,
do possível e do necessário. Há tanto para fazer – e o André Silva é um homem
de acção e de reconhecida credibilidade.
Acrescento a pedra de toque que me decidiu. André Silva, sem nunca criticar ou
destruir o trabalho fosse de quem fosse, convenceu-me que continuar é
preciso. E desejável. O projecto da sua candidatura, tão convergente e de uma
enorme serenidade, bem como todos os envolvidos nele, permite-me acreditar
que é este o rumo.
Mais de cinquenta mil pessoas votaram PAN nas últimas eleições. Não temos o
direito de defraudar as suas expectativas. Mas mais do que isso – os sem voz,
os sem direitos, os seres mais frágeis do Planeta, dependem inteiramente do
que podemos fazer e do que temos por obrigação fazer em seu nome. E
consequentemente por nós e pelo espaço que todos partilhamos.
É que não há Planeta B.
Viva o PAN!!
Manuela Gonzaga
Escritora
 

 
 
 
 

segunda-feira, outubro 06, 2014

Num abraço de flores

Mais um extracto do meu próximo livro, cujo titulo e data de lançamento continuam em segredo. MG
Chagall, Marc (1887-1985)
Les Amants sous de Fleurs de Lis
 
[...]
«... há jardins selvagens no pensamento que prefiro não visitar. Mas agora, gigantescas flores de caules tentaculares, pétalas de cetim encarnado, corolas de estames de ouro e odor tóxico, assaltam-me à medida que avanço em direcção às torres. Como se quisessem deter-me. Que romântica, esta tentativa de me prenderes num abraço vegetal, sob o luar que atenua as linhas duras do meu rosto e a nudez do meu trajar. Não preciso de espelho, revejo-me na claridade dos teus olhos. És tão bonito amor, continuas tão bonito. Céus, depois deste tempo todo e ainda me olhas como da primeira vez em que nos vimos, já não sei quando foi, nem como foi, nem onde foi.
Só sei que foi num olhar assim, que tudo começou.

Mas não adianta. Estou fora do alcance desses caules, embora o perfume seja muito tentador. É que tenho mesmo de ir, entendes?»
[...]
 

domingo, outubro 05, 2014

5 de Outubro

Hoje um sonho caiu-me aos pés como um pássaro a arder e quando me curvei para o segurar desapareceu como se nunca houvera existido e, voltando ao seio do Incriado, morreu-me. Nunca me tinha acontecido isto com um sonho. MG

domingo, setembro 28, 2014

É a memória um jogo?

Mais um trecho do próximo livro. MG.

«Sou de um tempo em que fadas e anjos eram quase da mesma família. Sou de um tempo em que, entre fadas e anjos, se estendia uma muralha de fogo e um redemoinho de anátemas. Sou do tempo em que fadas e anjos jaziam, lado a lado num sepulcrário, o mesmo, atulhado de fantasias quebradas e arrumadas a eito. Podíamos visitá-los como quem percorre um museu, ou a cave de um precioso teatro barroco, atulhada de adereços inúteis, sem uma única referência de como, quando e para quê foram usados. Sou de um tempo em que nem se falava de fadas, nem de anjos. Sou de um tempo em que inventámos uns e outros, à medida que eles próprios nos inventavam também.

É a memória um jogo?

O meu touro abriu as asas. Céus, como ele ri!»
John Anster Fitzgerald (1823? – 1906) -
Fairies Looking Through an Open Window
w
 
 [Manuela Gonzaga, ainda sem titulo, a publicar.]

segunda-feira, setembro 22, 2014

Esta lua cheia de enganos

Há pouco tempo, dois meses talvez, comecei a colocar trechos de um próximo livro no meu mural do facebook. Tem sido uma experiência curiosa. Deslocados de contexto, estes pedaços de prosa poética se assim lhe quisermos chamar e vários o têm feito, vivem por si, sem dar pistas. Ou melhor, fornecendo uma multiplicidade de pistas. Já se avançou em sugestões de título, palpites sobre o conteúdo no seu todo, e até sob o meu próprio estado de saúde físico, psicológico.

E de repente, muitas pessoas reapareceram. Em mensagens privadas, em recados directos, ou mesmo por indirectas vias a inquirir sobre o meu estado:

«Mas tu estás bem? Mas ela está bem?»
Obrigada!!! Estou, sim. A narradora do meu próximo livro, porém, está a passar por um processo... cosmogónico. Transcendente. Perceberão tudo, quando soltar o título. E mais ainda, quando soltar o texto. Entretanto, continuarei a deixar pistas neste caminho das pedras feito de palavras.

 
Esta lua cheia de enganos

«Mas isto remete-me à questão inicial. Que nudez é a minha, agora? Creio que é uma mistura de ambos os despojamentos. Consentido e imposto. Assumo a última fronteira. Agora, sou só eu e a minha pele, sabendo que sou muito mais do que a epiderme marcada e pálida que me cobre ossos e músculos, e veias e artérias e órgãos. Como quase sempre, é preciso fazer escolhas. Sem um arrimo que me sustente, perco-me nas margens do lago. De modo que sou eu ou o meu trajar: e que importam os trajes se o corpo falece?
Segura bem nessa corda, querido. Se a soltares, perco-me. Se a deixares quebrar, perco-me. Ainda me ouves? Eu já deixei de te ouvir. O coaxar das rãs, à minha volta, é ensurdecedor. E o medo é grande. O medo e o fascínio. Há uma beleza terrível neste lugar. Ouves o ruído das minhas sandálias a caírem na água parada, uma após a outra? Fizeram um semicírculo no ar. Duas pequenas setas brancas com reflexos de ouro, recortadas fugazmente no negrume do céu estrelado, à luz desta lua cheia de enganos.
Ai, mas tão bela.»
Manuela Gonzaga, em ????, a publicar.

domingo, setembro 21, 2014

Al Berto & João

Uma fotografia, legendada, evidentemente, trouxe ao de cima histórias e vidas do tempo da nossa vida em Sines, quando ainda se chegava ali de comboio. E foi assim que o Al Berto e o João do Ó estiveram por cá. E todos juntos, fomos até ao Palácio Pidwell. jardim que foi de tantas alegrias e tanto disparate e tanto criar no alimentar de uma infinidade de sonhos.


Estação de caminho-de-ferro de Sines

Obrigada, Vicente Alves do Ó pelas horas que passaram a correr. Outras virão. Com a mesma luz abençoada. E tens razão, o quanto aqueles nossos tão queridos dois, Al Berto e João do Ó, se devem ter rido com a nossa conversa cá em baixo.

E tudo começou por causa de uma fotografia. Desta fotografia.

sexta-feira, setembro 05, 2014

Moçambique - Do império tardio e da guerra colonial

É com a maior alegria que vou colhendo apreciações ao meu trabalho nos mais diversos circuitos.Neste caso, destaco uma recensão ao meu último livro (com 5 estrelas), em Goodreads, assinada por Rui Gomes Coelho, historiador,  a fazer doutoramento em arqueologia na Universidade de  Binghamton, USA.

«Um olhar novo»

'Moçambique' de Manuela Gonzaga corresponde a uma vaga muito recente de criadores que procuram lançar um novo olhar sobre o passado colonial português mais recente, e sobre o processo da descolonização que viveram. É um olhar novo porque não se trata apenas da realização de "memórias", vai muito além disso: é uma janela aberta sobre as contradições do autor que reflete no presente sobre uma época vivida em circunstancias sociais e ideológicas muito diferentes. É essa tensão que se revela em 'Moçambique' como algo de que a autora parece ter plena consciência, jogando tanto com as suas memórias como com a análise histórica do contexto que narra. Neste sentido, o livro não interessa apenas aos que viveram o 'Moçambique' do império tardio e da guerra colonial; é um livro que valerá a todos; desde historiadores que procuram trilhar formas de escrita mais fluida até ao leitor curioso pelo passado português mais recente e amante de páginas extraordinariamente bem escritas.»