quarta-feira, novembro 05, 2014

Cinquentinha ficou rica e foi para a terra

Chamavam-lhe, e ainda lhe chamam, a Cinquentinha  e nós conhecemo-la porque era impossível viver no Bairro e sem nos cruzarmos, uma vez por outra, com a sua figura singular e descomunal. Vivia em frente da casa do  Gerry, que realmente a conhecia melhor, pois da janela do seu apartamento via-se perfeitamente a casa dela.

Debruçada à janela, com ademanes de menina que não se deu conta de que o tempo passara velozmente sobre os tempos da sua meninice, Cinquentinha piscava o olho ao Gerry, perguntava-lhe onde se tinha metido que há tanto tempo o não via, e se, desta vez, ia ficar por Lisboa tempo que bastasse. E, debruçada para a rua, mostrava-lhe as mamas, que nunca cobria por completo, fosse Verão fosse Inverno, não tanto por despudor, mas porque na verdade, era difícil escondê-las por completo. Eram uma mamas totémicas que ela se habituara a mostrar desde os tempos em que, seguramente mais reduzidas, as ostentavam aos seus clientes de cinquenta escudos.

Saraghina, a Cinquentinha de Frederico Fellini em 8 y 1/2 (1963)

O Gerry achava-lhe graça. E conhecia mais ou menos os seus ritmos - sempre os mesmos. Cinquentinha saía de casa ao fim da manhã, e em surtidas calmas, que o corpo já não lhe pedia correrias, ia carregando lixo do Bairro para o passeio em frente do seu prédio, e daí, finalmente, para o quarto andar onde habitava. Lixo, tal e qual. Sacos cheios de tralha, móveis partidos e abandonados às portas das casas, roupas velhas, pilhas de revistas ou jornais cheios de bichos, pneus de bicicletas, tachos rotos, o que lhe calhasse encontrar nos seus garimpos.

Ao fim de uns tempos, Cinquentinha iniciava uma actividade inversa. Começava a trazer todo o lixo que acumulara no apartamento exíguo e imundo - as vidraças de algumas janelas estava há anos transitoriamente substituídas por plásticos e da casa do Gerry via-se perfeitamente as entranhas da casa dela -, telefonava para a Câmara, e vinha para a rua vigiar com olhos de lince e língua afiada a  transfusão daquela porcaria toda para o carro camarário. Isto podia durar uma tarde inteira e era uma tarde de glória onde ela desempenhava o papel principal. E ai de alguém que tentasse, sequer espreitar o que havia nos sacos e nos montes de coisas que ela se estava a desfazer.

Ainda se oferecia pelas esquinas, sem grande convicção, mais, como chegou a dizer não me lembro a quem, porque tinha saudades de quando «trabalhava», do que para ganhar realmente a vida. Mas sem grandes resultados práticos. Provavelmente viveria de uma pensão exígua da Santa Casa, e o futuro augurava-se muito sombrio. Aliás, o presente da Cinquentinha já era desolador. Menos para ela, que apresentava sempre a mesma cara. Nem bem disposta, nem mal disposta, era a cara de quem se sente bem consigo mesma. E depois, nem sei quando, porque não estava no nosso horizonte diário e directo, desapareceu das ruas, sem que tivéssemos dado realmente pela sua falta.

Só há poucos dias, é que o Gerry de passagem por Lisboa - tem casas em vários países - nos actualizou em relação ao seu destino. Durante anos, Cinquentinha falara do dia em que iria voltar «â terra», sem que nenhum de nós fizesse  a menor ideia de que terra era a Cinquentinha. Mas o facto é que, sem mais nem ontem, a notificação chegara ao seu imundo apartamento lisboeta, dando-lhe conta de que passara a ser a única herdeira de um ramo da família de que provavelmente já nem ela saberia qual.

E assim, de um momento para o outro, a Cinquentinha encontrou-se rica. Rica mesmo. Cheia de propriedades e de títulos do tesouro, e contas a prazo e à ordem e sabe-se lá que mais. Ouvimos,  pasmámos. E rimos. E ficámos felizes por ela que já não vai morrer de frio, nem de fome, nem de necessidades. Na terra, para onde realmente e como sempre disse, voltou. Algures, na zona de Viseu.

 

segunda-feira, novembro 03, 2014

esse obscuro objecto de desejo

Não a vejo há muito tempo, mas jamais me esquecerei dela. Aliás, forneceu-me testemunhos para, pelo menos, dois grandes artigos na extinta Marie Claire portuguesa, uma maravilhosa revista que ainda hoje é referencial. Digo-o com conhecimento de causa. Das últimas vezes que estive na Biblioteca Nacional, vi várias pessoas a consultarem as edições - e por acaso algumas estavam com artigos meus em aberto. Sei que em estudos de género, nas faculdades por exemplo, se recorre à Marie Claire portuguesa, que tão boas provas deu pelo leque excepcional de jornalistas e colaboradores que reuniu. Amén.


Carole Bouquet e Angela Molina, em L. Buñuel (1977), Esse Obscuro Objecto de Desejo

Mas eu falava de uma amiga que não vejo há muitos anos. Houve duas histórias de amor marcantes na sua vida. Em ambas, contava-me ela a rir, eles apaixonaram-se por ela em circunstâncias muito particulares. «É tudo mentira, essa coisa das roupas, dos perfumes, dos cremes. Nunca estive tão feia. Da primeira, estava presa pela Frelimo, há dias, na Beira, Moçambique, sem saber o que me ia acontecer.». Desgrenhada, suja, assustada, viu passar aquele homem «magnífico» com quem trocou um olhar por entre as grades, pensando na sorte que tinha a pessoa que ele ia visitar e safar daquele inferno. Com efeito, era diplomata de outro país e estava precisamente a ultimar a libertação de uma conterrânea sua, cujo destino seria provavelmente o de ir para um «campo de reeducação pelo trabalho». Um inferno.

Ela, que ainda não tinha sido ainda visitada pelas autoridades portuguesas, já não tinha grandes dúvidas de que iria em breve para um desses «campos de reeducação». Provavelmente no Niassa ou em Tete. E foi então que soube que aquele homem com quem apenas trocara um olhar chamara a si, e à sua embaixada, a responsabilidade de a libertar. «O que é que ele viu em mim?» - contou-nos, anos depois, ainda estupefacta. Naquelas circunstâncias, era uma mulher de olhos grandes, castanhos, cabelos enovelados e apanhados de qualquer maneira, olheiras até ao pescoço, rosto macerado e as roupas num frangalho:

«Em dois dias tirou-me da cadeia e, provavelmente, salvou-me a vida». Evidentemente que se apaixonaram e amaram, mas a sua era uma história quase impossível. Apesar de tudo, ainda durou, com viagens intercontinentais a mitigar as saudades. O enredo, dava para um filme de Hollywood.

Tempos depois, voltara a Portugal, onde tinha já os pais, o filho bebé. E pusera-se a tratar do divórcio do primeiro marido que a deixara para trás com o argumento de que tu safas-te sempre e melhor do que eu. Dois anos mais tarde, desgrenhada e a pôr em ordem uma nova casa que acabara de alugar (no Alentejo), mais confortável do que o alojamento dos primeiros tempos, um bonitão bateu-lhe á porta. Recebeu-o de esfregona na mão, lenço na cabeça e má cara. Ele era filho dos donos da casa que ela alugara. Era médico. Solteiro. Cobiçadissimo por solteiras, casadas, viúvas e divorciadas: ao que consta. Trazia um recado dos pais dele - senhorios - para a inquilina. Ela nem se deu ao trabalho de o mandar entrar e quando ele se ofereceu para a ajudar, mandou-o dar uma curva.

E ele nunca mais a largou até casarem.

Foram felizes? Essa é toda uma outra história. Aqui, o que retenho é a forma como ela desvalorizava a obsessão que muitas mulheres tinham, e têm por uma suposta e inatingível perfeição, que hoje, aliás, atinge foros de loucura: «é a nossa personalidade que os fascina e o resto são tretas. Claro que perfumes e cremes e roupas é muito bom. Mas não é por aí.» - contou-me e recontou-me ela. Nesse tempo andava pelos quarentas, e era igual à actriz Susane Sarandon, de quem nunca tinha ouvido falar.

Acho que nunca a vi maquilhada, ou se vi foi muito pouco. Não perdia tempo em lojas, por falta de paciência, e o simples vocábulo «moda» dava-lhe para rir. Não fazia nada para chamar a atenção, sequer. Mas tinha um não sei o quê. Um amigo meu, muito mais novo do que ela, homossexual, disse-me pouco depois de a conhecer - «com uma mulher destas eu repensava as minhas preferências». Não acredito muito - porque o conheci bem. Mas tenho a certeza de que, naquela altura, ele estava a ser absolutamente sincero.

É que há algo de  obscuro, impalpável e imaterial no desejo que irrompe subitamente e se transforma em paixão ou adoração e, por vezes até, em amor. É de uma natureza demasiadamente volátil, extravagante, singular e maravilhosa que nenhuma essência consegue captar, nem nenhum vestido ou creme consegue capturar.

É que isto vem de dentro, e toca em todos os sentidos. É uma música. É uma grande, grande magia.

quinta-feira, outubro 30, 2014

Os sinais


Mais um trecho do meu livro Xerazade - a última noite  MG
«Presta atenção aos sinais. Vou escrever-te cartas, vou mandar-te mensagens, vou cantar para ti enquanto estivermos longe um do outro. Não será por muito tempo, prometo-te. Entretanto, usarei os mais improváveis mensageiros, de modo que tens de estar atento. Aquela abelha, aquela formiga, aquele voo de pássaro, aquela nuvem, aquele cintilar de estrelas, podem trazer-te as minhas palavras, o meu riso cruel, o meu choro inconsolável, os meus gemidos de gata assanhada de amor. Fizemos esse jogo tantas vezes, lembras-te? E aprendemos a dominar as suas regras, porquanto a porta do caos é o portal de uma ordem secreta patente aos olhos de todos os que quiserem ver. É a partir de agora que vamos estar verdadeiramente juntos. Se ao menos percebesses quanto.


―Não posso viver sem ti, querida.
―Sabes que não posso ficar contigo.

― És a minha alma. Como se pode viver sem a  alma?
― Não te iludas, amor. Já nos despedimos tantas vezes. É só mais uma
[...]»

Manuela Gonzaga, em Xerazade - a última noite, Lisboa, Bertrand, 2015

quarta-feira, outubro 29, 2014

Partidas e chegadas ao aeroporto de Lourenço Marques

O J. Fróis não tem televisão - muitos de nós já não têm - apesar de já lhe querem ter oferecido vários magníficos plasmas. Motivo? Ficava a olhar o dia inteiro para aquilo e não fazia (quase) mais nada. Disse-me ele. Como eu o entendo. A caixinha é viciante. Mas o João também não tem espaço nas redes. E  há mais de um ano que deixou até o blogue que, ao que que parece, era muito visitado. Motivo? Ficava agarrado àquilo e não fazia mais nada.

O JF é artista e faz mil e uma coisas - pinta, por exemplo, e eu sei que vou gostar muito de ver os quadros dele. Não nos vemos há décadas, e, curiosamente, encontrámo-nos graças às redes. Uma amiga minha e dele, que anda por aqui, felizmente!, encontrou-me. Depois, ofereceu-lhe o livro Moçambique para a Mãe se lembrar como foi, onde o J. Fróis aparece em vários episódios. Fomos companheiros de letras, camaradas de trabalho portanto, no jornal Notícias de Lourenço Marques, onde debutei na mais apaixonante das profissões. O jornalismo. Assinámos reportagens juntos e tudo - que eu redescobri, divertida, comovida, maravilhada, quando andei pela BN a ler jornais de época, sobretudo o Notícias, na minha pesquisa para o livro.


 Sede do jornal Notícias em Lourenço Marques, na esquina das ruas Joaquim Lapa e da Maxaquene
[cortesia The Delagoa Bay World]


Troca de emails, e mensagens no FB para aqui e para ali, eis que o J. Fróis e apareceu em boa hora no meu telemóvel e desatámos a rir e a falar como se nos tivéssemos visto anteontem pela ultima vez. Para meu grande alívio, descrições de eventos e até de espaços, e em que ele entrava, e que evoco no livro, e que nalguns casos foram apoiada apenas na minha memória, estavam certas. Rigorosamente certas. Aliás, foi com muita alegria que o ouvi registar, a propósito da investigação à volta de tudo o que escrevi agora sobre os nossos dias de ontem: «O trabalho que tiveste!!» - disse.

Naturalmente, O Fróis não se recordava do episódio em que eu o encontrei e perdi e reencontrei e perdi e reencontrei no aeroporto da então LM, no meu trabalho de reportagem que tinha por titulo «Chegadas e Partidas». Era um trabalho muito básico, próprio da repórter estagiária que eu era. Saber para onde iam e de onde vinham e eventualmente porquê, os famosos que chegavam e partiam à capital da Princesa do Índico. Famosos que eu não conhecia de lado nenhum. Nem de cara, nem de nome. Sempre fui uma outsider... portanto não houve reportagem.

O Fróis, que encontrei para meu imenso alivio e que prometeu ajudar-me nesse terrível transe, transformou-se em Gato de Alice no País das Maravilhas e não me foi de utilidade alguma. Ora ali, e naquelas circunstancias, ele era o único famoso que eu conhecia. E era famoso, porque era meu amigo. Os outros, nem as caras conseguira reter, apesar de estarem dia sim, dia não, plasmadas nas primeiras páginas do jornal onde eu trabalhava, e que, de resto, não lia. Digo, a parte chata. A parte politica do regime - com os discursos e tal.
Ah, Fróis que bom ter-te reencontrado. Afinal, não inventei. Eu sabia, mas... quando contamos a nós próprios as mesmas histórias vezes sem conto, simplesmente porque não há ninguém para as ouvir, chegamos a ter dúvidas onde começa a imaginação a invadir as nossas verdades. Tento sempre, mas sempre, na vida, traçar a fronteira. Quando somos um pouco loucos, é preciso ter-se muita atenção aos pormenores. É assim que sabemos quando estamos a sonhar e quando estamos acordados. É assim que nos mantemos à tona destas turbulentas águas.

É que bem basta o que basta.

Nota: The Delagoa Bay World foi um dos blogues fundamentais na minha pesquisa pelas redes sobre os tempos dos nossos dias de ontem.

quinta-feira, outubro 23, 2014

Continuo no PAN

Primeiro pensei - também vou sair (do PAN)! Depois pensei: mas os animais não podem fazer o mesmo (nas suas vidas). Nem a natureza. Não existe Planeta B.

Portanto, continuo no PAN, e apoio o André Silva, pelos motivos abaixo indicados. O ideário da sua campanha, bem como a lista de apoiantes de PAN - Inteligência Colectiva, pode ser consultado aqui.



Com o Timóteo de St. Catarina - freguesia onde foi encontrado, há mais de quatro anos, o cão da minha, das nossas vidas. Como todos os que fizeram e farão parte delas.

 
 
 
Entrei para o PAN, há cerca de dois anos, pela mão de um amigo de longa data,
o Paulo Borges, desmentindo com esta minha filiação uma promessa feita a
mim mesma. A de que nunca me aventuraria pelas águas turvas e traiçoeiras
da vida política. Fi-lo em consciência. Para mim, e, creio, para quase todos nós,
o ideário do Partido dos Animais e da Natureza constitui um maior denominador
comum. Trata-se da defesa de uma «Arca de Noé» num planeta em risco de
soçobrar e, por consequência, da defesa intransigente dos direitos dos animais,
e da natureza, casa-mãe de todos nós.
Abracei portanto uma utopia – e isto é o maior elogio que se pode conferir a
um projecto deste cariz. Assim, quando tomei conhecimento de que Paulo
Borges se afastava inapelavelmente do partido, a minha reacção foi afastar-me
também. Mas o pressuposto inicial mantinha-se: como defender aquilo em que
acredito e tantos de nós acreditamos? Como juntar forças e sinergias para
conseguir pequenas grandes vitórias para a grande Causa das Coisas da Vida?
Assim, no meio desta atormentada transição a minha permanência no PAN
tornou-se inquestionável. A Causa Animal, a Causa da Natureza, a Causa Nossa,
não espera pelo mundo perfeito, pelas pessoas perfeitas, pelo cenário idílico
onde todos seríamos ou seremos seres na plenitude do ser.
Eu não sou.
É por isso que, assumidamente humana e falível, vou continuar no PAN.
É por isso que vou votar, de coração aberto e mente lúcida, no ANDRÉ SILVA,
amigo que ganhei em muitas horas de esclarecimentos, e que me ensinou o
pouco que já aprendi no PAN, contagiando-me com o seu entusiasmo e com a
sua extraordinária capacidade de trabalhar no terreno do concreto, do imediato,
do possível e do necessário. Há tanto para fazer – e o André Silva é um homem
de acção e de reconhecida credibilidade.
Acrescento a pedra de toque que me decidiu. André Silva, sem nunca criticar ou
destruir o trabalho fosse de quem fosse, convenceu-me que continuar é
preciso. E desejável. O projecto da sua candidatura, tão convergente e de uma
enorme serenidade, bem como todos os envolvidos nele, permite-me acreditar
que é este o rumo.
Mais de cinquenta mil pessoas votaram PAN nas últimas eleições. Não temos o
direito de defraudar as suas expectativas. Mas mais do que isso – os sem voz,
os sem direitos, os seres mais frágeis do Planeta, dependem inteiramente do
que podemos fazer e do que temos por obrigação fazer em seu nome. E
consequentemente por nós e pelo espaço que todos partilhamos.
É que não há Planeta B.
Viva o PAN!!
Manuela Gonzaga
Escritora
 

 
 
 
 

segunda-feira, outubro 06, 2014

Num abraço de flores

Mais um extracto do meu próximo livro, cujo titulo e data de lançamento continuam em segredo. MG
Chagall, Marc (1887-1985)
Les Amants sous de Fleurs de Lis
 
[...]
«... há jardins selvagens no pensamento que prefiro não visitar. Mas agora, gigantescas flores de caules tentaculares, pétalas de cetim encarnado, corolas de estames de ouro e odor tóxico, assaltam-me à medida que avanço em direcção às torres. Como se quisessem deter-me. Que romântica, esta tentativa de me prenderes num abraço vegetal, sob o luar que atenua as linhas duras do meu rosto e a nudez do meu trajar. Não preciso de espelho, revejo-me na claridade dos teus olhos. És tão bonito amor, continuas tão bonito. Céus, depois deste tempo todo e ainda me olhas como da primeira vez em que nos vimos, já não sei quando foi, nem como foi, nem onde foi.
Só sei que foi num olhar assim, que tudo começou.

Mas não adianta. Estou fora do alcance desses caules, embora o perfume seja muito tentador. É que tenho mesmo de ir, entendes?»
[...]
 

domingo, outubro 05, 2014

5 de Outubro

Hoje um sonho caiu-me aos pés como um pássaro a arder e quando me curvei para o segurar desapareceu como se nunca houvera existido e, voltando ao seio do Incriado, morreu-me. Nunca me tinha acontecido isto com um sonho. MG