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domingo, outubro 23, 2022

Amores e amoras: sonhemos.

 Alguém, por aqui, tem, teve, ou quer vir a ter sonhos lúcidos? Eu já. Poucas vezes, mas inesquecíveis. É uma questão de treino e de pequenos preparativos durante o acordar, com técnicas muito simples. Por exemplo: consciencializarmo-nos dos passos que damos ao caminhar e repetir, "estou acordada". Focarmo-no no gesto comezinho de acender ou apagar a luz -- nos sonhos não funciona. E noutras coisas que constituem pequenos testes de realidade diurna em que conscencializamos, acordados, que estammos ... acordados. Até ao momento mágico em que, a dormir profundamente, fazemos o clique e sabemos que aquela dimensão, elástica, esquiva, mas tão sólida como a dos quotidianos acordados, é toda outra:


"Estou a sonhar e sei que estou a sonhar. Wowww".

Da minha época de Diários Oníricos guardei os poucos em que a minha persistência foi premiada, mas nem precisava de os escrever tão marcantes foram pela revelação. É que, sendo a vida tão breve, e sendo parte dela passada a dormir, é justo conquistarmos um pouco desse tempo para aprender mais sobre nós próprios, alargando o patamar daquilo a que chamamos realidade, e, por brinde, ainda nos divertirmos muito. A sensação de liberdade é exultante e indizível.
Sobretudo, em tempos de tamanha incerteza e tanta cortina de fumo e tsunamis de mentiras, que de tão repetidas vêm a ser tomadas como verídicas. Tempos em que a distração hipnótica e não controlada por nós, nos prende e escraviza a conceitos, ideias, objectivos e falsos ideais de beleza por medida, riqueza só para eleitos, falsos triunfos, amargas vitórias, e palcos, muitos palcos de todas as dimensoes e para todas a medidas onde os egos de cada qual se agigantam por breves cinco minutos de falsa fama, alimentando o gigantesco e egóico processo social que nos devora.
Vale tudo, neste entorpecedor método de nos adormecer, levando-nos a pensar que estamos acordados no carnaval de loucos por onde nos arrastam, por onde nos deixamos arrastar, e por onde, sem darmos por isso, vamos sendo mansamente conduzidos para os redutos e redis onde nos querem mansos e silenciosos e desprovidos de palavras nossas. Anestesiado assim o livre pensamento, pois se há tanta gente a pensar por nós, matam-nos a imaginação criadora com a qual todos nascemos.

E quase nem damos por isso.
Sonhemos muito, amores e amoras! Em liberdade. É uma viagem a ser conquistada por nós enquanto seres despertos, sem efeitos secundários. A não ser a profunda e exultante alegria que nos abençoa sempre que fazemos descobertas pessoais e intransmissíveis mas partilháveis e mais comuns do que poderíamos imaginar.
'Bora marcar encontro no lá para além?





quinta-feira, janeiro 21, 2016

O «refugiado» apaixonado

O irmão do meu amigo apaixonou-se por um jovem e belo turco que conheceu nas redes sociais e que, muitas mensagens, sms, video chamadas e outras aplicações cibernéticas, veio mais tarde a conhecer em molde multidimensional.  O encontro dos dois, em Paris, confirmou o mútuo encantamento. O irmão do meu amigo, que vive na Escócia, e o seu jovem amante resolveram juntar destinos no Reino Unido, onde o primeiro tem residência. Mas a viagem de turismo não permitiu o desejável visto de residência do segundo. Desolados, encararam outras opções. Inclusivamente Portugal, de onde o irmão do meu amigo saiu há muito tempo e para onde não fazia tenção de voltar a não ser em caso de força maior.

O amor é um caso de força maior.

Mas o jovem turco não esteve ajustes. Adorou a Escócia, quis à viva força ir espreitar o lago para encontrar a Nessie, e declarou que só saía de Ancara para Edimburgo. Com o coração às postas, separaram-se fisicamente, mas o amor prosseguiu pelos circuitos alternativos. Skype e afins. Até que o turco teve uma ideia e pô-la em prática. Meteu-se num barco de imigrantes/refugiados (não sei detalhes, nem preços, nem nada) e aportou à Grécia.

Durante um ou dois meses, o irmão do meu amigo esteve inconsolável. Sabia muito pouco do que se estava a passar porque em certas circunstâncias os telemóveis, cartões de crédito e outros dispositivos electrónicos são de evitar em absoluto. Por fim, a boa nova: amor estou aqui, a ilha é linda, é tudo lindo, a comida é lindíssima, e o mais belo de tudo é que consegui visto como refugiado. Amor, afinal não faço questão da Escócia, vem ter comigo e ficamos pela Grécia.

O diálogo, em inglês, é uma adaptação livre de muitas mensagens trocadas que agora já não interessam para nada. O que interessa mesmo é a substância dos factos. Por motivos nobres - o amor é o mais nobre dos motivos, à excepção de salvar a vida própria ou da família - um jovem galgou fronteiras e a cavalo nas ondas mediterrânicas ganhou sem problemas um estatuto que lhe permite ser cidadão europeu, enquanto refugiado.

Pintura em terracota, Grécia

Um estatuto que, pelos vistos, muitos outros ganharam sem qualquer problema. Hordas selváticas de homens sós, sem mulheres nem filhos, que avançam e se instalam com os resultados de que, em doses homeopáticas vamos tomando conhecimento... Refugiados de guerra? Toda a minha solidariedade está com eles. Mulheres e crianças primeiro. Mas estas, para nossa enorme vergonha e desgosto, têm sido abusadas, violadas sem contemplação, nos campos onde as acolhem, sem que as autoridades interfiram. O escândalo só rebentou quando tocou às «nossas» que nas festas de passagem de ano foram vitimas das bestas a quem as políticas estranhas de uma Europa estranhíssima abriu os diques da entrada. Com tão pouco cuidado e tamanha ausência de critério que só pode ser de propósito.

No meu coração, disse e repito: abro os braços e as portas às famílias em fuga. Usadas como tampão. Por todos. A começar pelos... «nossos». Porquê? Sim, porquê?  

terça-feira, dezembro 29, 2015

Obrigada! Ou cenas de uma candidatura presidencial

OBRIGADA

João Paulo Oliveira e Costa, Manuela Gonzaga, Sofia Mantero de Magalhães, Isabel Valadão

 Obrigada


Até aparecer o PAN – o único partido onde jamais me filiei; e onde, consequentemente, aceitei lugares de decisão que implicam a minha energia, o meu amor e o que definimos como «tempos livres», eu era substancialmente mais… livre.

Livre no sentido de não me sentir moralmente «obrigada» a envolver-me tanto nas causas que, depois, vim a tornar minhas. E de não me sentir «obrigada» a viver em consonância com princípios e as éticas que já defendia de forma esporádica, mas que passei depois a defender de corpo presente.

Livre de me escusar com o tempo, que afinal é sempre a desculpa ideal para a falta de vontade, sem participar realmente na mudança, na confortável ilusão de pensar que «fazia o que podia».

E era tão pouco. E é tão pouco.

De modo que, e no final desta discreta, intensa e apaixonante corrida ao mais alto magistério da Nação, que encerrou porque não conseguimos reunir e validar todas as assinaturas necessárias à sua concretização, estou grata ao PAN porque me desafiou a ir além dos meus limites, dos meus medos e inseguranças. Na verdade, ao ter-me confiado esse pequeno, mas tão grande «fardo»; e ao tornar-me portadora do conteúdo programático do nosso ideário, pude agregar muito mais gente ao nosso caminhar. Pessoas a quem me sinto agora muito ligada. Amigos de há muitos anos e desconhecidos com quem estabeleci laços de amizade fraterna, colocaram a sua sabedoria, energia, e vontade de ajudar ao serviço dos nossos ideais. Porque acreditaram na mensagem de que sou portadora, no Partido que represento, e, em última análise, em mim. Ser-lhes-ei para sempre muitíssimo grata.

Estivemos em locais tão díspares como a Cova da Moura e o Grémio Literário; nos quartéis de muitas corporações de bombeiros, Soldados da Paz, anónimos heróis cujo lema é Vida por Vida; em lares de terceira idade e centros de acolhimento de crianças com dificuldades múltiplas; em associações culturais e abrigos para animais abandonados; em casas de desconhecidos e desconhecidas que nos receberam como se fossemos amigos de sempre, partilhando connosco as suas lutas pela tão ameaçada causa ambiental. E pelas ruas e caminhos do nosso Portugal tratado como «menor»… logo menos acarinhado e tantas vezes esquecido…

Essa soma de apoios, neste território onde nos movemos, a base da pirâmide de uma sociedade formidavelmente injusta, é um tesouro com o qual todos viremos a ganhar. E assim, durante estes meses, quase tudo se relativizou. Até o medo. Até a insegurança. Até a sensação de impotência, tão dolorosa de sentir, quando, ao querer colocar a minha voz ao serviço dos que não têm VOZ, fui muitas vezes ignorada. Até ter descoberto que isso não me importava. E essa descoberta fez-me entender, até às entranhas, o que significa verdadeiramente a LIBERDADE INCONDICIONAL que me serviu de lema de campanha, e que é, desde que me recordo, o farol longínquo que guia o meu caminhar.

Assim sendo, o que terminou foi apenas o nosso projecto da Campanha Presidencial. Há muito mais para fazer e todos fazemos falta. Estou aqui. Estamos aqui. Todos juntos. Há muito trabalho a fazer. Pelo bem de tudo e de todos. 


Manuela Gonzaga

Manuela Gonzaga e João Paulo Oliveira e Costa
Lançamento de candidatura, Universidade Nova de Lisboa


Pelo distrito da Guarda visitámos detalhadamente várias corporações de Bombeiros e alguns instituições de solidariedade, como a CERCIG - Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados


Visita ao parque Parque Biológico de Gaia -  uma instituição modelar, com o seu director Nuno Gomes de Oliveira, na foto, e Bebiana Cunha,  Clara Lemos, PAN Porto e eu. Porque a educação ambiental é um processo de cativação e envolvimento do cidadão na resolução dos problemas ambientais que afligem a Humanidade; e porque uma boa maneira de começar esse processo é pela demonstração das contradições da grande cidade, e do que isso significa para cada um de nós em termos de qualidade de vida
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No Cantinho da Lili, imediações da Serra da Estrela, um projecto exemplar de solidariedade animal que resgata, cuida, abriga e reintegra animais em risco de vida 
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Com  João Fróis, um reencontro com sabor moçambicano dos tempos do jornalismo e das amizades que duram para além das muitas vidas da vida.
Reunião com Senhor Padre Lino Maia, Presidente da CNIS-Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, Porto, Portugal
Com João Lázaro, presidente da direcção da APAV, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima




Pelo Porto, visitámos instituições de referência, como o Parque Biológico de Gaia, a Associação Empresarial de Portugal, Bombeiros Voluntários do Porto e de Leça da Palmeira, realizámos uma oficina de escrita, tivemos encontros com filiados e apoiantes e não páramos! Aqui num almoço delicioso organizado pelo PAN Porto.

Visitámos também, detalhadamente, a Associação Recreativa e Cultural de Músicos em Faro,  instalada na antiga fábrica da cerveja inserida Vila-Adentro junto das muralhas do Castelo de Faro.
Armindo Silva, um dos fundadores, fala com paixão sobre a Associação Recreativa e Cultural de Músicos e o seu papel na comunidade. Em como sem grandes subsídios e apesar de muitas dificuldades conseguiu manter de pé este projeto, um trabalho de vida em prol da comunidade e dos "moços" que aqui encontram uma espécie de santuário de inclusão, um ponto de encontro interactivo e multicultural de referência, em Portugal e no estrangeiro.
A Elza Maria de Sousa Cunha, o Paulo Baptista foram inexcedíveis na organização e apoio pelo Algarve; A Teresa Couto Pinto, que coordenou outra das viagens, idem. A reportagem e mais imagens na pagina do PAN FARO. Almoço na Associação Recreativa e Cultural de Músicos em Faro. (com Manuela GonzagaTeresa Couto PintoPaulo Baptista e Maria Teresa S. Aleixo).

sexta-feira, dezembro 25, 2015

«Os vendavais da bondade»


O muito meu querido irmão e poeta Jaime Rafael Munguambe Júnior, deixou ontem no meu mural de facebook este presente, tesouro de partilha e votos, associando-lhe outros dois príncipes da nossa língua mátria, que para minha alegria também me abraçaram. Há poucos meses, foram os primeiros apoios que recebi do outro lado do mar, subscrevendo, porque entendendo completamente, a minha proposta: Liberdade Incondicional.  




Jaime Rafael Munguambe Junior com Lino Mukurruza e Hirondina Joshua.
Ontem às 7:46Partilharemos os músculos para encher-te o corpo com os vendavais da bondade, iremos erguer todas as vozes para abrir-te a língua da liberdade (força amiga, estamos sempre contigo em todos momentos) eu e meus manos de Moçambique.

Acrescento, para nosso encanto, mais poemas dele:

Cobertura 
A noite sussurra
triste provérbio lunar
Os gritos tristes dos dedos
vestem devagar
a nudez da solidão
Não há sequer
um chão no pensamento humano
Só ouço o canto de um exílio
na meditação da palavra.

Cercos
Dentro da insónia
os movimentos da idade descobrem
os desenhos profundos da geometria
nas sombras dos lábios
a boca suporta o peso da voz
e as flores da música navegam sorrisos.

Confidência
Aprendi com a chuva
a ler os antónimos da água.
Só existe neste mundo
uma sombra:
A noite que esquiva
o suor da lua.
*
Jaime Rafael Munguambe Júnior 
Nasceu em Maputo, Moçambique. Estuda na Universidade Eduardo Mondlane. É membro do movimento literário Kuphaluxa e do Clube de leitores dos estudantes de Literatura e Linguística da Faculdade de Letras e Ciências Sociais. Tem colaboração dispersa em alguns espaços de publicação literária lusófona, a destacar a Revista de literatura Moçambicana e Lusófona-Literatas, a Revista Soletras, o Jornal Literário Pirâmide (Moçambique) a Revista de Artes e Letras Pi(Brasil), participou na antologia A Ponte da Palavra organizada pelo Circulo dos Escritores Moçambicanos na diáspora (Portugal). Organizou A Hermenêutica do Silêncio (2014): poesia em diálogo com a linguagem das tintas ou a inquietação do verbo e os gestos camuflados das cores.

quarta-feira, dezembro 23, 2015

LIBERDADE INCONDICIONAL

Apoiada pelo PAN
Manuela Gonzaga termina pré-candidatura à Presidência da República

  • Historiadora e escritora Manuela Gonzaga, apesar do empenho e da receptividade sentida em contacto de rua e nas corporações, instituições e associações visitadas, não concretiza a validação das 7500 assinaturas necessárias para a candidatura à Presidência da República.

  • Com uma pré-campanha subordinada ao lema “Liberdade Incondicional”, para Manuela Gonzaga “este foi apenas o início de uma caminhada que tem como objectivo despertar consciências e dar voz a quem não a tem. Há muito trabalho por fazer e mantenho a entrega ao PAN e às suas causas, quer como militante, quer como membro da comissão política nacional, assim como a todos os que se juntaram a nós neste projecto”.



O manifesto da sua candidatura sob o lema, "Liberdade incondicional", continua a dar voz ao conteúdo programático do PAN, que vai muito além do projeto “candidatura às eleições presidenciais”. A escritora considera que este foi um projeto vencedor pela oportunidade que teve de dar voz e de trazer ao debate público e político, temas e perspetivas que não são habitualmente discutidos.

“No final desta intensa e apaixonante corrida ao mais alto magistério da Nação, que aqui se encerra porque não foi possível reunir e validar todas as assinaturas necessárias, sinto uma enorme gratidão. Estou muito grata a todas as pessoas que, de forma espontânea se mobilizaram e que, de rua em rua, de porta em porta, recolheram as assinaturas”, refere Manuela Gonzaga.

A escritora acrescenta: “estou muito grata a quem me apoiou por acreditar na mensagem de que sou portadora, no Partido que represento, e, em última análise, em mim. E a todos os que, presencialmente ou à distância de um telefonema, andaram comigo pelo país real. Estivemos em locais tão díspares como a Cova da Moura e o Grémio Literário; os quartéis de muitas corporações de bombeiros, Soldados da Paz, anónimos heróis cujo lema é Vida por Vida; lares de terceira idade, centros de acolhimento de crianças com dificuldades múltiplas, associações culturais e abrigos para animais abandonados; em casas de desconhecidos e desconhecidas que nos receberam como se fossemos amigos de sempre partilhando as suas lutas no terreno pela tão ameaçada causa ambiental”.


A candidatura desta mulher, natural do Porto, que viveu em Angola e Moçambique, mãe de quatro filhos, assentou na necessidade de ser “uma voz de quem não tem voz”, e vai continuar a alertar para as imprescindíveis mudanças na sociedade portuguesa. Para Manuela Gonzaga o que está em causa são “os caminhos e os descaminhos do nosso destino colectivo”, sentindo com o coração que isso continua e continuará a ser também da sua responsabilidade.

Sofia Moreira
Assessora de Imprensa

segunda-feira, dezembro 14, 2015

Sei quem é o salvador e/ou a salvadora da pátria

As pessoas que gostam muito de mim, e outras que não conheço de parte alguma mas que se identificam com as minhas palavras e ideais, andam zangadas com a minha ausência do pequeno ecrã e pelo ostracismo a que tenho vindo a ser votada pelos media de forma geral. 

Eu não. Aprendi ao longo da vida que já vai longa, como se comportam os grupos humanos e as suas dinâmicas. Ora eu sou, sempre fui, como explicar? uma espécie de carta fora do baralho. Nem sequer jogo os mesmos jogos, não me sento à maior parte das mesas, e o poder não me diz nada, dizendo-me tudo. É uma imensa responsabilidade e um fardo que só faz sentido quando serve para nos proporcionar os meios de fazer bem feitas as coisas a que nos propomos.


Resumo a minha campanha ao slogan LIBERDADE INCONDICIONAL porque sou uma alma livre num corpo denso, e tenho desgosto por ver, sentir e lutar contra tanta armadilha e tantos véus que nos impõem para abafar o nosso naturalmente livre pensamento, amordaçando-o com medos sem razão e ambições sem sentido. 


E por falar em sentido: 'o poder quando não é serviço é doença', como disse Maria de Lurdes Pintassilgo, a primeira mulher candidata a este magistério a que me propus. Ora eu não estou doente de modo que estou ao serviço. Foi por isso e é por isso. O resto virá por acrescento. Se vier, como vier e quando vier. E por falar em media, na sequência de uma entrevista que dei ao jornal Barlavento, o excelente artigo assinado por Bruno Filipe Pires: 





«Somos responsáveis pelo nosso destino. Costumo dizer que todos sabemos quem é o salvador da pátria. É aquela pessoa que encontramos todos os dias quando olhamos para o espelho. Aquela pessoa a quem chamamos eu, que tem de estar aplicada na salvação de nós todos». 
 Para ler mais: «SOU ATIVISTA ANTES DE HAVER NOMES PARA ATIVISMOS». 




quinta-feira, novembro 05, 2015

«Quando nós, mulheres, precisámos de lutar para ser livres»


«Quando nós, mulheres, não tínhamos voz precisámos de lutar para ser livres.»



Começando em seio burguês, o movimento pelo direito ao voto das mulheres, entre outros, veio, inevitavelmente, a envolver-se na luta pela redução do horário de trabalho, paridade nos salários, e outras reivindicações operárias. É aqui que entronca a origem do Dia Internacional da Mulher em 1910 (consagrado em 1911). Baseado em fatos reais, As Sufragistas, da realizadora Sarah Gravon, recria a história, verídica, das mulheres envolvidas no movimento sufragista inglês. 

O filme conta com Helena Bonham Carter no papel de Edith Ellyn, uma ex-professora que ajudou a organizar e promover as campanhas da organização "Women's Social and Political Union", tendo percorrido a Inglaterra para mobilizar mulheres a lutar por seus direitos, a começar pelo basilar direito ao voto. Meryl Streep interpreta Emmeline Pankhurst, líder do movimento e fundadora da WSPU. Carey Mulligan interpreta Maud Watts, uma jovem operária que, juntamente com o marido trabalha numa lavandaria e que acaba por se juntar ao movimento sufragista.

A propósito deste filme a NOS organizou uma exibição no CCB, a 3 de Novembro, precedida por um debate moderado pela jornalista Maria Flor Pedroso. Fui uma das quatro candidatas presidenciais 2016 convidadas para a antestreia deste filme belíssimo, brutal e pungente. Obrigatórios, aliás, para nunca nos esquecermos que, quando não tínhamos voz, houve quem falasse por todas, desse a vida por todas nós e tivesse sido torturada em nome de direitos que a todos nos eram devidos. 

A essas heroínas quase esquecidas do grande público, devemos a homenagem da memória. E porque, no pequeno vasto mundo em que vivemos, grande parte das mulheres ainda precisa de levar a cabo, recordamos e acordemos esta luta que é de toda a Humanidade.




sábado, outubro 17, 2015

Candidata da base da pirâmide: e porém EXISTO

Apresentei a minha candidatura à Presidência da República em Agosto deste ano. A televisão cobriu o acontecimento e, no mesmo dia, de manhã, estive em directo na RTP a antecipar o conteúdo programático e os motivos que me levaram a dar este passo. Tenho site de candidatura, equipas por todo o pais a recolher assinaturas para a formalizar. e acções de campanha em curso. 



Sou uma candidata da base da pirâmide, sem multinacionais a pavimentarem-me a estrada a euros e ouro, nem sociedades paralelas a suportarem-me os encargos da candidatura. Sou EU e a expressão daqueles que NÃO TÊM O DIREITO DE FALAR porque nunca são ouvidos. A não ser nas redes sociais, quando a imprensa, ela também amordaçada, tem de fazer de conta que não ouve, nem sabe, nem vê.

Porém, sou apoiada por um pequeno partido com um programa completíssimo: 160 medidas muito bem equacionadas, a maior parte das quais com enfoque nos direitos das pessoas, mas que enraíza a sua existência na defesa dos direitos das Pessoas, dos Animais e da Natureza. Neste momento, com um deputado eleito à Assembleia da República, o PAN com quase oitenta mil votantes, só para os muitos distraídos e para os muito ignorantes é que eventualmente continua a ser uma espécie de tertúlia dos «amiguinhos dos cães e dos gatos». 

Não subestimemos porém a colossal ignorância das massas. Sobretudo quando das próprias elites, essa ignorância é tão ostensiva como a que manifestou o Professor Adriano Moreira que, em entrevista à Antena 1 afirmava o seu entusiasmo por «pela primeira vez haver uma candidata mulher».(15/10/2015). Referia-se o referido professor à «única candidata»... aceitável? Desejável? Credível? Falava, enfim e apenas, de Maria de Belém Roseira. 

Felizmente, nem todos os jornalistas dormem na fila. Leonete Botelho, no mesmo artigo, recorda que «a professora universitária Graça Castanho e a historiadora Manuela Gonzaga, apoiada pelo PAN, já anunciaram a intenção de se candidatarem em 2016». (ver Maria de Belém é a primeiramulher candidata às presidenciais?)



Desenganem-se os distraídos. Eu existo. Já plantei árvores, em vários países. Tenho quatro filhos, livros - doze - publicados, alguns dos quais traduzidos em francês e curriculares em escolas secundárias e universidades; escrevi muitas centenas de artigos, reportagens, crónicas, entrevistas realizadas durante os quase 40 anos de jornalismo a que dediquei grande parte da minha profissional. Tirei uma licenciatura, uma pós graduação e um mestrado em História que decorreram com lisura, sem exames aos domingos e outras habilidades. Na muito exigente Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

E com excelentes resultados. 

Aliás, o mandatário nacional da minha candidatura, meu amigo, foi meu professor e orientador de tese. O Prof. Dr. João Paulo Oliveira e Costa, director do CHAM (FCSH da Universidade Nova de Lisboa), instituição a que estou agregada. É um magnifico historiador, com prestigio internacional. E um grande romancista.

Dito isto - nunca estive ligada ao poder. Dito isto, nenhum dos grandes partidos ou mesmo dos pequenos - até ao PAN - Pessoas Animais Natureza - me contou nas suas fileiras. Dito isto, das finanças só conheço o deve e haver. E o tormento das contas, as muitas contas que fiz ao longo da vida para prover o meu lar de tudo o que necessitaram as minhas quatro crianças que cresceram num instante, estudaram em Portugal e depois no estrangeiro, e por fim foram-se embora deste pais onde «o sol é tão caro, mãe». 

Portanto, não tenho amigos nas corporações nem na Banca, a não ser ao nível do balcão. Nem no poder. Até há duas semanas, quando o André Silva foi eleito deputado pelo PAN. Os meus amigos e amigas são poderosos, mas de outra maneira. Quanto aos outros «poderosos» que mandam nisto tudo e já venderam praticamente tudo que é nosso, conheci-os, conheço-os a quase todos, dos meus tempos de imprensa. Guardo-os na minha memória elefantina. 

Existo SIM. E não admito que me subestimem. É que sou maior do que eu, Sou a VOZ dos que a não têm. E sei gritar sem perder a compostura nem a razão. As palavras são muito minhas amigas.

sexta-feira, agosto 21, 2015

«Acredito em ti, Manuela Gonzaga»

Publico, gratíssima, o texto da escritora Isabel Valadão, minha amiga de sempre desde os tempos inesquecíveis de Angola, no lançamento da minha candidatura presidencial. Foi na tarde do dia 10 de Agosto de 2015, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, à avenida de Berna.


Escritora Isabel Valadão




APOIO À CANDIDATURA DE MANUELA GONZAGA Á
                     PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


Devo confessar que fiquei surpreendida quando a Manuela me convidou para ser um dos mandatários da sua candidatura à Presidência da República! E senti-me invadida por um sentimento de orgulho pela honra desse convite.
 Manuela Gonzaga e eu conhecemo-nos há muitos anos, duma outra terra, dum outro continente, onde tivemos o privilégio de viver - em Angola! Foi quase numa outra vida.
Somos muito mais do que amigas, somos companheiras de uma caminhada já longa, na partilha dos mesmos ideais, na visão que temos do mundo em que vivemos e nos valores da vida, que comungamos.
Conheço-te bem, Manuela Gonzaga. Eu sei o que tens para dar às causas que abraças. Tens a força e a coragem, o carisma e a vontade próprias das lideranças que marcam. E esta causa, que agora abraças com tanta generosidade, e com a tranquilidade de espírito que te conheço, vai exigir o melhor de ti. O olhar de muitos portugueses vai seguir-te com uma esperança renovada nas suas vidas, esperança num futuro que é hoje, para muitos, sombrio e triste. O de muitos outros vai ver-te como um estorvo no processo em curso. Este é, no entanto, o primeiro dia de um futuro com esperança para muitos de nós.
É um momento em que nos marca fortemente pela tua coragem e pela expectativa de que afinal há alternativas que dependem de nós na escolha dos nossos caminhos colectivos!
Eu sei que tu és uma mulher de causas, de convicções fortes e de coragem. Viveste em África e trouxeste no sangue a rebeldia dos seus povos. Viste o sofrimento, testemunhaste a coragem de lutas contra os preconceitos e as injustiças, o sacrifício em nome dos interesses e estratégias de uma longa colonização, cruel e injusta. Percorreste os caminhos da Descolonização, escreveste sem medos sobre os dias de um passado sombrio e sobre um futuro que vinha ainda longe, no sonho de muitas gerações. Foi nas planícies e anharas da terra angolana, no contacto estreito com os seus povos, que o sonho da liberdade que trazias no peito se tornou mais forte.
Eu estava lá contigo!
É esse sonho que se renova neste momento com a tua candidatura. Num mundo diferente, num tempo diferente, num contexto diferente. Mas mais forte, mais urgente, mais arrebatador. Mais inadiável!
E hoje, mais do que nunca, estou contigo aqui, para te apoiar. Incondicionalmente!

Portugal atravessa momentos muito difíceis como resultado de um percurso vazio de lideranças ou de lideranças dúbias, numa democracia que dava os primeiros passos em 1974. Passados mais de quarenta anos, enfrentamos uma das mais graves crises da nossa História. Uma crise que atinge as pessoas, objecto de estatísticas infames, reduzidas a um deve/haver que se traduz na angústia e na incerteza de muitos milhares de portugueses.
Estamos mergulhados num debate de hipocrisias, onde os votos se disputam com a verdade da mentira, sem que o país possa escolher em liberdade os seus representantes legítimos, os da nossa proximidade, aqueles que vimos crescer nas nossas vizinhanças, os mais aptos pelas suas qualidades reveladas ao longo do tempo da sua juventude e da sua maturidade. Todos os caminhos percorridos durante estes quarenta anos nos trouxeram a uma encruzilhada de pesadelo como consequência óbvia de uma governação comprometida com interesses alheios ao povo governado e ao país. É imperioso que alguém nos conduza na escolha de novos caminhos para Portugal.
E esse alguém tens que ser tu! Obrigatoriamente!
O retrato de Portugal é hoje sombrio para muitos portugueses, já o disse. Nele, poucos são capazes de encontrar um lugar onde os seus filhos possam crescer e trabalhar na construção de um futuro. É o futuro de várias gerações que está comprometido.
O Portugal da terceira idade, onde a paz e a segurança possam ter lugar na última parte de uma vida de trabalho, só existe para muito poucos. Os jovens são obrigados a emigrar ou a aceitar trabalho precário, porque a economia portuguesa não tem uma resposta digna dessa procura para eles. Nos últimos anos a classe média, que representa os pilares em que assenta uma macroeconomia desenvolvida e moderna, foi arrasada. E os seus sobreviventes lutam sob uma carga de impostos insuportável e imoral. O Ensino em Portugal é hoje um laboratório de experiências desastrosas. A Saúde é gerida por critérios economicistas. A Segurança Social transformou-se num ‘big brother’ de sustentação periclitante. A Justiça não é para todos – cara, lenta, politizada. A teia de corrupção estende-se, já livre e dominante pela experiência de muitos anos dos agentes que a exercem e controlam.
Portugal é hoje um país de medos! Do medo dos impostos, do medo do dia seguinte, do medo dos despedimentos, do medo da saúde, do medo do futuro, do medo do desemprego, do medo da doença, do medo de ser pai e mãe, do medo de ser velho. É imperioso que o medo desapareça das nossas vidas.
Em cada acto eleitoral se repetem as mesmas caras, profissionais da política, num baralho de cartas sempre igual. Somos um país adiado nas suas crises cíclicas e intermináveis, gerido pelos mesmos actores ao longo de muitos anos.
Mas eu sei que a tua candidatura representa uma nova esperança para muitos portugueses, repito. Uma esperança na mudança, volto a repetir. Tu és a mulher capaz de trazer à sociedade portuguesa a certeza de que existe um Portugal mais justo e mais livre. Menos desigual! E mais consciente. Quisera eu que todos os portugueses te conhecessem bem como eu te conheço e votassem em ti, como eu vou votar. Acredito que és a mulher que pode transformar Portugal num país novo, acredito que serás capaz de devolveres aos portugueses uma nova esperança no seu futuro.

Acredito em ti, Manuela Gonzaga.
Acredito na tua capacidade para o diálogo entre instituições. Acredito que lutarás pelas causas maiores deste país que é o nosso, como Presidente da República.
Acredito na tua força de carácter, na tua coragem, a tua determinação e no teu saber. Acredito que serás a defensora dos Direitos Humanos em Portugal, e com eles, os direitos dos animais, e da Natureza pela reparação dos estragos que tem sofrido, pelo respeito que lhe devemos, pela necessidade imperiosa de a preservarmos.
Acredito incondicionalmente em ti, Manuela Gonzaga!

Isabel Valadão, João Paulo O. Costa, Manuela Gonzaga
Torre B, auditório 1, FCSH, Universidade Nova, Lisboa