terça-feira, agosto 30, 2016

O novo livro da colecção O Mundo de André


Terminei ontem o meu novo livro. É um romance, o 4º, da colecção O Mundo de André. Destinada a um público juvenil, com o chancela do Plano Mais de Leitura, a colecção está presente em numerosas escolas do país, de Norte a Sul. Durante alguns anos, andei a falar com e para uma população estudantil de idades que variavam entre os 10 e os 15 anos. Foi extremamente estimulante.

Depois, interrompi. Outros projectos, outros livros. Em boa hora, a minha editora Bertrand ficou na posse dos três primeiros títulos - André e a Esfera Mágica; André e o Lago do Tempo; André e o Segredo dos Labirintos, que irá reeditar em simultaneo com o lançamento da nova aventura cujo título em breve se saberá.





Para quando? No início de 2017. Em breve, mais detalhes sobre este romance trepidante, assustador, comovente e inesperado. Até para mim própria. Houve alturas que pensei (e penso sempre isto nos livros do «André») e agora? Como é que ele se safa desta? Uma noite de sono e de sonhos trouxe-me sempre a solução.

Um extracto:
 [...]
—Tenho máscaras que me permitem passar pela mais ínfima das minhas servas. Pelo ajudante do ajudante dos jardins. Sei tudo o que se passa, em todo o Palácio e o Palácio é um reino de dimensões que não imaginas. Corro riscos. Uma vez, um guarda ia espancar-me, na presença de outros. Tive de deixar cair a máscara da serva para reaparecer diante deles em majestade. Caíram fulminados de terror, foi tão divertido. 
—Mandou-o prender?
—Não. Isso quebraria a cadeia de autoridade e submissão. Ele estava a cumprir o seu papel, apesar de não ter qualquer motivo – riu, como se recordasse um episódio agradável. — Apenas queria bater em alguém, e a serva, eu, era um bom alvo. 
—Mas podia dar-lhe uma lição para ele não voltar a fazer mesmo. 
—Não sabes nada sobre o Poder. Não se trata de justiça ou injustiça. Trata-se do equilíbrio, sempre incerto, entre os que mandam e os que obedecem. Se começamos a castigar os que mandam por exercerem o poder contra os que obedecem, é o caos. A crueldade é um efeito secundário.

—Sabe tudo o que se passa, e não corrige injustiças?
— Oh, o conhecimento que obtenho serve objectivos muito maiores!! Este episódio, muito antigo, instalou a dúvida em todos os súbditos – como imaginas, a história correu o Palácio. Desde então, nunca sabem se sou eu por detrás daquela touca, debaixo daquelas roupas, ou escondida naquela cara. Mesmo quando estão sozinhos, alguns, muitos, dos meus súbditos, têm sempre medo. Dos mais humildes aos mais poderosos. Ah, André… as máscaras são maravilhosas. Permitem o poder absoluto. Sabes em que assenta?
— No medo?

[...]




terça-feira, agosto 09, 2016

Let's fall in love

Apaixonemo-nos. 


Por ideias, por ideais, por causas, por pessoas. Nas mais variadas conjugações do amor e da paixão, sem freio, sem cálculo, sem precisarmos de ler os rótulos. Andemos na vida de peito aberto aos ventos de viver. Sejamos marinheiros, mesmo que nos espere o naufrágio. Pior do que naufragar vivendo, é não viver de todo. De que serve a vida se a guardarmos às escuras, no canto do medo como se o medo fosse um certificado de aforro sem garantia alguma? Navegar é preciso, mas sem olvidar toda a experiência que nos permite passar para o outro nível. 


terça-feira, julho 26, 2016

A nossa tão querida Ana Maria Metello Casimiro

Ela está presente nas memórias dos nossos dias de ontem. Em Tete, Moçambique, que foi quando nos conhecemos. Maravilhosa Ana Maria Metello Casimiro. Um Sol! Quando nos reencontrámos, por cá, a amizade estava inteira, embora a vida não tivesse permitido aquele retomar mais constante de laços, pelas distâncias.


Voltámos a encontar-nos numa daquelas celebrações a que quase nunca posso ir (neste caso o almoço anual dos Amigos de Tete), e foi mágico, por ela, por nós todos, por tudo. Muitos não se viam desde África. Mas, décadas depois, foi como se não se tivesse passado quase tempo nenhum. Na nossa mesa, adolescentes de 50 e 60 anos conversaram e riram e trocaram informações, telefones, registos de vida. Dançámos. Muito. O almoço, com sala e orquestra só para nós (à moçambicana, mesmo) prolongou-se para além da hora do jantar.

A partir daí a proximidade fez-se maior. E o meu irmão mantinha-me, mantinha-nos, ao corrente, pois estava frequentemente com eles. Quando lancei Moçambique para a Mãe se Lembrar como Foi, tive o gratíssimo prazer da sua luminosa presença, com outros amigos e amigas desses tempos. Que, aliás, estão nas páginas do livro e são mais do que memórias. São vidas e vivências que procurei eternizar pela magia da palavra escrita.

De tudo isso, que é muito mais do que consigo dizer, memórias, e imagens, num relance do fulgor que ela emanava.

Twist ou Yéyé? Ana Maria, João Nasi, Fernandinha e Manuel Anselmo, em Tete, Moçambique. anos 60 de um século ido
Serra da Caroeira, Tete, o piquenique das nossas vidas. Jorge Tomás Metello (Tojú), de guitarra e a irmã. Ana Maria; Zé Álvaro, Jorge Gonzaga, Micó e João Nasi Pereira, Mário Ladeira, Clarinha Oliveira, Lurdes Dias (Dicas), e Rajú Tulcidás
 Da esquerda da para a direita, Tojú, Ana Maria, José Álvaro,  Micó, João Marta, eu, Jorge Gonzaga, Fernanda Dias, Rajú Tulcidás, Lurdes Dias 


Durante o lançamento de Moçambique para a Mãe se Lembrar Como Foi, no Bicaense (de Moçambicanos), uma festa com marrabentas e sabores de lá. Ana Maria, maravilhosa, e outros punhado de amigos de sempre. O António Pinheiro,que nunca falta!, o Quim, O Mário e a Cila Ladeira, o Manel Casimiro, e tantos e tantas mais.
[...] quando voltei da Beira, comecei a recusar praticamente todos os convites para festas, bailes e outro tipo de convívios. Quem me queria ver, que fosse a minha casa. Então, um belo dia, a minha querida Ana Maria Metello bateu-me à porta para me convidar para a sua festa de anos ou outra festa qualquer. [...] Estava acompanhada pelo seu amigo Armando, cujos olhos não desfitavam os meus, enquanto eu tentava arranjar desculpas para recusar o convite, rapidamente atalhadas pela minha mãe que adorava a Ana Maria, «a miúda mais chique desta terra, parece uma lisboeta de gema»: – Evidentemente que ela vai. Vêm buscá-la e trazê-la?[...]
– Mas eu não quero ir a porcaria de festa nenhuma.
A minha mãe levantou os olhos ao céu:– Na tua idade, o que eu não teria dado para me deixaram sair e conviver, por pouco tempo que fosse. Mas andava sempre de chaperon, com uma ou duas tias atrás a verem e a ouvirem tudo o que eu fazia e dizia, e com quem e quando. Sabem lá vocês a sorte que têm.»  
[...] 
 Voltando a Tete. Algumas das minhas amigas tinham casamento agendado num horizonte próximo. Como a Mimi Teixeira, que um dia, em Tete, no pátio de recreio do colégio de São José no final do nosso 5º ano, correra para o meu lado, com os olhos a brilhar comoção e felicidade, e, metendo a mão no bolso da bata, extraiu um envelope: Ele escreveu-me!!! 
[...]Quem também namorava naquela altura para casar e serem felizes para sempre, era a minha querida Ana Maria Metello, cujo namorado, o alferes Casimiro, se transformara rapidamente em seu noivo e um ou dois anos mais tarde, não sei quando, em marido. Reencontrei-os também por cá, ao fim de tantos anos. Maravilhosamente juntos.» 
(em Moçambique para a Mãe se Lembrar como Foi) 

Uma pessoa não se esgota nos fragmentos de memórias que cada um cultiva, para, em última análise, se perpetuar a si mesmo. Portanto, na incompletude de um registo que precisa de muito mais contributos, os contributos de toda a gente e todos os seres a quem ela tocou, acrescento: da Ana Maria, tudo o que há para dizer é bom. Uma mulher adorada pelo marido que ela amou também ao primeiro olhar; um extraordinária mãe de família; um pilar para todos os seus; uma acérrima defensora de animais errantes e abandonados. Uma amiga inesquecível. E tanto, tantíssimo mais.

A nossa tão querida Ana Maria Metello Casimiro.

A nossa tão querida Ana Maria Metello Casimiro

Ela está presente nas memórias dos nossos dias de ontem. Em Tete, Moçambique, que foi quando nos conhecemos. Maravilhosa Ana Maria Metello Casimiro. Um Sol! Quando nos reencontrámos, por cá, a amizade estava inteira, embora a vida não tivesse permitido aquele retomar mais constante de laços, pelas distâncias.


Voltámos a encontar-nos numa daquelas celebrações a que quase nunca posso ir (neste caso o almoço anual dos Amigos de Tete), e foi mágico, por ela, por nós todos, por tudo. Muitos não se viam desde África. Mas, décadas depois, foi como se não se tivesse passado quase tempo nenhum. Na nossa mesa, adolescentes de 50 e 60 anos conversaram e riram e trocaram informações, telefones, registos de vida. Dançámos. Muito. O almoço, com sala e orquestra só para nós (à moçambicana, mesmo) prolongou-se para além da hora do jantar.

A partir daí a proximidade fez-se maior. E o meu irmão mantinha-me, mantinha-nos, ao corrente, pois estava frequentemente com eles. Quando lancei Moçambique para a Mãe se Lembrar como Foi, tive o gratíssimo prazer da sua luminosa presença, com outros amigos e amigas desses tempos. Que, aliás, estão nas páginas do livro e são mais do que memórias. São vidas e vivências que procurei eternizar pela magia da palavra escrita.

De tudo isso, que é muito mais do que consigo dizer, memórias, e imagens, num relance do fulgor que ela emanava.

Twist ou Yéyé? Ana Maria, João Nasi, Fernandinha e Manuel Anselmo, em Tete, Moçambique. anos 60 de um século ido
Serra da Caroeira, Tete, o piquenique das nossas vidas. Jorge Tomás Metello (Tojú), de guitarra e a irmã. Ana Maria; Zé Álvaro, Jorge Gonzaga, Micó e João Nasi Pereira, Clarinha Oliveira, Lurdes Dias (Dicas), e Rajú Tulcidás
 Abaixo, da esquerda da para a direita, Tojú, Ana Maria, José Álvaro,  Micó, João Marta, eu, Jorge Gonzaga, Fernanda Dias, Raju, Lurdes Dias 


Durante o lançamento de Moçambique para a Mãe se Lembrar Como Foi, no Bicaense (de Moçambicanos), uma festa com marrabentas e sabores de lá. Ana Maria, maravilhosa, e outros punhado de amigos de sempre.  
[...] quando voltei da Beira, comecei a recusar praticamente todos os convites para festas, bailes e outro tipo de convívios. Quem me queria ver, que fosse a minha casa. Então, um belo dia, a minha querida Ana Maria Metello bateu-me à porta para me convidar para a sua festa de anos ou outra festa qualquer. [...] Estava acompanhada pelo seu amigo Armando, cujos olhos não desfitavam os meus, enquanto eu tentava arranjar desculpas para recusar o convite, rapidamente atalhadas pela minha mãe que adorava a Ana Maria, «a miúda mais chique desta terra, parece uma lisboeta de gema»: – Evidentemente que ela vai. Vêm buscá-la e trazê-la?[...]
– Mas eu não quero ir a porcaria de festa nenhuma.
A minha mãe levantou os olhos ao céu:– Na tua idade, o que eu não teria dado para me deixaram sair e conviver, por pouco tempo que fosse. Mas andava sempre de chaperon, com uma ou duas tias atrás a verem e a ouvirem tudo o que eu fazia e dizia, e com quem e quando. Sabem lá vocês a sorte que têm.»  
[...] 
 Voltando a Tete. Algumas das minhas amigas tinham casamento agendado num horizonte próximo. Como a Mimi Teixeira, que um dia, em Tete, no pátio de recreio do colégio de São José no final do nosso 5º ano, correra para o meu lado, com os olhos a brilhar comoção e felicidade, e, metendo a mão no bolso da bata, extraiu um envelope: Ele escreveu-me!!! 
[...]Quem também namorava naquela altura para casar e serem felizes para sempre, era a minha querida Ana Maria Metello, cujo namorado, o alferes Casimiro, se transformara rapidamente em seu noivo e um ou dois anos mais tarde, não sei quando, em marido. Reencontrei-os também por cá, ao fim de tantos anos. Maravilhosamente juntos.» 
(em Moçambique para a Mãe se Lembrar como Foi) 

Uma pessoa não se esgota nos fragmentos de memórias que cada um cultiva, para, em ultima análise, se perpetuar a si mesmo. Portanto, na incompletude de um registo que precisa de muito mais contributos, os contributos de toda a gente e todos os seres a quem ela tocou, acrescento: da Ana Maria, tudo o que há para dizer é bom. Uma mulher adorada pelo marido que ela amou também ao primeiro olhar; um extraordinária mãe de família; um pilar para todos os seus; uma acérrima defensora de animais errantes e abandonados. Uma amiga inesquecível. E tanto, tantíssimo mais.

A nossa tão querida Ana Maria Metello Casimiro.


sábado, julho 09, 2016

Mentiras e máscaras, bailes de monstros.

Mentiras e máscaras. Bailes de monstros. Festas tristes e festas alegres. Festas com encontros aterradores... Uma biblioteca sem fim à vista. Um Palazzo. Uma alucinante viagem. Reencontros. 
E mais, muito mais. É disso que trata o meu próximo livro. 
A vida real é uma fonte inextinguível de inspiração. Outra fonte de inspiração: como fazer das adversidades nossas aliadas, das alegrias nossos faróis, e depois pegar em tudo, embrulhar, baralhar e dar de novo. Para crianças e jovens de TODAS AS IDADES!! É o Mundo de André a girar. A quarta aventura a caminho. 



Esta coleçção com todos os títulos de minha autoria, tem a chancela LER + Plano Nacional de LeituraOs livros, até recentemente editados na Leya/Oficina do Livro, estão actualmente na Bertrand, onde o próximo (cujo título ainda é segredo) será igualmente lançado.  

Anteriores: 

André e a Esfera Mágica

André e o Lago do Tempo
André e o Segredo dos Labirintos

segunda-feira, julho 04, 2016

A «contínua enfermidade» de ser Mulher» ou a história de Maria Adelaide

O Serviço de Psiquiatria Geral e Transcultural do CHPL convidou-me para ser oradora do Seminário “Ignorância II – O que é a Doença Mental?”. Aceitei com o maior prazer. É no dia 5 de julho de 2016, no Anfiteatro do CHPL – Pavilhão 11 – sito Av. do Brasil 53, Lisboa. Eis um resumo do que vou apresentar:



Maria Adelaide Coelho da Cunha, uma das muitas «pensionistas» do Hospital Conde de Ferreira, no Porto, permanece sem dúvida como a mais famosa de todas as alienadas que por ali passaram. Falamos de uma senhora de 49 anos de idade que no dia 28 de novembro de 1918 ali chegou, acompanhada do marido, o doutor Alfredo da Cunha, do filho José Coelho da Cunha e de um amigo da família, o doutor Balbino Rego. 

Eram duas horas da tarde quando o processo ficou formalizado, passando então a pesar sobre ela o rigoroso regulamento do hospício. Motivo: Maria Adelaide «enlouquecera». De que forma se manifestara a loucura da infeliz senhora? De uma forma que também atingia muitos seres do sexo oposto: tomara-se de amores por um jovem de 26 anos, motorista do casal. E nessa contingência fugira para Santa Comba Dão na companhia do amante.

Resumidamente, Maria Adelaide, nas palavras dos maiores alienistas portugueses, que invocam os maiores cientistas franceses, sucumbira ao jugo da sua natureza feminina. Não o dissera já Hipócrates que a vida da mulher é uma longa, uma continua enfermidade? Como tal, foi interditada. A história não acabou aqui, nem assim, e está documentada em fugas rocambolescas, capturas ainda mais rocambolescas, e novamente a saída pela porta grande que precedeu o desaparecimento desta senhora, "louca por amor", que só aos 72 anos viu ser-lhe retirado o rótulo infamante. entretanto publicou crónicas num jornal e deu ao prelo dois livros. Sempre escondida. Sempre com o seu amor, com quem ficou até à morte. Manuel Claro sobreviveu-lhe alguns anos, mas nunca casou. Ela foi, nas palavras de quem os conheceu, o «amor da sua vida».

Conteúdos e os factos permanecem um pouco por todo o mundo, numas geografias mais do que noutras. A tese da inferioridade feminina, mental, psíquica e biológica é um jugo plurimilenar que ainda estorva as mentalidades. É fundamental revisitá-la, detectá-la, e erradicá-la de uma vez por todas. 


sábado, julho 02, 2016

António Variações - A Vida Depois da Morte


Ontem, no Jardim de Inverno do São Luiz, pelas 18.30, em torno do espectáculo encenado por Vicente Alves do Ó, recordámos António Variações e falámos sobre o espectáculo que ali tem estado a decorrer, com salas sucessivamente esgotadas. (Variações, de António)
Filomena Cautela apresentou os convidados, nós, e moderou muitíssimo bem a conversa que, por fim se alargou a diálogo com a assistência. Não fora a premência de um espectáculo prestes a começar, e o jantar que se impunha, teríamos estado ali, a conversar, a recordar, a vivê-lo muito mais tempo. Foi tão bom.


Presentes, Vicente Alves do Ó , realizador, cenógrafo, argumentista, dramaturgo, que concebeu, escreveu e dirigiu o maravilhoso espectáculo; o actor Sérgio Praia que dá vida, de forma sublime, ao nosso Variações; Lena d'Água, que o recordou em vários episódios e, que, por fim, nos electrizou a todos cantando-o; Ana Cardoso de Oliveira, psicóloga, que enquadrou o homem, a criança, o mito, na linguagem poderosa do símbolo...

Sérgio Praia, Vicente Alves do Ó
E eu, que o biografei, e que já estou a desenvolver outro projecto sobre ele, com Teresa Couto Pinto, autora da quase totalidade das imagens que circulam. Com fotografias inéditas, também assinadas por ela, a mostrar outro António. Era a semente de um projecto que o tempo já não lhe permitiu cumprir.

«As pessoas aproximam-se dele como se António Variações irradiasse luz e tivesse um íman. [...] Como se ele fosse de todos e de ninguém, uma espécie exótica, símbolo da lusitanidade, mas em carne viva e voz vibrante. Um português do Minho, de Lisboa, do Mundo. Um cosmopolita nosso, um embaixador das raízes do Portugal profundo e telúrico com uma alegria espampanante e assumida, enredada em dores, lonjuras, perplexidades… música. E terrivelmente desconcertante.» (texto da contracapa, em Manuela Gonzaga, António Variações - Entre Braga e Nova Iorque, Lisboa, Âncora, 2006).